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19 de maio de 2011

Ao ver isto é caso para perguntar ao palhacinho Se não fosses parvinho que é que gostavas de ser?

16 de maio de 2011

E enquanto anda tudo com altas expectativas para o novo filme do Malick (não que eu não as tenha também), as minhas vão principalmente para o Le gamin au vélo dos Dardenne e, claro, para o novo do Dumont...e o Kaurismäki também lá anda!

24 de maio de 2009

E Cannes encerrou

E a Palma de Ouro sempre foi para Haneke com o seu “Das Weisse Band”. Era o grande favorito e, portanto, não há surpresas nesta edição do Festival de Cannes. Além da Palma de Ouro, Michael Haneke arrecadou também a Menção Honrosa. “Antichrist” de Lars von Trier ganhou apenas o Prémio de Melhor Actriz e o mesmo sucedeu a Tarantino que viu o seu “Inglourious Basterds” ser premiado somente com o Prémio de Melhor Actor. Brillante Mendoza agradou e de que maneira ao júri com o seu “Kinatay” que o premiou com o galardão de Melhor Realizador. O Grande Prémio do Júri foi entregue a Jacques Audiard pelo seu “Un Prophète”. Alain Resnais saiu de Cannes com o Prémio Excepcional. E o português João Salaviza, um estreante em Cannes, conquistou o prémio de Melhor Curta-Metragem pelo seu “Arena”. Sendo assim, Salaviza foi o único português a sair de Cannes com um prémio, o que não aconteceu com João Pedro Rodrigues que competia com o seu “Morrer como um Homem” na secção Un Certain Regard, Pedro Costa com “Ne Change Rien" e João Nicolau com "Canção de Amor e Saúde", ambos na Quinzena dos Realizadores e Mónica Baptista com o seu "Territórios" concorrente na Semana da Crítica.

Vencedores

Palma de Ouro
“Das Weisse Band” de Michael Haneke

Grande Prémio do Júri
“Un Prophète” de Jacques Audiard

Melhor Actor
Christoph Waltz por "Inglourious Basterds"

Melhor Actriz
Charlotte Gainsbourg por "Antichrist"

Melhor Realizador
Brillante Mendoza por “Kinatay”

Melhor Argumento
Lou Ye por “Chun Feng Chen Zui de ye Wan”

Prémio do Júri
“Bak-jwi” de Park Chan-wook e “Fish Tank” de Andrea Arnold

Prémio Excepcional
Alain Resnais

Câmara de Ouro (Melhor Primeiro Filme)
"Samson and Delilah" de Warwick Thornton

Melhor Curta-Metragem
"Arena" de João Salaviza

Competição "Un Certain Regard"
“Kynodontas” de Yorgos Lanthimos

Prémio do Júri - "Un Certain Regard"
“Politist, Adjectiv” de Corneliu Porumboiu

Menção Honrosa
Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh” de Bahman Ghobadi e “Le Père des Mes Enfants” de Mia Hansen-Love

Prémio da Quinzena de Realizadores – Melhor Filme
“Amreeka" de Cherien Dabis

Prémio do Júri Ecuménico
“Looking for Eric” de Ken Loach

Menção Honrosa
“Das Weisse Band” de Michael Haneke

21 de maio de 2009

Tarantino e Resnais em Cannes

"Inglourious Basterds" foi finalmente apresentado em Cannes. Quentin Tarantino, ao que parece, frisou "There's no place like Cannes para os realizadores à face da Terra", lá nisso tem razão, e continuou dizendo que não se assume como realizador americano "mas como realizador de filmes para todo o planeta".

Vasco Câmara, do Público, escreve ainda assim sobre "Inglourious Basterds": "Inglourious Basterds é o tal projecto que Tarantino andou a escrever durante oito anos. Seria, supostamente, um remake do filme de Enzo Castellari, de 1978, Inglourious Bastards, que para Quentin faz figura de emblema de um subgénero dentro do género filme de guerra: o bunch of guys in a mission movie, o "filme de um grupo em missão". Na verdade, o filme de Tarantino não é um remake. É outra a sua natureza. Não é por acaso que o título do filme de Castellari se refere aos bastards e o de Tarantino aos basterds. Não há gralha. É o preciosismo (mais disto à frente...) que faz a diferença: Tarantino recria não um filme, mas uma ideia de cinema e de género. Onde cabem - funciona assim com ele - todos os filmes em potência.
Cada segmento de Inglourious Basterds - ou deveríamos falar em "capítulos", como num romance? - é escrito, desenvolvido, filmado, montado como um filme autónomo, ou com potencial, de personagens, de narrativa, para se desenvolver como um filme autónomo. Cada um expondo e revelando ao que vem como quem abre uma caixa de surpresas. E assim passamos de capítulo em capítulo, de golpe de teatro em golpe de teatro, numa progressão a que só não sucumbimos exaustos porque Quentin é mais caloroso do que exibicionista e filma com papel e caneta, como quem escreve o seu romance. Contagiante e inteligente espectáculo este. Que, em vez de ser espectáculo da acção, é espectáculo da palavra. Os diálogos e as legendas são a matéria do drama, a matéria com que se faz a II Guerra em Inglourious Basterds. Que é um filme falado tanto em francês como em alemão, como em inglês. Onde quem sabe as línguas todas está em condições de dominar (mas tanta legendagem complicará a vida aos americanos, isso é mais que certo)."

