7 de outubro de 2010

Vivre Sa Vie: Film en Douze Tableaux (1962)














Ontem revi Vivre Sa Vie e, mais uma vez, chega a cena do filme do Dreyer e é como se não existisse mais nada para além de nós e o filme (e o filme dentro do filme). Arrebatador. Karina é a grande causadora dessa sensação que essa cena transmite, as suas lágrimas, a sua dor que, embora desconhecida até a esse momento, se torna similar e compatível com a de Falconetti. O mundo do cinema que a prende (ficamos depois a saber). Mas o laço que une Karina com Falconetti é mais do que essa dor surda e muda que cada uma transporta, é a tragédia que cada uma (por razões diferentes) enfrenta. São os sonhos perdidos de Karina e os credos de Falconetti. Porque além de toda a incomunicabilidade na qual o filme se debruça (e da qual resulta todo o trajecto e destino de Nana), é curioso ver que Godard “põe tudo no mesmo saco”, ou seja, fala da mulher e não da puta ou da santa. Não sei se me faço entender…
Bem, hoje é a vez do Le Petit Soldat que nunca vi.

3 comentários:

Pedro Teixeira disse...

Imagens de uma beleza arrebatadora. Acho que este foi o filme do Godard que mais me maravilhou com o seu visual. O preto e branco, quando bem aproveitado, tem algo de mágico... E a dupla Godard/Coutard não podia tê-lo provado de melhor forma.

A interpretação da Anna Karina é a melhor que conheço da sua parte (falta-me ver o "Made in USA" e "Le Petit Soldat"). E é neste filme que a relação Karina/JLG se torna mais notória para o espectador, começando no facto da câmara parecer não a conseguir "largar". :)

Beatrix Kiddo disse...

quero ver esse filme La passion de Jeanne d'Arc ouço falar maravilhas

Neuroticon disse...

Vi ontem e é brilhante (como tudo o que vi de JLG)
A homenagem a Dreyer funciona de forma belíssima no filme!