3 de janeiro de 2011

Buried (2010)
Rodrigo Cortés

O que Rodrigo Cortés quer fazer é aprisionar o espectador, fazê-lo sentir a angústia do enclausurado. E consegue. Porque estamos lá, naquele mesmo espaço que Paul, porque nunca saímos dali. Porque é esse espaço e o condicionamento a esse mesmo espaço que cria todo o ambiente claustrofóbico e angustiante do filme. Esse é o grande trunfo de Buried. E é isso que nos interessa. Quero lá saber da denúncia política, quero lá saber da desumanização dos terroristas e do governo americano (e com isto não estou a depreciar o filme, bem pelo contrário). O que me interessa ali (a mim) é o espaço, o enclausuramento, a capacidade de criar em nós aflição e horror psicológico (embora o tema seja o grande causador disso). O que me interessa ali é Paul (apesar do actor não ser grande coisa) e a sua angústia, a forma como Cortés a filma (ainda que se vislumbre de vez em vez a necessidade de rebuscar tudo), a proximidade entre o espectador e o personagem. Buried é indubitavelmente um grande filme.
Obrigado Victor.

4 comentários:

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Está bem visto Álvaro!

Sam disse...

É na eficaz capacidade de nos prender a um único espaço físico que este BURIED se destaca.

Um óptimo exemplo de exercício de estilo.

Flávio Gonçalves disse...

Eu concordo. Também vi por sugestão do Victor e o que me pareceu foi exactamente isso, esse aprisionamento. No entanto, e apesar de não me importar de a ideia não ser tão original assim (há uma série qualquer cujo tema num episódio é esse aprisionamento - mas a forma como se filma é completamente díspar) achei o argumento um pouco cansativo, e, nalguns momentos, aborrecido.

DiogoF. disse...

Sublinho o teu texto, do qual também gostei muito.