11 de março de 2010

Baarìa (2009)













Baarìa é uma odisseia. O último filme de Tornatore é uma história nostálgica acima de tudo. E é isso que admiro em Tornatore, é isso que ele tem a capacidade de criar. A nostalgia, a beleza da nostalgia. Não nos deixemos enganar, o cinema de Tornatore é sensacionalista, sentimentalista. Mas é-o puramente, sem demagogias (embora a crítica social esteja lá sempre), belo, é essencialmente um hino à vida. E olhemos para Nuovo Cinema Paradiso, para La Leggenda Del Pianista Sull'Oceano, para Stanno Tutti Bene ou para Malèna e vemos sempre essa nostalgia, esse sentimento onírico do que foi. E nisso Tornatore é mestre, um génio. Baarìa é a odisseia da vida de Peppino, o retracto social de Bagheria, a vila siciliana onde o cineasta nasceu. E Baarìa (gíria pela qual a vila é conhecida) firma-se assim como a obra mais autobiográfica de Tornatore. Certo, mas nem por isso a melhor. E não o é porque Tornatore perde-se nesse sentimentalismo e em simbolismos incógnitos (o final do filme é mais do que incógnito, é desnecessário, inútil, borra a pintura toda). O próprio argumento do filme; embora aliado ao poder sentimental, à beleza e à importância que Tornatore dá à vida, ao percurso de uma vida, enfim, à nostalgia; é mal desenvolvido e sobretudo mal explorado. Falta ali algo, falta um envolvimento maior do actor no seu personagem, algo mais concreto, mais vida, menos sentimentalismo, menos nostalgia. Tornatore usa e abusa da história de Peppino, do personagem em si. Falta mais presença da vida de Mannina (a mulher de Peppino), falta mais desenvolvimento no romance dos dois. Falta mais esclarecimento na vida política de Peppino, mais conhecimento dos seus ideais. A verdade é que (e mesmo assim o filme demora duas horas e meia) é muito difícil contar uma história como esta, a história de uma vida. O que Tornatore quis fazer teria de ser feito em quatro ou cinco horas. O problema fulcral de Baarìa é o desenvolvimento da história. Porque de resto é irrepreensível. Fotografia, a música de Morricone, os planos, cenário, etc., o filme é belo, é épico. Mas perde-se dentro de si, perde-se no seu sentimentalismo, perde-se sobretudo no seu grande trunfo, a nostalgia.

3 comentários:

João Gonçalves disse...

Nunca vi. Sabes se vai ter estreia cá em Portugal? Nos torrents consigo arranjar o filme? :)

Abraço

Álvaro Martins disse...

Não sei, não faço ideia. Mas por torrents arranjas bem ;)

Pedro disse...

Também vou tentar arranjar.