20 de maio de 2009

Delta (2008)

Um filme de Kornél Mundruczó










OBRA-PRIMA. Cinema Húngaro. Cinema que vou descobrindo e que em cada descoberta me maravilha e nunca decepciona. Cinema que traz referências a Béla Tarr, a Tarkovsky, a Bartas, é o cinema de Kornél Mundruczó. “Delta” é completamente brilhante. É uma obra que certamente (e digo isto porque eu próprio me incluo) agradará a um fã de Tarr ou de Tarkovsky. Naturalista, contemplativo, com uma mise-en-scéne inspirada e muito próxima do cinema de Tarr, polémico, atrevido, ambíguo, chocante. “Delta” é complexo, muito. É existencialista, lento, pausado e moralista. É a história dum incesto, duma violação, dum povo. Mihail (Félix Lajkó) regressa à terra natal, à beira do rio Danúbio. Fauna (Orsyla Tóth), a sua irmã mais nova que não conhece, é-lhe apresentada pela mãe. Sem espaço em casa da mãe para si, Mihail vai para a cabana do falecido pai, à beira do rio. Fauna não demora a ir morar com ele e juntos iniciam a construção duma casa. A história é esta, é simples. A partir daqui desenvolve-se o tema, o incesto. A violação acontece por parte do amante da mãe destes.
Mas Mundruczó não me parece fazer um filme cujo tema incida somente no incesto. A crítica social está lá, as represálias dos habitantes locais são a prova disso. A fria relação da mãe para com os filhos é mais uma demonstração da intenção do cineasta húngaro em reflectir nessa falta de afecto, nessa indiferença dum indivíduo, na falta de comunicação, na falta de socialização. Penso que Mundruczó tenta reflectir no comportamento humano, nas emoções, nos sentimentos e na moralidade. Tudo isto numa história simples, narrativamente complexa, com uma fotografia espantosa, filmada “quase, quase” tão extraordinariamente como Béla Tarr. Brilhante.

4 comentários:

Paulo Soares disse...

Nunca tinha ouvido falar deste filme e fiquei muito curioso. Nunca pesquisa rápida ao site da Fnac, vejo que está cá á venda. Vou adquiri-lo ainda esta semana.

Depois direi coisas.

(a fotografia do filme é impressionante!!)

Álvaro Martins disse...

Paulo, ainda bem que ficaste curioso. Eu gostei muito.
Cá fico à espera da tua opinião. :)

Além da fotografia tem uma sincronização excelente entre imagem e música, planos e música, emoções e música.... muito bom mesmo.

Victor Afonso disse...

Vou procurar este filme.

Álvaro Martins disse...

Força!! :)