23 de abril de 2009

Gerry (2002)

Um filme de Gus Van Sant










Como não podia deixar de acontecer, muito graças ao meu crescente respeito por Gus Van Sant, colmatei aquela que era uma das minhas grandes falhas cinematográficas, “Gerry”. Quem leu o post anterior relativo a “Last Days” sabe que gostei muito desse filme. E nem me vou repetir referindo mais uma vez a presença constante da enorme influência de Tarr no cinema de Sant. A verdade é que se “Last Days” me deixou maravilhado, “Gerry” deixou-me apaixonado. Sim, apaixonado pelo filme, pela beleza visual que este transporta, pela assombrosa arte de filmar, pela ideia niilista que transmite... “Gerry” deixou-me completamente atónito, não tenho dúvidas de que se trata do seu melhor filme, a obra-prima de Gus Van Sant.

12 comentários:

Fifeco disse...

Pois já eu detestei o filme. Considero-o um exercício de estilo totalmente desnecessário que apenas quer demonstrar o quão diferente é Van Sant.

Mas claro, como sempre, são só opiniões.

Abraço

Álvaro Martins disse...

Fifeco,

acho, no mínimo imprudente dizeres

"Considero-o um exercício de estilo totalmente desnecessário que apenas quer demonstrar o quão diferente é Van Sant."

E porquê? Porque desnecessário é o Dragon Ball, o Spirit, o Watchmen, enfim para falar nalguns do Sant, o Milk e o Psycho. Isso sim são filmes desnecessários. Mais uma vez, e porquê? Porque são os chamados filmes "pra encher chouriço", não trazem nada de novo e limitam-se a ser mais uns blockbusters "hollywoodianos".

Diferente? sim, até diferente dos seus primeiros filmes. Melhor? sem dúvida. Em tudo, a filmar, a contemplar a natureza, as emoções. Há expressões corporais que dizem mais que mil palavras, mesmo na realidade e Sant explora essa vertente ao máximo, como no cinema de Béla Tarr a quem ele vai buscar toda a inspiração (não sei se conheces). Já Tarkovsky filmava essa contemplação de que falo, essa sintonia com a natureza, com as emoções. Desde Gerry, Elephant, Paranoid Park até Last Days, Sant adopta esse estilo mais lento, contemplativo, de uma beleza visual ímpar no cinema americano que o diferenciam de qualquer outro americano, é verdade, mas na Europa há muitos assim, desde Béla Tarr, Ceylan, Bartas, Jayasundara..

Mas claro, nem todos podemos gostar de cinema assim. Como disseste e bem, são só opiniões.

Abraços

Victor Afonso disse...

E a música de Arvo Pärt contribui muito para a beleza do filme - a sequência inicial do carro com a música de Part é deslumbrante.

Álvaro Martins disse...

Completamente Victor, a música de Part é linda e transmite uma sensação de paz e de calma nessa sequência inicial que é das melhores que já vi em cinema. Absolutamente brilhante.

Abraços

Fifeco disse...

Eu percebo a tua opinião apesar de não concordar porque considero que cinema é muito mais do que a simples visualização de imagens e a audição de música por mais bela que seja a sua junção.

Ainda assim, também tu és imprudente a dizer que, por exemplo, Milk é um filme para encher chouriços. Quanto a mim, é um exemplo perfeito do cinema enquanto poço infindável de cultura. É bem mais do que um mero biópico convencional graças à categoria de Sant mas ao mesmo tempo informa o espectador de uma vida (e que importância que estas têm) e a sua obra para aqueles que desconhecia. Permite exactamente diminuir o grau de incerteza e aumentar o grau de conhecimento. E isso é conhecimento. E independentemente do que se possa dizer, isso é cinema. E do bom neste caso. Também poderia falar do Watchmen mas obviamente não vamos estar de acordo :p

ABraço

Álvaro Martins disse...

"porque considero que cinema é muito mais do que a simples visualização de imagens e a audição de música por mais bela que seja a sua junção."

Gerry não se limita a uma junção de imagens e música. Há um argumento simples mas sólido, uma fotografia lidíssima, há todo um transporte da tela para o espectador de emoções, sentimentos e ideias, há uma qualidade em filmar os personagens, o espaço, enfim tudo, que não se vê em mais nenhum cineasta americano e em muitos europeus.

"É bem mais do que um mero biópico convencional graças à categoria de Sant mas ao mesmo tempo informa o espectador de uma vida (e que importância que estas têm) e a sua obra para aqueles que desconhecia."

