25 de março de 2010

Mr. Smith Goes To Washington (1939)






É isto que falta actualmente em Hollywood, esta capacidade de expor a falsidade, a corrupção, de mostrar o abuso de poder. Sem tiros e socos nas trombas, sem pirotecnias, sem circo. Mesmo que para isso se crie um herói, alguém imaculado e puro, alguém íntegro e honesto. Mesmo que para isso se crie essa personagem utópica. Porque o que realmente interessa em Mr. Smith Goes To Washington (além de todos os brilhantes aspectos técnicos a que Capra era familiar) é a capacidade de expor aquilo que está podre, a verdadeira “cara” de um país. E não há filme no mundo que retracte melhor essa “cara”, essa vergonhosa sombra dum país. Capra é Ford mas sem fazer tantos filmes, é o puro americano e patriótico exacerbado. Porque o cinema de Capra é isso, a possibilidade de transpor para o ecrã os seus ideais, o seu desejo de uma América justa e íntegra, ou seja, exactamente o contrário daquilo que se tornou.

2 comentários:

Fifeco (Filipe Ferraz Coutinho) disse...

Subscrevo cada palavra escrita. Além do trabalho fenomenal de Capra em expor uma podre realidade (que de resto ainda se aplica) há a destacar James Stewart, o mr nice guy patriótico, charmoso e inocente que luta sempre pela veracidade. E bem acompanhado está ele com uma esquecida, infelizmente, Jean Arthur.

As ramificações da crítica realizada são enormes e hoje este seria um daqueles filmes controversos, que realmente doem. Mas não seria um filme assim. Teria que ter tiros, explosões e sexo. Caso contrário nem sequer seria financiado. E isso é uma pena. Mr Smith Goes to Washington é um dos grande exemplos de como fazer uma sátira social usando um argumento fabulosamente escrito, uma realização criativa e actores competentes. Bons velhos tempos estes...

Álvaro Martins disse...

Sem dúvida Filipe, como era e como é! - falo de Hollywood