1 de Maio de 2013

The Wind - Victor Sjöström (1928) *****
Mildred Pierce - Michael Curtiz (1945) *****
Tempo Di Viaggio - A. Tarkovsky e Tonino Guerra (1983) ® *****
Jagten - Thomas Vinterberg (2012) ****
U me dobrý - Jan Hřebejk (2008) ***
Les Neiges Du Kilimandjaro - Robert Guédiguian (2011) ***


® Filmes revistos

11 de Abril de 2013


Velhice solitária…

Primeiro McCarey visto, deslumbramento total. “Make Way for Tomorrow”, como as tais palavras dum sábio citadas no primeiro minuto do filme, “honra o teu pai e a tua mãe…”, é filme que busca a gratidão (ou a reclama) dos filhos pelos pais, ainda que chegue ao fim sem a encontrar... e não há filme mais doloroso e mais lancinante para com a velhice que este (excepto os grandes Ozus), não há filme mais brutal e mais negro (de tão tristíssimo que se prenuncia) na procura da retribuição ou da equidade do amor ou do carinho ou do afecto dos filhos pelos pais, isto porque alcançamos o final e percebemos que não a há, que a velhice se augura solitária e ingrata. Não há redenção possível, respeita-se e segue-se; como um caminho por onde seguir adiante seja inevitabilidade das inevitabilidades, coisa da lógica e da lei da vida; a amargura da velhice e a rejeição máxima a que se cola a ingratidão e a frívola compaixão e a falta de dignidade humana daqueles filhos a quem os pais são o maior dos maiores dos estorvos do mundo.

Separação…

Se há coisa que “Make Way for Tomorrow” tem, é a tal brutalidade e a tal negrura de toda a temática abordada. Além da velhice e da solidão a que o casal da película está destinado, McCarey vai mais longe e separa-os, arranja um problema financeiro ao qual lhe dá um sentido social (tudo derivado da Grande Depressão) e despeja o casal da sua casa de sempre para, ingratos e desnaturados, os filhos os separarem com a desculpa da vida e do espaço limitado em suas casas. É nesse contexto da separação do casal que o caos e a desumanidade e toda a negrura que vem da tristeza mais melancólica de todos os mundos se colocam e desabam toda a estabilidade familiar que outrora os suportou (à família), a estabilidade que educou e criou aqueles filhos que, agora, casados e dispersos por aquela América das grandes cidades, votam e destinam os pais a uma humilhação e a uma vil "mendigação" pelo lar dos seus filhos… e se há coisa que “Make Way for Tomorrow” reclama é a dignidade do ser humano, e por isso aquela mãe prefere ir para o lar do que continuar a estorvar os filhos, se há coisa que existe é a inexorabilidade da vida, da velhice, é o futuro incerto daqueles velhos separados pela leviandade e pela futilidade dos seus.

Nostalgia…

Ao reencontro surge a inevitabilidade das memórias do que não volta, surge a nostalgia dum passado que, após estes anos todos, se revela ser ainda o presente, tudo mudou mas ainda assim algo perdura e se mostra imutável, o amor deles, coisa que, e a maior descoberta daqueles dois velhos abandonados e distantes é a de que o maior bem (e ao contrário do que se possa pensar) que um e o outro têm é o amor entre eles, pois os filhos, esses, nada fazem para os honrar, os filhos, que outrora eram tudo o que de melhor possuíam, tudo fazem para os enxotar e afastar das suas vidas, como se aqueles velhos, que tudo deram e toda a vida lhe deram, fossem agora coisa dispensável e descartável. É essa negrura e coisa terrífica que se assinala como verdade absoluta, os filhos crescem e partem, formam eles próprios a sua família, deixando aqueles que os criaram ao abandono e ao destino da velhice. Por isso no final fica a nostalgia, ainda que curto, o reencontro, tão pungente quanto as mais pungentes tragédias gregas, é ainda assim oportuno e fortuito para os dois velhos solitários reencontrarem o amor na nostalgia do passado, nas mágoas e no calvário do presente e na incerteza do futuro.

2 de Abril de 2013


“La Pivellina”, primeira ficção dos documentaristas Tizza Covi e Rainer Frimmel (tal como o russo Loznitsa que se aventurou também na ficção com o seu “Schastye moe” - e o último “V tumane” é dos filmes que mais anseio ver), é objecto tão realista quanto directo, tão lúcido e tão ternurento quanto brutal e frio, coisa que parte duma certa herança (que à medida que se desenvolve foge dela a "sete pés") do neo-realismo ou, se quisermos trazer o documental à baila e atribuir-lhe esse tal realismo que se procura em todo o filme, e dum olhar da câmara à mão (ou de restícios do Dogma 95 se assim o quiserem chamar), abstido de qualquer virtuosismo, perto da crueza e da rudeza, tudo pelo realismo, para contar uma história de afecto e de amor conquistado por uma criança abandonada encontrada por uma circense de meia-idade que nunca pôde ou nunca quis ter filhos. Passa-se todo o tempo à espera da mãe da criança (porque esta é mais uma boca para alimentar e um fardo para carregar) para no final carinho e apego gritarem mais alto e lamentarem, e lá no fundo reclamarem, a iminente ida da pequena Asia.