Ou seja, Vasco Câmara fala muito bem do último Tarantino. Confesso que estava um tanto céptico quanto a este "Inglourious Basterds", mas sendo assim, e esperemos mais opiniões, fico ainda mais curioso e expectante.

Para rematar, o crítico do Público escreve: "E agora, uma frequently asked question de 2009: porque é que bastards deu em basterds, qual é a coisa do "e"? "É um floreado artístico que não posso explicar. Jean-Michel Basquiat tirou um L da palavra Hotel e colocou-o num quadro seu. Se ele fosse a explicar porque é que fez isso..." Não é preciso dizer mais..."


E se por um lado temos Tarantino, um dos nomes mais sonantes do "novo cinema", por outro temos um vanguardista, um nome aclamado e respeitado na história do cinema, um senhor que pisou pela primeira vez Cannes há 50 anos, Alain Resnais. "Les Herbes Folles" é o seu novo trabalho e ao que parece, traz um Resnais actual.

Mais uma vez, Vasco Câmara diz: "Pelo contrário, é muito mal educado, porque é inclassificável, Les Herbes Folles, de Alain Resnais, (...) Mas Alain Resnais é um cineasta de hoje. Com os seus actores habituais (Sabine Azéma e André Dussolier) a liderarem um cast onde está uma outra geração de intérpretes franceses, como Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric ou Sarah Forestier, e sempre a partir de um material dramatúrgico, quer seja romance ou peça de teatro, que não tem problemas em habitar zonas contíguas aos encontros/desencontros da comédia de boulevard, Resnais filma a formação (e aniquilação violenta) de um par.
O acaso, o roubo de uma carteira, coloca Azéma e Dussolier, que tudo, até a idade, indicaria estarem sentimentalmente "arrumados", em rota de colisão (é literal, a comédia vira tragédia). Como se seguisse um fio em que a loucura se vai improvisando, à imagem da vegetação que teima em crescer, espontaneamente, nas fendas do cimento, Resnais segue essa história de desordem - como lhe chamar: de amor? Resnais escreve, pinta e gesticula com o seu cinema, com a sua câmara. Faz teatro, faz filme caseiro e faz produção da Hollywood clássica, simulando "happy ends" sinfónicos. Faz um filme não domesticado, selvagem."

E dito isto, o que esperar? Resnais é Resnais e confesso que dou preferência a este em detrimento de Tarantino.

19 de maio de 2009

E eis que surge um filipino

"É para já a obra maior da competição de Cannes: "Kinatay", do filipino Brillante Mendoza. Uma viagem ao fim da noite de Manila que nos faz cúmplices de uma barbaridade.

Um susto de filme. Como quem não quer a coisa, pega no espectador mais ou menos desprevenido, mais ou menos inocente - porque nunca se é, completamente - e leva-o pela noite dentro até ao fim da noite. Não há forma de abandonar a viagem, mesmo quando começamos a encontrar na escuridão os contornos da brutalidade. Estamos encurralados na passividade do "voyeurismo". E mesmo que acabemos a viagem razoavelmente imaculados, seguros - porque nunca saímos assim, completamente, de um filme -, nunca nada vai ser igual. É essa a experiência do espectador de "Kinatay", do filipino Brillante Mendoza, obra brutal, para já o filme maior da competição de Cannes. Nada vai ser igual a partir de agora em relação ao cinema de Mendoza, o que não é nada que estivéssemos a pedir, um momento de epifania com a obra deste realizador de 49 anos que começou a fazer filmes há cinco, vindo da publicidade e do teatro, e que esteve em concurso em Cannes o ano passado com "Serbis".

Essa viagem do espectador pelo horror é a viagem do protagonista de "Kinatay" - em filipino, "Chacina". Um estudante na academia de polícia de Manila, já com um filho e um casamento na linha do horizonte mais próximo - e Manila amanhece no início de "Kinatay" - não se pode dar ao luxo de prescindir de fazer trabalhinhos por fora, de pactuar, despreocupadamente, com o "milieu" da droga. Nada que afecte o seu projecto de inocência.

Até que entra numa carrinha - começa a anoitecer em Manila -, onde vai passar grande parte desta viagem. Ao lado destes "gangsters" aparentemente de trazer por casa e de uma prostituta que não cumpriu as suas obrigações. Já é noite em Manila quando a carrinha, o aprendiz, os gangters e a prostituta (desmaiou devido aos murros) chegam a uma casa. Aí o serviço vai ser completo - o título do filme é "Chacina".

Começa a amanhecer em Manila quando um estudante da academia de polícia regressa a casa, exausto. Adormece no táxi. É manhã em Manila.

