Mostrar mensagens com a etiqueta Béla Tarr. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Béla Tarr. Mostrar todas as mensagens

11 de junho de 2011

isto é que eu quero mesmo muito ver. Prioridade máxima.

A torinói ló (2011)
Béla Tarr

22 de março de 2011

Öszi Almanach (1985)
Béla Tarr

Öszi Almanach é Tarr tal e qual o Tarr de Sátántangó ou de Werckmeister Harmóniák distanciando-se no entanto no pormenor de ser a cores (e que cores!) ao invés do habitual preto e branco que pontua os seus filmes mais aclamados, mais concretamente a partir de Karhozat.

Falar de Öszi Almanach, portanto, é falar naquilo que Tarr procura em quase todos os seus filmes (ainda não vi a sua fase inicial que é apontada como sendo inserida num realismo social, e por isso o quase), na grande preocupação do húngaro que se traduz na incompatibilidade humana relativa às relações pessoais e acima de tudo no viver socialmente em harmonia, demonstrando assim o seu pessimismo na natureza humana. Tudo se movimenta (e aqui não é só aquela espantosa forma de filmar mas também os planos, os ângulos (ele filma de todo o lado literalmente), a cor e as sombras) naquele ambiente, naquele mundo desolador, obscuro, repleto de desconfianças e de interesses. Aquelas cinco pessoas vivem num desespero constante, numa incessante procura de combater os medos e a solidão que os invade, a fome de amor (ou de afecto) que todos a demonstram.

Öszi Almanach é como todos os outros filmes de Tarr, um filme existencial, contemplativo e acima de tudo desolador (e juntamente com Bartas não há cineastas mais desoladores no mundo), sem esperança nenhuma na natureza humana e no mundo. Aqui Tarr usa as cores para exprimir o estado de espírito dos seus personagens ou para os definir naquele momento, para mostrar o verdadeiro ser daquele indivíduo que está ali à nossa frente. Öszi Almanach é filme sobre a perversidade humana, sobre a “teia” que se cria naquele “mundo” onde não há confiança, não a pode haver e nunca haverá, mundo onde primeiro se diz que a ama e depois a rouba, mundo onde a promiscuidade caminha à superfície das relações, onde se é violada e onde se volta ao violador, mundo de traições e de ganância, mundo do incitamento à loucura e à depravação, mundo da dissimulação e da hipocrisia. Coisa que constantemente brada a morte para os seus personagens a usarem como intimação inalterável da condição humana e do caos, da decadência, onde se procura sempre e sempre e sempre chegar à alma, ao fundo da alma humana, dos seus medos, desejos e da (des)esperança na redenção. Como é belo o cinema de Tarr!

8 de janeiro de 2011

“I’m able to tell you only one thing. What we are trying to do is more and more and more pure cinema, which is maybe less and less and less story, less and less details, and of course, I really would like to go deeper and deeper and deeper in the human soul. I want to understand something because I’m always just discovering, discovering, discovering something, some new thing, some new possibilities in the film language. Of course, I keep some things but I’m always finding new things I can use. I really like to listen to people. I don’t like the artificial anymore. I want to go in like a miner, deeper and deeper. That’s what I think. That’s why I think I can do it always in one way if I’m more and more simple. What we are doing, it’s really on the edge. It’s a risk.”

Béla Tarr


Retirado daqui que por sua vez foi retirado daqui.

7 de novembro de 2009

Werckmeister Harmóniák (2000)

