15 de maio de 2011

Les amants réguliers (2005)
Philippe Garrel

Les amants réguliers é coisa de megalómano sem rumo, talvez um furioso em desavença com o passado ou na amargura do presente, não sei, Garrel parece querer desacreditar toda a mística e todo o prestígio do movimento estudantil do Maio de 68, mete-los nas antípodas, faz um filme lento e lento e lento sem que nos leve a algum lado, a alguma ilação que não seja a que tiramos ao fim de pouco mais de meia-hora de filme, arrasta-se e volta-se a arrastar como se não houvesse amanhã, esforça-se por denegrir a imagem do mítico mês e ano revolucionário, resume tudo (ou aquele tudo que parece ser auto-biográfico) numa questão burguesa de obstinações artísticas e amorosas/sexuais que se mergulham num mar de drogas (ópio acima de tudo) em detrimento do espírito revolucionário e intelectual que identifica a revolução estudantil. Banaliza, desmitifica, desvaloriza tudo, toda uma geração – a sua geração – coisa de rebelde infantilizado, chega à conclusão de que afinal o amor é mais importante que os ideais e acima dessas duas está o dinheiro, o sucesso, a carreira profissional, o futuro, é isso que Garrel nos diz, que aquilo tudo eram balelas, todos os ideais, que no final somos todos materialistas, vendidos, cheios de ideais falsos ou efémeros, opacos, coisas que se banalizam ao primeiro contacto com o capitalismo, com o poder da burguesia essa praga social que controla o mundo. É isso que Garrel faz, desvirtua tudo numa fotografia a preto e branco estilizada, foge a qualquer subversão ou sublevação jovial, imerge na letargia daquela geração, etc…

4 comentários:

David J. Pereira disse...

Gosto deste blogue!

Podes adicionar o meu aos links sff?

http://davidjosepereira.blogspot.com/

Manuela disse...

Tenho que ver este, deixaste-me ainda mais curiosa ...

Enaldo disse...

Eu também não romantizo maio de 68, e muito menos o movimento estudantil. O "movimento" estudantil brasileiro, por exemplo, é atrelado ao governo Lula/Dilma e só quer saber de vender carteirinhas de estudante. Conforme disse Cohn-Bnedit: "esqueçam maio de 68". Esta revolta começou em Nanterre por causa da proibição de repúblicas mistas, e não pelonobre motivo do socialismo, que foi um discurso adesivo. Entendo o seu ponto de vista, mas acho que vou gostar deste filme. Não se aborreça om o que lhe digo. Valeu a resenha e um grande abraço.

Marcelo Pereira disse...

De absoluto acordo. Acho que este excerto "imerge na letargia daquela geração", define muito bem o filme.