30 de maio de 2018

a registar:

(1969) The Undefetead - Andrew V. McLaglen
(1954) Ulisse - Mario Camerini & Mario Bava
(2017) Get Out - Jordan Peele
(1932) Gli uomini, che mascalzoni... - Mario Camerini
(1953) The Hitch-Hiker - Ida Lupino
(2017) Western - Valeska Grisebach
(1953) 99 River Street - Phil Karlson
(1955) Tight Spot - Phil Karlson
(1957) The Brothers Rico - Phil Karlson
(1956) Rentrée des classes - Jacques Rozier
(1990) A Walk - Jonas Mekas
(1958) Gunman's Walk - Phil Karlson
(1957) Decision At Sundown - Budd Boetticher
(1958) Buchanon Rides Alone - Budd Boetticher
(1975) Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles - Chantal Akerman
(1974) Je, tu, il, elle - Chantal Akerman
(2017) L'amant d'un jour - Philippe Garrel
(1956) Elena et les hommes - Jean Renoir
(1968) 5 Card Stud - Henry Hathaway
(1965) The Sons of Katie Elder - Henry Hathaway
(2000) Zhantai - Jia Zhang-ke
(2013) Tian zhu ding - Jia Zhang-ke
(2015) Shan he gu ren - Jia Zhang-ke
(1997) Xiao Wu - Jia Zhang-ke
(1968) Bandolero! - Andrew V. McLaglen
(1966) This Property Is Condemned - Sydney Pollack
(2017) A Yangtze Landscape - Xu Xin
(2010) Karamay - Xu Xin

revisões:

(1968) C'era una volta il West - Sergio Leone
(1995) Se7en - David Fincher

25 de maio de 2018

24 de maio de 2018



Shan he gu ren ou Se as Montanhas se Afastam de Jia Zhang-ke é um filme de escolhas e das consequências dessas escolhas (ou do rumo que a vida segue devido a essas escolhas) personificando muito mais que isso. Se em Zhantai identificávamos facilmente a veia melancólica e uma certa nostalgia, aqui pareceu-me que Jia Zhang-ke vai mais longe e faz um filme-lamento… ainda que esteja lá a melancolia bem vincada, parece-me que o cineasta chinês faz um filme triste, de lamento pelo desenvolvimento económico e tudo o que isso acarreta. Jia é um cineasta que utiliza muito a música (e por música especifique-se as canções na rádio ou nos leitores de cassetes, etc) para criar esse ambiente melancólico (o que por vezes – e aqui neste filme em particular pois está-me mais fresco na memória – funciona bem e noutras não tão bem), e aqui, como em Plataforma, a canção principal (a Go West dos Pet Shop Boys) quer dizer tanto mas tanto… bem como a mudança de formato de imagem duns períodos temporais para os outros quer talvez simbolizar essa evolução (decadente) da China, assim como me parece associar quase sempre a melancolia às tais transformações sociais, culturais e económicas que a China atravessou desde os finais dos anos 70.
Existe aqui, ainda que um pouco à superfície, uma oposição – ou chamemos-lhe distinção – entre o rico e o pobre, entre o capitalista e o comuna. Shan he gu ren conta-nos a história de Tao (em mais uma grandiosa interpretação de Zhao Tao) e daqueles que a rodeiam em três diferentes períodos temporais (1999, 2014 e 2025), as suas escolhas e o rumo delas. Curiosamente, este Se as Montanhas se Afastam pode ser encarado quase como um filme-irmão de Zhantai, não só na tal melancolia como na reincidência de temas afectos ao cineasta e a estes dois filmes em questão, a tal transformação cultural que aqui assume maior gravidade com uma perda de identidade quer cultural quer social – o filho de Tao, no terceiro episódio ou terceiro período temporal (2025), além de ser chamado de Dollar só sabe falar inglês, impossibilitando a comunicabilidade com os “seus”, o que personifica bem essa perda de identidade. Talvez por isso me pareça que onde Zhantai ficou, Shan he gu ren continuou, ou seja, Plataforma ficou-se pela melancolia e pela nostalgia que as transformações estavam a trazer para se as Montanhas se Afastam prosseguir e “mostrar” o declínio social e cultural que esta moderna China capitalista abraçou.
Se as Montanhas se Afastam (2015) não é um Xiao Wu (1997) nem tampouco um Zhantai (2000), mas ainda assim é um grande filme dum dos melhores cineastas chineses contemporâneos e que faz (ou se não faz, deveria) inveja a muito aclamado cineasta por esse mundo fora.

