12 de novembro de 2010

Metropolis (1927)


















Ao falar de Metropolis não podemos esquecer que é muito mais do que um simples filme de ficção-científica (embora o seja puramente). É como dizer que o Modern Times do Chaplin é uma simples comédia. Não, Metropolis assenta nessa visão futurista, mas traz inerente uma crítica mordaz ao Homem. Porque a divisão de classes que Lang idealiza para Metropolis é consequência do uso das tecnologias pela mão do Homem. Logo, o que Fritz Lang critica não é a tecnologia mas sim o Homem. E se Metropolis traz o futurismo, também é verdade que traz o primitivismo. A profetisa (Maria, nome bíblico) e a falsa profetisa (a mulher-máquina) a isso atestam, ao primitivismo das profecias. O mediador como metáfora urgente de Jesus Cristo, a Torre de Babel, a inundação na cidade dos operários. O primitivismo inerente ao Homem no passado, no presente e no futuro. A imutabilidade do ser humano. Porque o poder corrompe, porque a escravidão a essas profecias reclama.

11 comentários:

Roberto Simões disse...

O raio do filme é monumental. Não consigo deixar de estar curioso em ver a versão com os 25 minutos encontrados em 2008 na Argentina.

Cumps.
Roberto Simões
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João Palhares disse...

É brilhante e é primitivo e futurista, sim. Ficção científica não chega, obviamente, para descrever a sua imensa complexidade. A perseguição do cientista à Maria pode muito bem ter ajudado à cimentação do cinema de terror, as luzes e as sombras, o olhar amedontrado da brigite helm.
A nova versão ata todas as pontas soltas do argumento e dá relevo a um personagem que nas outras versões pouco aparecia...

Álvaro Martins disse...

Monumental é favor ;) é uma obra-prima com todas as letras. Eu também estou muito curioso nessa versão que falas.

Álvaro Martins disse...

Sim João, as sombras, afinal é um produto genuíno do expressionismo alemão. E estás de que personagem?

Álvaro Martins disse...

E estás a falar de que personagem?*

João Palhares disse...

"Fritz Heinrich Rasp (13 May 1891; Bayreuth – 30 November 1976; Gräfelfing) was a German film actor who appeared in 104 films between 1916 and 1976. His most notable roles were J.J. Peachum in The Threepenny Opera and "Der Schmale" (The Thin Man) in Fritz Lang's 1927 film Metropolis; many of the scenes in which he appears are part of the film's footage long believed lost until their recovery in 2008."

a side-story da perseguição do thin man ao frederson filho foi totalmente recuperada...

Álvaro Martins disse...

Ok. Obrigado pela informação João. Só falta é que saia essa versão cá em Portugal ;)

Rato disse...

Estão 3 versões previstas para sair na Amazon inglesa a 22 de Novembro - uma em DVD e duas em BLU-RAY. A "limited edition" neste último formato é obviamente a edição a ser encomendada.
Aqui fica o link

O Rato Cinéfilo

Flávio Gonçalves disse...

Estavam a dizer que ia estrear em sala de cinema... isso é que era!

Álvaro Martins disse...

Rato, obrigado pelo link.

Flávio, sim isso é que era :)

Manuela Coelho disse...

O filme é simplesmente magistral! Adoro.