Rodrigo Cortés
O que Rodrigo Cortés quer fazer é aprisionar o espectador, fazê-lo sentir a angústia do enclausurado. E consegue. Porque estamos lá, naquele mesmo espaço que Paul, porque nunca saímos dali. Porque é esse espaço e o condicionamento a esse mesmo espaço que cria todo o ambiente claustrofóbico e angustiante do filme. Esse é o grande trunfo de Buried. E é isso que nos interessa. Quero lá saber da denúncia política, quero lá saber da desumanização dos terroristas e do governo americano (e com isto não estou a depreciar o filme, bem pelo contrário). O que me interessa ali (a mim) é o espaço, o enclausuramento, a capacidade de criar em nós aflição e horror psicológico (embora o tema seja o grande causador disso). O que me interessa ali é Paul (apesar do actor não ser grande coisa) e a sua angústia, a forma como Cortés a filma (ainda que se vislumbre de vez em vez a necessidade de rebuscar tudo), a proximidade entre o espectador e o personagem. Buried é indubitavelmente um grande filme.
Obrigado Victor.