24 de julho de 2010

The Ghost Writer (2010)

Vi ontem o novo filme do Polanski e lembrei-me da crítica do MJT e do quanto acertada me pareceu. Ora vamos lá ver, é puro divertimento como diz o MJT, mas é bem feito. Há Hitchcock em toda a parte, há Tourneur, há Preminger, há Wilder. Talvez se possa dizer que Polanski está “americanado”. Sim, isso realmente é verdade. Mas nem sempre o “americanado” é sinónimo de mau. E este “americanado” de Polanski já há muito que por si foi adquirido (desde os tempos de Rosemary’s Baby). E talvez por isso me tenha agradado (o quanto baste) The Ghost Writer, por seguir na linha do seu “americanismo”, mas ser tudo o que MJT disse, por invocar o noir num thriller mirabolante. Aliás, tanto o noir como o thriller a isso reclamam, ao “americanismo”. Gostei sobretudo do ambiente cinzento naquela praia, da originalidade de alguns pormenores, mais do que a frieza e o leve escuro daquela casa gostei do tom negro do hotel. Mas há falhas. E a grande falha é a ausência (ou quase ausência) de um obscurantismo naquela casa e, essencialmente, na personagem de Brosnan (nunca gostei do tipo). Porque tudo parece falso, porque não há aí uma interpretação ao nível do que se exigia e, porque não há profundidade nessa personagem. E quanto a clichés, se os há (e há alguns) o Polanski soube-os camuflar. The Ghost Writer é sem dúvida um bom filme, mas, cada vez mais acredito que dificilmente voltará a fazer um filme como Cul-de-Sac ou Repulsion.

10 comentários:

João Gonçalves disse...

Não estava à espera que fosses gostar tanto.
Concordo com tudo o que disseste já agora.
Grande selecção de imagens (mais uma vez), bem apanhado!

Álvaro Martins disse...

Nem eu João ;) Obrigado.

LN disse...

Então mas ninguém fala do Chinatown, de longe, o melhor filme do homem?

:)

Carlos Natálio disse...

Na minha opinião, o argumento é desinterassantíssimo e a direcção de actores uma nulidade. Eu acho que só o Ewan Macgregor tenta e tenta e acaba por conseguir passar-nos qualquer coisa daquela personagem. B Revi o "Frantic" e o "Chinatown", há coisa de uma semana, para falarmos de thrillers e a diferença é abismal. astante fraco, "The Ghost Writer". Aquele plano final é tão previsível... Bom, I rest my case.

Álvaro Martins disse...

Diogo, não calhou eheh :) Mas não acho que seja o melhor filme dele. É o melhor neste género, no noir, mas o melhor filme dele para mim é o Cul-de-Sac.

Carlos, estamos em desacordo então. Concordo que o Frantic e o Chinatown são melhores, muito melhores. Eu frisei que tinha falhas e por isso se cinje a ser um bom filme. Mas não acho fraco, bem pelo contrário. O argumento é tudo menos desinterassantíssimo ;) mas concordo que o McGregor é o único a actuar por assim dizer e com o facto de o final ser previsível. Opiniões :)

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Quero ver brevemente. Do Polanski pouca gente fala das curtas-metragens que ele fez ainda antes do Cul-de-Sac. São brilhantes!

LN disse...

Desconheço o Cul-de-Sac, claro que dizer que o Chinatown é o melhor dele, era uma forma de hiperbolizar a graça da coisa, até porque, de Polanski, não conheço assim tanto da filmografia do homem. Conheço os grandes títulos, os clássicos. Provavelmente será um cineasta que me surpreenda num registo mais «interior», já que nos que, bafejo da sorte, se vieram a tornar «clássicos», é claramente um tipo dotado artísticamente.

O Chinatown, foda-se, que pérola.

Álvaro Martins disse...

Sim, o Chinatown é uma pérola mesmo. Não só por todo o ambiente, por toda a mestria em filmar e conduzir uma história policial, mas também pelo Nicholson e pela Faye Dunaway. Vê o Cul-de-Sac e depois diz-me o que achas ;) e o Repulsion se ainda não viste. P'ra mim são os melhores filmes do homem.

Neuroticon disse...

Os meus 2 preferidos dele são mesmo o Repulsion e o Rosemary's Baby!
Hoje se calhar preferia o Repulsion, mas amanhã a coisa poderia ser diferente...

O Chinatown é muito bom a todos os níveis, é inegavel. No entanto, não me bateu daquela maneira, nem me cativou tanto quanto a loucura mostrada nos 2 títulos que referi atras.

Depois disso vi pouco, Tess há muitos anos (bastante subvalorizado) e O Pianista (um tanto sobrevalorizado)

Álvaro Martins disse...

Gosto muito do Tess e sim é muito subvalorizado. O Pianista acho que nem é subvalorizado nem sobrevalorizado, acho que lhe dão o devido mérito. É um bom filme sobre o holocausto, acho-o muito similar ao Schindler's List por exemplo.