13 de julho de 2009

Slumdog Millionaire (2008)

Não costumo falar de filmes que acho maus, daqueles filmes que são tão maus que até dão a volta ao estômago (por falar nisso lembrei-me de que este sábado estive de tarde a ver um filme que passava na SIC com um senhor chamado Matthew McConaughey e a Penélope Cruz que por sinal se chama “Sahara”). Mas vou falar dum filme que, não sendo tão mau quanto esse “Sahara”, não fica muito longe. Vou falar de “Slumdog Millionaire” do Danny Boyle. Sim, o tal filme que ganhou uma porrada de Óscares incluindo melhor filme e melhor realizador. Sim, o tal que muitos incluem como um dos melhores de 2008 (por mim incluo-o no lote dos piores).

E isto porquê?
Em primeiro lugar, é bem visível que Boyle fez um filme completamente contrário ao que fez anteriormente. E perguntas como “Como é possível um homem que faz um filme como o "Trainspotting" ou o "Sunshine" fazer uma bodega como este Slumdog?” fazem todo o sentido.
Em segundo lugar, toda a gente reparou que o filme inteiro cheira a Bollywood. E quando ouço Bollywood não consigo deixar de pensar que para ver um filme desses ou se está bêbedo, ou se quer ver mulheres bonitas ou então percebe-se tanto de cinema como eu de electricidade.
Seguindo, e tentando esquecer Bollywood, Boyle traz-nos uma história de amor (até aqui tudo bem) do mais simplista que pode haver. Mas o problema não reside na simplicidade e sim na previsibilidade com que essa história de amor nos é narrada. A narrativa do filme resume-se a uma banalidade exacerbada quanto o próprio romance juvenil de Jamal. E no meio disto tudo, o senhor Boyle achou por bem fazer desta história um melodrama tipo novela brasileira, onde mesmo com todas as adversidades que assolam a vida de Jamal, os bons triunfam e os maus caem por terra e a choradeira do costume.
Mas há mais. Boyle conduz o filme de uma maneira tão desgastante e ridícula que ainda o filme vai a meio e já nós sabemos como vai acabar. Ou seja, aquilo que mais me pareceu é que, como já li pela internet fora, Boyle quis fazer um “Cidade de Deus” ou um “Carandiru” e acabou por fazer um mini-Titanic. “Slumdog Millionaire” chega e não passa dali, do filme popular, do filme para entreter massas, do filme recheado de clichés e que chega ao mainstream de forma absurda. Poderia ainda usar termos como kitsch para caracterizar este pseudo-filme de Boyle, mas nem vou entrar por aí.
Depois, é ainda ridícula a postura pretensiosa que Boyle adopta neste filme. Quer ser moralista com toda a exposição da pobreza naquele país, mas tudo o que consegue é ser estupidamente artificial, tudo o que consegue é cativar o espectador com a história de amor e com a crueldade do irmão de Jamal.

Concluindo, quero dizer que os Óscares cada vez mais comprovam o que já há uns largos anos constatei. Prémios da popularidade, do mainstream e dos blockbusters, enfim, resumindo e concluindo, prémios da treta.

3 comentários:

João disse...

Banal e tão mau que chega a doer. Eu cá não entro na euforia.

Victor Afonso disse...

Subscrevo integralmente.

É ainda um mistério como este filme teve tão bom acolhimento público e até de crítica.

Banalíssimo objecto de cinema e o afundamento de Danny Boyle como cineasta de algum talento.

Fifeco disse...

Não são tão crítica como tu até porque, de forma global, gostei do filme. Existe uma série de atributos técnicos que quanto a mim são sinónimos de qualidade. COntudo, o fenómeno da sobrevalorização é claramente exacerbado e incompreensível. Quanto aos Oscar, nem vale a pena comentar.