17 de novembro de 2010

Irreversible (2002)









Irreversible é aquilo a que se chama um filme do caralho. A Noé bastava ter feito este filme para estar ao lado dos grandes (e eu ainda só vi mesmo este). Brutal.

18 comentários:

Flávio Gonçalves disse...

Finalmente o viste! Irreversível é uma inconveniente obra-prima, com todas as letras, Álvaro. E é incrível como o Noé, que é incrivelmente talentoso, se mantém fiel ao seu estilo, temas e questões ao longo dos seus trabalhos (aconselho-te veres o Carne e o Sozinho contra Todos). É pessimista, sim, mas tem algo a dizer. De novo, de importante. Adoro.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Sim, é brutal. Já o vi há muitos anos mas nunca me saiu da cabeça o longo plano fixo da violação ou a original história contada em fragmentos em flashback.

Álvaro Martins disse...

Flávio, obra-prima não direi mas é um grande filme sim (mas gosto mais de Dumont por exemplo). E o ser pessimista não é defeito ;) Tenho de ver esses tenho.

Victor, a mim ficou-me mais toda a cena do bar, a depravação, a decadência, a forma como filma e como usa o som, tudo. Mas a história contada em flashbacks não é original, o Nolan fê-lo no Memento, e já em 66 o Conrad Rooks o tinha feito com o Chappaqua (embora não na ordem cronológica inversa). Mas não deixa de ser um grande filme.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

A cena de violência que mais me impressionou de todo o filme nem é a cena da violação: é a cena do espancamento até à morte com o extintor! Está filmada sem cortes de montagem, com uma veracidade visual que aterroriza!

Álvaro Martins disse...

É isso Victor, mas o trabalho é espantoso desde que eles entram no bar.

Sam disse...

Visceral incondicional, sombrio. Mas mais importante, e numa palavra: único.

Ninguém fica igual depois de o ver.

Álvaro Martins disse...

Lá nisso tens razão, só ouve um filme que me deixou mais incomodado (porque a cena é no final e não no início como aqui), o Twentynine Palms do Dumont.

Sam disse...

Ui, Dumont... Para ver este e outros cineastas similares (ou seja, Noé, Breillat, Carax...), preciso de estar muito bem disposto! :)

São óptimos filmes, mas a minha aproximação ao cinema sempre foi emocional. Por isso, esta vertente do novo cinema francês consegue mesmo remexer-me a consciência...

P.S.: já antes reparara nos magníficos stills que acompanham os teus posts; print screen ou site específico?

Álvaro Martins disse...

Sim, convém estar bem disposto :) Carax também é muito bom, da Breillat nunca vi nada. Os stills depende, ou faço print screen quando é um plano que me agrada ou tiro-as do KG.

Já agora, como é que pões em itálico. Diz-me sempre que a tag não está fechada.

Sam disse...

A Breillat vale, a meu ver, por dois filmes: ROMANCE e PARA A MINHA IRMÃ. O resto tem sido "mais do mesmo"...

Para fechares a tag, coloca um / antes do i. Verás como já dá :)

Cumps cinéfilos.

Álvaro Martins disse...

Ok obrigado.

Neuroticon disse...

O filme é perfeito, lembro-me perfeitamente da primeira vez que o vi, algures em 2003, num domingo de manhã... acho que já nem almocei :)

Agora tens de ver urgentemente o Carne, e o Seul Contre Touts e por esta ordem ;)

LN disse...

O Seul contre Tous é, de longe, o melhor filme do Noé; é bastante bom, e tenho a certeza que vais adorar, bem mais do que este kitty armado em violento; tem mais do gene do nosso Dumont ;)

(apesar de ainda não ter visto o Enter The Void, o último).

Este, é giro. Há para ali muita pretensão.

Álvaro Martins disse...

Neuroticon, por acaso não acho que seja perfeito mas é um grande filme. Verei esses sim ;)

LN, sim, há alguma, e sobretudo alguma incoerência na forma de filmar. Por isso (e por alguns diálogos desnecessários) não chega à tal perfeição. Mas é um grande filme. Do Dumont estou ansioso por ver o último mas está difícil arranjar legendas. Welcome back ;)

DiogoF. disse...

Extraordinário. É tão cruel e tão revoltante e isso é tão bem feito, de forma tão aflitiva, que nos torna tão impotentes. Senti que o facto de o filme ir andando em "reverse" só serve para aumentar, a cada passo, a nossa vontade de ir directos para o presente, ajudar aquelas personagens, enquanto que o que nos acontece é ir vendo as suas vidas cada vez mais compostas, cada vez melhores, precisamente ao contrário daquilo em que se vão tornar. Pobre ilusão em que eles vivem, e nós não os podemos ajudar. Pobre ilusão em que nós vivemos e ninguém nos pode ajudar.

Flávio Gonçalves disse...

Já tinha conversado com algumas pessoas sobre isto, mas, Álvaro, reparaste que o homem do extintor foi tomado por engano, já que não é o da violação?

Álvaro Martins disse...

Reparei Flávio, o violador é o que está ao lado, o que depois fica a olhar e a rir-se.

DiogoF. disse...

E isso é parte da raiva que o filme transmite