O que é um biópico senão um filme sobre determinada vida com o intuito de informar o espectador sobre essa vida?
Convencional ou não, todo o biópico segue essa regra.

Poderia-te dar muitas razões pelo qual não considero Milk e muito menos o Watchmen filmes aceitáveis ou de qualidade, mas, tal como tu já percebi que não estaríamos de acordo.

Abraços

Paulo Soares disse...

Gerry é um dos meus filmes preferidos de Van Sant!

"porque considero que cinema é muito mais do que a simples visualização de imagens e a audição de música por mais bela que seja a sua junção."

É a descrição de alguns dos filmes que mais gosto.

King Mob disse...

"Poderia-te dar muitas razões pelo qual não considero Milk e muito menos o Watchmen filmes aceitáveis ou de qualidade"

Adjectivar um filme de que não se gosta de inaceitável parece-me um pouco forte. Intolerante para com opiniões e sensibilidades diferentes.

Sim, eu achei o Gerry uma seca. Embora reconhecendo-lhe alguma valia, de forma puramente intelectual, o filme não me proporcionou uma emoção diferente daquela que sinto quando estou à espera de ser atendido numa qualquer repartição de finanças ou conservatória. Mas admito perfeitamente que outras pessoas o sintam de forma diferente. Também não gostei do Milk ou do Watchmen, mas respeito o direito de existirem. Não deveria haver inaceitáveis no cinema. Já chegam os da vida real.

Álvaro Martins disse...

Em primeiro, até ao ser mais ignóbil que possa existir devemos respeito pelo menos por essa mesma existência. Mas o respeito não é para aqui chamado. Aliás, ninguém faltou ao respeito a ninguém nem a nenhum filme. Cada um expressou a sua opinião.
Depois, "Não deveria haver inaceitáveis no cinema.". Não concordo. Como tudo na vida tem de haver regras e bom senso. E bons gostos. Portanto, o que extravasa o bom gosto e a qualidade de um filme, é inaceitável. Cinema não é só filmar uma historiazinha, meter-lhe uns efeitos especiais de última geração e uns caramelos a mandar umas piadas e uns berros ou umas choramingadas para impressionar. Cinema é muito mais que isso. Cinema, o verdadeiro cinema, é vida. E intolerância é precisa, principalmente quando se quer alienar o ser humano.

King Mob disse...

O bom ou mau gosto é muito discutível. É talvez como discutir o sexo dos anjos. E o pior é que muda com o tempo.

Se o cinema é a vida, então o cinema também é o mau gosto, por muito que não agrade a alguns. A sensibilidade humana é muito variada, e quem tem o direito de lhes negar a existência só porque os seus gostos não são iguais aos nossos?

Pessoas diferentes retiram coisas diferentes do mesmo filme. As mesmas pessoas retiram coisas diferentes do mesmo filme em diferentes alturas. Pessoas diferentes retiram as mesmas coisas de filmes diferentes. É assim na arte, como também na vida. Só porque não somos todos iguais não deixamos de ter o direito de existir. Com a arte o mesmo. O cinema também. Mesmo o mais ignóbil.

Cuidado portanto com o que pedes para o cinema. Demasiadas regras e bom-senso podem não levar ao cinema que mais aprecias, se não fores tu a decidires as regras. E provavelmente não conduzem à produção de obras originais que te encantem e maravilhem pela sua diferença.

Álvaro Martins disse...

King Mob, esse assunto dava muito pano p'ra mangas, se é que me percebes. E desculpa que te diga mas, além de inapropriado (pois não compreendes-te o que eu disse) é infrutífero. Claro que merdas como o Watchmen ou Avatar têm direito a existir (afinal são esses filmes que monopolizam o cinema em Hollywood, sendo portanto fundamentais), nunca afirmei o contrário. O que está em questão é a qualidade (e hoje em dia até à empresas disso), e o bom gosto tende a associar-se à qualidade. É isso que deve ser discutido. Respeito, nunca houve falta de respeito. Direito, claro que há direito, caso contrário não existiriam. Mas, assim como esses filmezitos têm direito a existir, também eu (e outros como eu) tenho direito a falar mal e criticar. Portanto, meu caro King Mob, como te disse, este assunto dava muito pano p'ra mangas e aqui não é o local nem a altura apropriada para o discutir. Porque vai muito mais além do cinema, vai até à personalidade da pessoa. E as coisas não são tão lineares como pensas.

Anónimo disse...

Brigazinha de gente arrogante sabem que opiniões de cada um se diferem,
chega a ser falta de respeito.

acho que deveriam ler mais sobre a psique humana.