Um filme de Béla Tarr










Actualmente, não há cineasta no mundo que se compare a Béla Tarr. Sendo muito relativo, na minha opinião é certamente o melhor cineasta em actividade. E hoje lembrei-me de rever “Werckmeister Harmóniák”, talvez depois de “Sátántangó” o melhor filme do húngaro. E as semelhanças entre estas duas obras de que falo são deveras abundantes. Não falo na arte de filmar de Tarr, pois essa está presente em todas as suas obras. Falo sim da moralidade da película, do tema das duas obras. E se em “Sátántangó” Tarr explorava o caos, a desolação humana, o delírio, o falso messias; aqui ele volta a explorar isso tudo. E, talvez, “Werckmeister Harmóniák” seja mais cruel que “Sátántangó”, talvez (é mesmo) seja mais violento que “Sátántangó”. Porque aqui procura levar o caos ao limite, procura aproximá-lo do ambiente apocalíptico, procura sobretudo levá-lo ao meio revolucionário e reaccionário em que aquela população se insere.
Há aqui toda uma procura dessa ambiguidade moral, uma exploração do comportamento humano face a situações-limite (foi aqui que Sant foi buscar o tema de “Gerry”). Tarr volta a reincidir na questão do falso messias, o príncipe que vem, juntamente com a gigantesca baleia, como atracção do circo. Príncipe esse que nem sequer o vemos. Mas “Werckmeister Harmóniák” é um filme alegórico, mais que qualquer outro de Tarr. A par de “Sátántangó”, “Werckmeister Harmóniák” possui um ambiente caótico, apocalíptico que transcende a simplicidade do argumento (sem falar na mise-en-scène, na música, no minimalismo do húngaro, na contemplação e no naturalismo presentes em todas as suas obras que já referi inúmeras vezes pelo meu tasco fora). E Tarr cria sobretudo, à imagem de “Sátántangó”, um filme utópico, caótico.
Que dizer mais? Haveria muito mais para dizer de “Werckmeister Harmóniák”, mas uma palavra resume tudo, OBRA-PRIMA.

20 de abril de 2009

Sátántangó (1994)

Um filme de Béla Tarr







Já referi várias vezes por esta blogosfera fora que o que mais admiro em Spielberg é a sua qualidade na arte de filmar, a sua capacidade de filmar um filme de guerra como se estivéssemos lá dentro, a sua genialidade em filmar seja o que for. Mas Spielberg comparado com Béla Tarr não é ninguém. Tarr é genial, é completamente extraordinária a sua maneira de filmar, de nos mostrar seja o que for. A maneira como ele move a câmara, como a desliza em sintonia com o que estiver a filmar, os takes longos e pausados que nos descreve todo o cenário, o perfeccionismo do húngaro…de génio.
“Sátántangó” é um épico de 7 horas e meia que mostra todo o talento de Béla Tarr. Obra-prima. Minimalista, contemplativo, rural, obra de arte do húngaro. Obra sobre a salvação, o falso messias, a redenção, o sacrifício, a esperança, o quotidiano, a morte, o trabalho, a promiscuidade. Filmado a preto e branco (Tarr só filma a preto e branco), “Sátántangó” é longo numa história que perfaz apenas três dias. Mas “Sátántangó” é perfeito. Li algures pela internet fora que Gus Van Sant é um confesso admirador de Béla Tarr e lembrando “Elephant” é perfeitamente visível essa influência. É compreensível essa admiração e aumenta ainda mais a minha consideração por tal cineasta (falo de Sant).


Mas Béla Tarr segue indubitavelmente os passos de Tarkovsky. Existencialista, naturalista, contemplativo e observador. Tarr filma as personagens com uma calma e lentidão que nos transmite todas as emoções destas. Mas a câmara raramente está parada. Sempre em movimento, lenta, numa procura de sensações quer humanas quer naturais. As paisagens, a chuva, os edifícios em ruínas, os ruídos, a música, o caos, o rigor com que Tarr filma todo o espaço inerente à obra e que nos transmite algo. Um cinema muito próprio, que a cada cena, a cada take, se define a si próprio. Mas o cinema de Tarr não é fácil, não é para qualquer um. Não existe nada neste cinema que se possa assemelhar às grandes produções de Hollywood.
Isto é cinema do mais puro e poético que existe.






25 de março de 2009

Karhozat (1988)

Vazio, o nada, corpos deambulando por uma Hungria decadente, apocalíptica e uma obsessão por uma mulher casada. Música, danças e mais danças, um preto e branco que mostra uma história sem esperança alguma, um homem que procura essa esperança e uma mulher que foge dela. O caos, a chuva, a arte de filmar de Béla Tarr, o fascínio de uma obra negra e incontrolável. “Karhozat” ou “Damnation” em inglês data de 1988 e é cinema que explode nos nossos olhos, é algo intransmissível para a compreensão do espectador, são planos correntes de corpos vazios numa normalidade incompreendida e de uma procura interior que nunca chega. O silêncio. O cinema na sua realidade.