17 de fevereiro de 2011

All Quiet on the Western Front (1930)
Lewis Milestone

Coisa tão descrente na pátria é rara, tão ilógica e tão céptica ou desprovida de qualquer ideia de patriotismo ou de orgulho em morrer pela nação. All Quiet on the Western Front é a rejeição total de tal ideia, é o desbravamento súbito do ser humano, a mais pura mensagem anti-guerra e anti-patriótica que um filme já transmitiu, a desmitificação dos heróis da guerra, a exacerbada desumanização do ser humano e da guerra. Milestone filmou (e filmou como um dos grandes, com closes ups audazes para a época, com enquadramentos e movimentos de câmara e planos brilhantes e com uma qualidade de som brutal quando este era ainda coisa recente) acima de qualquer ideia de crítica à guerra ou à sua futilidade uma mesma desmitificação ou dispersão de valores éticos e morais inerentes à pátria e aos deveres do indivíduo para com esta e ultrapassou qualquer farsa ou ilusão sobre orgulhos ou honras do ser humano ou do soldado. Tudo tão intenso a remeter para o valor da vida ou para a sobrevivência, tudo tão contra as legitimidades da/para a guerra, tudo tão negro no conceito do ser humano e na sua relação com esta, tudo tão trágico não só resultante da presença da morte e da guerra como também da ideia da irracionalidade do ser. Porque nada nem ninguém tem legitimidade para criar a guerra, para disseminar essa destruição e devastação pelo mundo. Tudo é inútil, tudo é irracional. E morrer pela pátria é só uma perfeita estupidez.

3 comentários:

Enaldo disse...

Que filmaço. Há quinze anos descrevo a sua cena da sala de aula para os meus alunos.

Rato disse...

Bom filme, sem dúvida. No género existe outra obra de grande fôlego, que não sei se conheces: "Tempo Para Amar e Tempo Para Morrer" (1958), do Douglas Sirk. Um "must"!

Álvaro Martins disse...

Não Rato, nunca vi (aliás ainda me faltam ver muitos filmes de Sirk, uma das falhas a colmatar seguramente) mas sei que também é baseado num romance do mesmo escritor.