7 de abril de 2010

Paha Maa (2005)

Paha Maa é um filme limitado, de altos e baixos. Tudo num estilo meio Tarr, meio Kaurismäki. Mas sempre adoptando os estilos ao seu estilo. O cinema dos Dardenne é também influência, mas aqui mais do que nos outros casos Louhimies desvia essa influência, tenta filmar como eles, tenta trazer algo do Dogma 95 mas cria o seu ritmo, mais lento, mais à Tarr. E Tarkovsky vem também à memória, porque o finlandês cria um cinema sensorial, contemplativo, cuidado, tanto visualmente como sonoramente. Ou seja, ele mistura todas essas influências e cria um filme frio ainda que nalguns momentos “aqueça” (álcool, sexo), calculista (o próprio argumento prova esse calculismo). A história, baseada no conto de Tolstoy, Faux Billet (o mesmo no qual L’Argent do Bresson se baseia) vagueia por aquela localidade gélida, pelas vidas daquelas personagens (e é isso que me agrada no filme), pela violência, pela delinquência, pelo alcoolismo, pela depressão, pelo desemprego, pela toxicodependência, pela tragédia que se vai adivinhando desde que o pai de Niko é despedido (embora seja o melhor professor da escola). E aqui o filme falha, na fuga persistente a uma temática (ora se cola ao neo-realismo, ora foge para o filme policial), na estrutura narrativa que foge à linearidade lembrando 21 Grams. Mas Louhimies faz um filme humano, demasiado humano. Negro não só naquele desencadear de acontecimentos e coincidências, mas também no ambiente, na fotografia (fantástica), no espaço. E Paha Maa é filme de vingança, da procura num bem-estar que poderá advir do mal-estar do próximo. O caos humano sempre presente. Frio e negro sobretudo. Bom filme.

3 comentários:

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Não conhecia. Onde se arranja?

Álvaro Martins disse...

Vai aqui:
http://cine-anarquia.blogspot.com/search?q=paha+maa

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Obrigado ;)