2 de julho de 2011

9 comentários:

Luís Mendonça disse...

concordo, sobretudo, no ponto 3, no qual, de facto, João Lopes é uma ilha no panorama televisivo nacional - ainda que pertença a um programa que perpetua esse discurso simplório, essa visão formatada do cinema como uma espécie de "corrida publicitária" aos Óscares e ao boxoffice.

Álvaro Martins disse...

"ainda que pertença a um programa que perpetua esse discurso simplório, essa visão formatada do cinema como uma espécie de "corrida publicitária" aos Óscares e ao boxoffice." é isso mesmo Luís.

Enaldo disse...

Nenhuma razão ao texto, chega de catastrofismo:

1 - Disseram que o rádio era a morte do jornal;

2 - Previram a morte do rádio com a televisão;

3 - Previram a morte do cinema com o videocassette;

4 - Previram a morte do livro e do jornal impresso com a internet e o e-book.

Há mais de trinta anos que ouço previsões sofre o fim disto ou daquilo.

O cinema não chegará ao fim.

Mas vossas vidas, sim.

Aos mais jovens do que eu,só uma sugestão: não caiam mesta. Chega de catastrofismo.

Flávio Gonçalves disse...

Absolutamente certeiro naquilo que diz. E ainda fizeram um escândalo em defesa do Transformers, insultando o João Lopes. Incomodados, porque o que ele diz é verdade.

Álvaro Martins disse...

Enaldo, não se tratam de catastrofismos, trata-se da realidade, do que acontece na generalidade mundial, isto é, claro que (penso eu!) o João Lopes não augura ou profetiza a morte do cinema. Claro que o cinema nunca morrerá (ou se morrer será daqui a muitos anos). O que se trata aqui é da banalização do cinema e da forma de fazer cinema e da forma de ver cinema etc etc etc. O que se trata aqui é da educação do espectador cinematográfico e da (des)culturalização do cinema. O que se trata aqui é da ridicularização a que o cinema é lançado hoje em dia com tamanhos blockbusters, o que se traduz numa morte lenta, ou se lhe quiseres chamar uma deturpação catastrófica (aqui sim), daquilo que é o cinema, ou seja, (e de acordo com o terceiro ponto) a redução ou mutação do cinema "a um fenómeno anedótico e pitoresco, apenas caracterizado pela acumulação arbitrária de efeitos especiais."

João Gonçalves disse...

Concordo com tudo o que ele escreveu.

My One Thousand Movies disse...

Igualmente. Concordo com tudo o que o João Lopes diz, sem tirar nem pôr nada.
É contra isso que luto com o meu blog, para mostrar ás pessoas que o cinema é muito mais do que aquilo que lhes metem à frente.
O cinema tem mais de 100 anos, e já teve muito melhores dias.

Enaldo disse...

Respeito e entendo o ponto de vista de todos vocês. A mediocridade da cultura fast-food muito me amargura e sempre me dificultou estabelecer novas amizades. Mas asseguro-lhes: também assim o pensava há cerca de vinte anos atrás. Na década de setenta já se falava que o cinema de outrora era de melhor qualidade. Mas na década de trinta já se lamentava o fim do cinema mudo. A crença em uma "idade de ouro" e em um apocalipse regenerador tem mais raízes antropológicas e psicológicas do que na realidade objectiva.

A luta de vossos blogues por um cinema - e por uma estética - de qualidade - é a prova de que a alienação, a banalização, a massificação, a standarização, etc., da cultura não logra todos os efeitos maléficos a que lhe são atribuídos.

É inevitável que a liberdade permita a inteligência de obter o seu cantinho.

Em suma: Walter Benjamin, Derrida e outros foram por demais pessimistas.

Um grande abraço a todos, é sempre um prazer conversar com quem ama o (bom) cinema.

Álvaro Martins disse...

Compreendo e aceito embora pense que não podemos comparar a degradação qualitativa e cultural que o cinema sofre actualmente com toda a banalização em que os aspectos técnicos e visuais contribuem para essa degradação cinematográfica com épocas anteriores. A verdade é que o cinema nunca foi tão deturpado e ridicularizado, e isso é que nos preocupa.

Um abraço também para ti e é também com grande prazer que alimento estas discussões salutares sobre o bom cinema :)