Mostrar mensagens com a etiqueta Fred Zinnemann. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fred Zinnemann. Mostrar todas as mensagens

15 de novembro de 2010

Semelhanças?



From Here To Eternity (1953)






“- Amo o Exército.
- Mas o Exército não te ama.
- Amar não significa ser correspondido.
- Sim, mas tudo tem um limite.
- Quando se ama algo, tem que se ser grato.”


Aquilo que me agradou mais em From Here To Eternity foi a inevitabilidade do ser humano (e aqui mais directamente do militar). Sim, From Here To Eternity está repleto de grandes interpretações (Burt Lancaster, Montgomery Clift, Frank Sinatra, Donna Reed, Deborah Kerr, Philip Ober…), mas o mais importante é o sentido humano que todas as personagens acarretam (excluindo o Capitão Holmes e o resto dos oficiais). Existe ali muito Ford (demasiado até) no humanismo, no patriotismo, no sentido de dever, nos espaços e na relação entre as personagens, nos momentos de companheirismo. E daí resulta toda a inevitabilidade daqueles soldados, todo aquele caminho que necessitam percorrer até ao seu destino. Porque está traçado, porque tudo aquilo é uma questão de princípios (Prewitt recusa voltar a lutar porque cegou um amigo, o sargento Warden recusa ser oficial porque não gosta de oficiais). E Warden sabe isso quando no final diz “Não podias ser esperto, não é? Bastava teres lutado boxe mas não quiseste, seu teimoso”. Mas, acima de tudo, From Here To Eternity é um filme sobre o amor ao exército. O tal sentido de dever, a devoção. E Karen apercebe-se disso quando Warden lhe diz que não concorreu para oficial. “Não te queres casar comigo. Já estás casado com o Exército”. Karen tem razão. Esse amor (ou devoção) é mais forte que o amor por ela. Da mesma forma, Alma (ou Lorene) percebe que Prewitt nunca deixará de ser um soldado. Ele próprio diz várias vezes que ama o exército, que é um soldado. Aliás, quando ela lhe diz que não quer ser esposa de um soldado, a resposta dele é “Bem, é o melhor que te posso oferecer”. E a verdade é que tudo o que ele é deve-o ao exército. Por isso esse amor. Maggio é diferente, ele não pertence ao exército, é o oposto de Prewitt e Warden. Maggio é o ser inadaptado naquele mundo de militares. Há nele muita revolta contra o sistema do Exército (embora contida), e talvez por isso aquele destino trágico (como o de Prewitt mas por razões diferentes). From Here To Eternity é classicismo e blues numa história de amor ao exército e à pátria. Grandioso.

11 de setembro de 2010

High Noon (1952)










A moral de High Noon é o pessimismo de Zinnemann relativamente ao ser humano. Não é só a cobardia que é exposta, mas também a tendência do ser humano em fugir do perigo ao invés de o enfrentar, a ingratidão e a capacidade do Homem em condenar (leia-se também abandonar) o aparentemente mais fraco. Leone veio buscar muita coisa aqui, tanto para a sua trilogia dos dólares como para o Once Upon a Time in The West. E High Noon é indubitavelmente um dos melhores westerns de sempre.