



Vi ontem o novo filme do Polanski e lembrei-me da crítica do MJT e do quanto acertada me pareceu. Ora vamos lá ver, é puro divertimento como diz o MJT, mas é bem feito. Há Hitchcock em toda a parte, há Tourneur, há Preminger, há Wilder. Talvez se possa dizer que Polanski está “americanado”. Sim, isso realmente é verdade. Mas nem sempre o “americanado” é sinónimo de mau. E este “americanado” de Polanski já há muito que por si foi adquirido (desde os tempos de Rosemary’s Baby). E talvez por isso me tenha agradado (o quanto baste) The Ghost Writer, por seguir na linha do seu “americanismo”, mas ser tudo o que MJT disse, por invocar o noir num thriller mirabolante. Aliás, tanto o noir como o thriller a isso reclamam, ao “americanismo”. Gostei sobretudo do ambiente cinzento naquela praia, da originalidade de alguns pormenores, mais do que a frieza e o leve escuro daquela casa gostei do tom negro do hotel. Mas há falhas. E a grande falha é a ausência (ou quase ausência) de um obscurantismo naquela casa e, essencialmente, na personagem de Brosnan (nunca gostei do tipo). Porque tudo parece falso, porque não há aí uma interpretação ao nível do que se exigia e, porque não há profundidade nessa personagem. E quanto a clichés, se os há (e há alguns) o Polanski soube-os camuflar. The Ghost Writer é sem dúvida um bom filme, mas, cada vez mais acredito que dificilmente voltará a fazer um filme como Cul-de-Sac ou Repulsion. 