23 de maio de 2018


Zhantai (Plataforma) é talvez, a meu ver e daquilo que até hoje vi de Jia Zhang-ke, o seu melhor filme. A palavra que me parece melhor para descrever Zhantai é melancolia, coisa que irrompe e abraça todos aqueles jovens que testemunham e protagonizam uma mudança cultural e socioeconómica da China dos finais dos anos 70 e inícios de 80. É indiscutível o teor político do filme, a principal preocupação do cineasta chinês é retractar essa mudança – e o que vemos é um pouco como Ozu fazia, detalhando a oposição do “velho” face ao “novo”. As mudanças chegam, a ocidentalização e o consumismo começam a “invadir” aquela China Maoista que, no começo do filme, ainda nos é perceptível. A pouco e pouco o individuo substitui o colectivo.
A história de Zhantai traz-nos um grupo de jovens, todos eles a atravessar essa transformação social e individual, pertencentes a um grupo de teatro que com o tempo – e o tempo e a sua passagem são também muito importantes neste filme – se vai desmembrando e transformando (e deve-se à privatização e à iminente chegada do capitalismo) numa liberalização individual na procura dos novos ideais. Jia Zhang-ke, e voltando à melancolia, filma aqueles jovens imersos nessa mudança social e cultural (a chegada da música pop e rock, as calças à boca de sino, os filmes americanos, os penteados ocidentais, os contraceptivos, as raparigas começam a fumar, a vida privada começa a ser realmente privada…), mas envoltos na melancolia e numa certa nostalgia que caminha lado a lado com a passagem do tempo e com as transformações políticas e sociais que trazem àquela juventude uma indefinição pessoal (como a certa altura se pergunta a um deles o que daqui a 20 anos seria).
Zhantai é um poderoso e monumental “documento” sobre a revolução (ou a nova revolução) da China actual, os primeiros “passos” daquilo que viria a ser hoje, a China capitalista, consumista e individual que substituiu a China colectiva de Mao.

22 de maio de 2018



Elena et les hommes do Renoir é um filme que atesta (e é um dos seus filmes finais) a grandiosidade do seu cineasta. A primeira coisa, ou o primeiro filme, que nos vem à cabeça ao ver Elena et les hommes é o, também de Renoir, La règle du jeu, similaridades quer no ritmo narrativo como na expressão satírica que todas as peripécias conferem ao filme. Depois, lembramo-nos de La Marseillaise (os cânticos e os louvores à sua França e à república), de Boudu sauvé des eaux (o humanismo que está presente não só nestes dois como em todo o seu cinema), de Le carrosse d'or e até de French Cancan. Elena et les hommes (tal como La règle du jeu - e, se nessa monstruosidade e aclamada obra, Renoir satirizava a burguesia, aqui fá-lo com a nobreza e o poder, elevando o amor e o romantismo) é um desenfreado e energético rodopio de gags ou peripécias em torno dum triângulo amoroso situado numa França da Belle Époque maravilhosamente e despreocupadamente “pintada” ou filmada por Renoir. Obrigatório.

21 de maio de 2018

Sobre o L'amant d'un jour do Garrel, e ainda que ache que continua longe das suas grandes obras das décadas de 60 (finais) e 70, é basicamente isto:

https://www.publico.pt/2018/01/04/culturaipsilon/critica/o-pai-a-filha-e-a-namorada-dele-1797833 http://www.apaladewalsh.com/2018/01/lamant-dun-jour-2017-de-philippe-garrel/ 

18 de maio de 2018

http://www.apaladewalsh.com/2015/10/in-memoriam-chantal-akerman/

14 de maio de 2018

...
ciclo fundamental a decorrer no MTTM

http://mytwothousandmovies.blogspot.pt/2018/05/pelos-pergaminhos-do-cinema-portugues.html

6 de maio de 2018

29 de abril de 2018