Não há elipses assim em "Kinatay". Como se tinha percebido pela forma como a câmara do realizador percorria um cinema porno no anterior "Serbis" (a Lusomundo não vai exibir comercialmente esse filme em Portugal, lança-o directamente em DVD, com o título "Serviços"), Mendoza faz todo o caminho e vai até ao fim. "Kinatay" é uma extraordinária experiência do tempo: deixa-nos a sensação de filme em plano único, que vai incorporando a mudança ao longo do caminho, que se vai transformando - do dia para a noite, literalmente, depois outra vez para o dia. É uma angustiante experiência com o espaço: em grande parte do filme estamos dentro de uma carrinha; em outra grande parte estamos dentro de uma casa vazia, tacteamos a escuridão, com os gritos em fundo.

Se alguém filmasse no escuro o espectador de "Kinatay", como seria a sua expressão de rosto? Insondável, ambígua, culpada e inocente como está no rosto de um cadete da polícia?

"As pessoas podem ver um filme de terror e até ficarem assustadas. Mas eu não queria que as pessoas vissem o meu filme. Eu queria que as pessoas experimentassem o meu filme. Nas Filipinas, é comum esses casos de massacres e depois aparecerem os corpos. Lê-se nos jornais, mostram na televisão. Mas as pessoas já não sentem nada. É ''entertainment'. Eu quis que as pessoas sentissem que não é ''entertainment'", disse o brilhante Brillante Mendoza, é favor fixar este nome.

É uma viagem a que não se diz não a de "No One Knows about Persian Cats", do curdo, iraniano Bahman Ghobadi (Un Certain Regard). O título, explicou o realizador, refere-se ao facto de os gatos, e em geral os animais domésticos, não estarem autrorizados a passearem com os seus donos nas ruas de Teerão. Vivem "indoors". Assim também ninguém sabe o que se passa no "underground" da capital iraniana, em que se toca rock, heavy metal e hip hop, música que as autoridades consideram "impura" e que proibiram. Ghobadi, deprimido com a sorte reservada para os seus filmes (não estreiam, estão proibidos, ficam invisíveis), lançou-se numa espécie de catarse: tendo conhecido um casal de músicos, acabados de sair da prisão (por serem músicos) mas nada derrotados em relação ao desejo de conseguirem um visto e um passaporte que os permita tocar em festivais internacionais, montou, em 15 dias, improvisando um argumento, jogando às escondidas com a polícia, um "falso documentário". Isto é: é tudo verdade, as histórias que se contam, as pessoas que participam no filme (aconteceu-lhes a elas), e é tudo recriado. Com um indesmentível orgulho - mostrar a energia de uma cidade que se aloja nas caves, que está escondida nas casas - e com uma não menos indisfarçável tristeza. E "No One Knows about Persian Cats" é já um dos títulos acarinhados do festival. Mas é preciso dizer que, até pelas condições de rodagem e pela forma como lida com a ambiguidade do formato, essa existência da ficção como documentário e vice-versa, o filme tem a insustentável leveza de um guia turístico. Mesmo que seja pelo "underground"."

Vasco Câmara (Público)


E assim cá fico à espera deste "Kinatay".

Estreou Looking for Eric em Cannes

"Looking for Eric", o mais recente trabalho de Ken Loach, realizador britânico pelo qual nutro grande admiração, foi ontem apresentado em Cannes.

Vasco Câmara, crítico e enviado do Público a Cannes dizia assim: "Cantona é Cantona em Looking for Eric: um anjo da guarda que se materializa a um fã charrado e a quem vai servir de personal trainer existencial. (...) Ao longo do filme há duas ou três sessões de charros e de aconselhamento e auto-confiança. O resto é a relojoaria habitual de Loach, gente com problemas, meio proletário, só que desta vez em registo feel good movie.
O realizador defende que "uma comédia é uma tragédia com happy ending", e admite que quis, depois de uma série de obras "duras", fazer algo que pusesse "um sorriso na cara das pessoas". "

Sendo assim, parece-me que teremos aqui um filme bem diferente daquilo a que Ken Loach nos habituou. Eu gosto da "relojoaria habitual de Loach", por isso não sei se irei gostar tanto deste "Looking for Eric".

15 de maio de 2009

Tetro apresentado em Cannes

Estreou o tão esperado Tetro de Francis Ford Coppola na sessão de abertura da Quinzena dos Realizadores em Cannes.

Na página 10 do P2, a letras garrafais e bem gordas, diz assim: “Condenados a querer encontrar o mito, eis apenas Francis Ford Coppola”.
Vasco Câmara continua dizendo: “É uma experiência de frustração, sentimento de perda (não encontramos as razões do mito, testemunhamos impotência de concretização, cansaço). É um filme que foge, que se escapa a sê-lo. Que ao ser operático mais vinca o rigor mortis. Que oscila entre uma teatralidade que se quer mostrar clássica, um back to basics a preto e branco – mas é um exercício escolar, esventrado de energia, serôdio – e irrupções de onirismo e cor que não transcendem o kitsch….
Não é exercício de adivinhação: quem foi aplaudido no palco da Quinzena dos Realizadores foi, ainda, o mito. Por mais que o cineasta independente renascido e autor de pequenos filmes queira fugir dele.”

Resta-nos esperar para ver o filme e tirar as nossas próprias conclusões. Mas a verdade é que não espero muito do filme embora esteja bastante curioso.