19 de janeiro de 2010

Mat i Syn (1997)

Um filme de Aleksandr Sokurov

















É difícil para mim falar sobre este filme. Não por ser um filme difícil mas por não conseguir encontrar as palavras certas para expressar o que esta obra-prima significa para mim. E é perfeitamente compreensível e legítimo que alguém tenha feito a Scorsese a seguinte pergunta "Why is it that we can't make films like this in America?"
Mãe e Filho é certamente um dos melhores filmes jamais feitos. Uma verdadeira obra de arte esteticamente, sonoramente, visualmente e filosoficamente. É a mais pura e extraordinária reflexão sobre a dor, sobre a perda que se aproxima, sobre a morte. Mãe e Filho inicia a trilogia familiar do cineasta russo. Aqui remete-nos ao amor maternal, Pai e Filho leva-nos ao amor paternal e Alexandra remete-nos ao amor entre avó e neto, ficando ainda a faltar o amor fraternal que, desconfio eu, esteja nos planos de Sokurov.
É impossível deixar de referir a fonte de Sokurov para todo o seu cinema. Desde cedo se fez a semelhança e a relação mestre/aprendiz com Tarkovsky. E Mãe e Filho, bem como Russian Ark, é um dos seus trabalhos mais expostos à sua clarividente influência em Tarkovsky.
Mãe e Filho resulta num poema sublime, numa genuína forma de fazer cinema, de narrar uma história onde na verdade nem história há. Aqui tudo se resume ao tempo, à espera do inevitável. E Sokurov procura explorar o amor incondicional dum filho, a dor da perda que se avizinha. A morte sempre presente. A reflexão do espírito, o espírito que Sokurov tanto cultiva no seu cinema.
O cinema naturalista de Tarkovsky a assombrar a tela, o rigor estético (mais que nunca) de Sokurov onde as suas imagens comprimidas resultam num peculiar formato visual, a forma delicada como se aborda a morte e a condição humana, os diálogos existencialistas e filosóficos, tudo isto a enaltecer a obra. E no fim a morte. E no fim a dor. E não há filme mais simples mas belo, não há filme mais negro embora poético. Não há filme mais humano que este.


7 comentários:

Neuroticon disse...

Verdade!
Não acho que esteja a par das obras de Tarkovsky, mas é um filme bastante humano, tal como referiste! :)

Álvaro Martins disse...

Sim, por isso mesmo a relação mestre/aprendiz :)
Mas é um grande filme, uma obra-prima que não fica muito longe da excelência das obras de Tarkovsky. Esteticamente é perfeito.

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Um filme que também me deixou atónito quando o vi.

Thyago disse...

Filme maravilhoso. Parafraseando o cantor Nick Cave, "chorei e chorei, do início ao fim".

Aqui segue o link pra resenha que ele fez pro jornal Independent:
http://users.bart.nl/users/maes/cave/disc/sunday.html

Obra-prima!

Paulo Soares disse...

Sokurov é um dos meus realizadores preferidos. E este filme, é uma das suas grandes obras.
Agora que viste os pais, vai ver a avó =P

Álvaro Martins disse...

Também é um dos meus preferidos. Já tinha visto este há muitos anos e o pai pouco tempo depois de sair, mas a avó só vi há dias :) Está para breve um texto sobre ele. Mas este é o melhor dos três.

Pedro disse...

Muito bom. Ainda não vi os outros.