12 de julho de 2011

Como é que alguém que goste minimamente de cinema (cinema e não fantochadas), e deste alguém retiremos as crianças e aqueles que se assemelham às crianças, pode ir a uma sala de cinema nesta cidade? Como é possível que haja únicamente este tipo de oferta cinematográfica numa cidade (se falássemos numa vila ainda se aceitava mas uma cidade!!!)?
E depois ainda me vêm falar de downloads ilegais e merdas dessas! Como é que eu (e outros tantos como eu), inserido neste meio urbano onde as salas de cinema me oferecem únicamente este tipo de cinema (ainda tinha ilusões de ver aqui o novo Malick mas começo a desconfiar que nem isso seja possível), posso ver cinema sem recorrer à internet? Não posso porque não tenho alternativa.
Portanto, quando as salas de cinema da minha cidade (e cada um fala do que lhe dói, ou seja, cada um fala da sua) me oferecerem a qualidade cinematográfica (ou resquícios dela) que procuro e consigo encontrar na internet, nesse dia falaremos em ilegalidades e em moralidades inerentes. Até porque ilegal devia ser esta merda destas ofertas cinematográficas a alienar e a passar um atestado de burrice às pessoas.

6 comentários:

Mariana disse...

Parece que essa indigência é mal de toda parte. Veja aqui no Rio:

http://guiadecidades.terra.com.br/c/en/rio-de-janeiro

Dizem que o último Woody Allen está bom (o tal "Meia-Noite em Paris"). Da última vez que dei ouvidos a isso, sai do cinema bastante frustrada.

Flávio Gonçalves disse...

É realmente criminoso que a oferta cultural se limite a isto em certos pontos do país. Por parte do Governo, e não das exibidoras privadas, porque a elas interessa-lhes ganhar dinheiro, e queixar sobre isso parece escusado.

Não existe nenhum cine-clube em Bragança? Na rede de cineclubes de Gaia (onde vivia) os filmes que estreavam iam invariavelmente lá ter, passados uns meses.

Enaldo disse...

Não sei como é em Portugal, mas realmente o período de férias escolares (julho e janeiro) nos deixa muito sem opções, aqui no Brasil. Quase que somente blockbusters e filmes para a petizada. Lá vão os papais e mamães gastar mais de cem reais (quarenta euros) com MacDonalds e que tais para levar os filhotes às salas de shopping center.

É difícil encontrar um filme que seja que nos motive sair de casa e enfrentar um cinema.

Concordo com o que disseste, a indútria é co-responsável pela pirataria.

Mas eu penso que o público de São Paulo, Rio de Janeiro e algumas poucas capitais consegue uma alternativa nos festivais temáticos. A minha cidade é média (500 mil habitantes), os filmes asiáticos e europeus não ficam mais de uma semana em cartaz.

Frequentemente sou o único pagante na última sessão, o que não está a ser mal, dado o total silêncio :-)

Sam disse...

E veja-se Ponta Delgada, nos Açores (onde vivo): http://www.castellolopescinemas.com/site/cinemas.php

Não há um cineclube na cidade/região em que resides? Cada vez mais são uma (óptima!) escapatória ao "rolo compressor" de qualidade cinematográfica dos multiplexes...

Álvaro Martins disse...

Não Flávio, isto é completamente alheio ao cinema, estes cinemas que estão num shopping (ou o que se lhe assemelhe) são os únicos aqui em Bragança, pelo menos que seja do meu conhecimento não há mais, e ainda por cima este cartaz está assim com esta qualidade o ano inteiro. A minha formação cinéfila (ou o que se lhe queira chamar) foi feita na rtp2 e posteriormente na internet (onde realmente se expandiu brutalmente), isto porque sempre me lembro (e já abriram uns e fecharam outros) de ver este tipo de filmes constantemente nos cartazes de cá, invariavelmente chegam tambéns alguns oscarizados ou nomeados, mas pouca coisa e coisa que também pouco mais interessa. Em Portugal centra-se muito o cinema e não só, toda a cultura se centra muito nos grandes centros (Lisboa Porto e pouco mais).

Mariana disse...

Álvaro, retorno aqui para dizer que encontrei esta matéria, com alguns links que parecem interessantes. Talvez você já conheça. Neste caso é só desconsiderar.

http://webinsider.uol.com.br/2011/07/08/filmes-antigos-para-download-legal-e-gratuito/