1 de Abril de 2013

Four Sons - John Ford (1928) *****
Make Way for Tomorrow - Leo McCarey (1937) *****
Wuthering Heights - William Wyler (1939) ® *****
The Sun Shines Bright - John Ford (1953) *****
La Morte Rouge - Víctor Erice (2006) *****
The Sandpiper - Vincente Minnelli (1965) ****
Film d'amore e d'anarchia, ovvero 'stamattina alle 10 in via dei Fiori nella nota casa di tolleranza...' - Lina Wertmüller (1973) ****
La Pivellina - Tizza Covi e Rainer Frimmel (2009) ****
Stalingrad - Joseph Vilsmaier (1993) ***
The Town - Ben Affleck (2010) ***
To Rome With Love - Woody Allen (2012) ***
Django Unchained - Quentin Tarantino (2012) ***
Whisky Galore - Alexander Mackendrick (1949) **


® Filmes revistos

25 de Março de 2013

“The Sandpiper” de 65 de Minnelli, com todo o glamour e toda a beleza e toda a sensualidade que o par da época Taylor e Burton resplandeciam no grande ecrã não é mais do que a mais pura dissertação sobre o desejo e sobre a atracção dos opostos, crente e não crente, cristão e ateu. Daí resulta a relação e a infidelidade que acima de tudo, no final, ensina aos dois amantes que afinal não tinham “o rei na barriga”, que afinal não eram detentores de toda a sabedoria, aprende-se que até morrer está-se sempre a aprender.

20 de Março de 2013

"Ford remade The Sun Shines Bright from his 1934 film Judge Priest with Will Rogers first playing the role that Charles Winninger assumed nearly twenty years later. Set during 1905 in Fairfield, Kentucky and derived from three short stories by Irvin S. Cobb, Ford’s later film explores possibilities that he also presents in his earlier post-World War II workssuch as My Darling Clementine (1946), Fort Apache (1948) and The Searchers (1956). The little-known and underappreciated The Sun Shines Bright, however, poses a striking vision of Ford’s post-war concerns. Such a vision, as Ford makes clear, does not occur beyond the context of very human ambiguities. It sheds light on complicated personal and historical relationships, the harm of local secrets, and the limits imposed by those same ambiguities on even the most well-meaning of communal desires. Even with those limitations and almost 60 years on, The Sun Shines Bright still portrays a type of open-ended concern within the American experience. Such openness, in turn, invites an American self-examination that has yet to fully occur. Extending such a call through the prism of race, certainly America’s central issue at the time of the film’s release, only heightens the power of the film’s still-existing invitation."

in senses of cinema - John Ford’s The Sun Shines Bright and the Search for a Moral Order

7 de Março de 2013

O mais importante é a negrura do filme, o ambiente negro e todo o lado sombrio e obscuro que Visconti nos mostra, são coisas da matéria que transmitem não só o horror como a amargura do homem, confinamento quase total às sombras e à escuridão da solidão, “Gruppo di Famiglia in un Interno”, que tal como “Il Gattopardo” busca tanto a aristocracia como a solidão e a rigidez e a firmeza dum homem, é filme de coisas obscuras e obsessivas, da escuridão e do isolamento da alma, do acomodamento dum velho à “segregação” e à solidão. E nessa negrura que aquele velho professor resignado e refugiado se envolve dia após dia irrompe o burlesco e a vivacidade não só da jovialidade como da leviandade, coisa que ainda assim Visconti parece dignificar e capaz de ser alternativa à obscuridade e à amargura da solidão, é da leviandade que a jovialidade e sobretudo a sociabilidade é alcançada, sejamos sinceros, aquela gente nada deve à moralidade ou à lealdade, antes sim à podridão do capitalismo e da alma que tudo corrompe.

Mesmo assim Visconti quer reprimir a solidão, nada mais há que se lhe assemelhe e por isso todo aquele “circo” montado por aquela gente é um escape e um libertar do solitário e do refugiado ser que há no professor. Aos poucos vai-se agradando da ideia de serem uma família, ou pelo menos uma certa curiosidade, aos poucos porque o que eles - Konrad e a marquesa e a filha e o seu namoradinho - são, barra-lhe a sua abertura e a aceitação total, o desprezo que sente por eles vai-se diluindo numa certa solidariedade e num forte desejo de paternalidade para com Konrad. O espaço é tudo, assim como a escuridão da reclusão do velho professor, é o seu espaço que vai sendo invadido, tumultuado, deformado rumo ao caos. Transformação total, o tal acordar dum sono profundo (como a morte).

5 de Março de 2013

As coisas mais acertadas sobre Django estão aqui e aqui

3 de Março de 2013

Detour - Edgar G. Ulmer (1945) ® *****
Meitô Bijomaru - Kenji Mizoguchi (1945) *****
Belle de Jour - Luis Buñuel (1967) ® *****
Gruppo di Famiglia in un Interno - Luchino Visconti (1974) *****
Ariel - Aki Kaurismäki (1988) *****
Peyton Place - Mark Robson (1957) ****
The Last Temptation of Christ - Martin Scorsese (1988) ® ****
Der Untergang - Oliver Hirschbiegel (2004) ® ****
Apocalypto - Mel Gibson (2006) ® ****
Halloween: Resurrection - Rick Rosenthal (2002) Ÿ


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