28 de julho de 2013

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Minnelli himself explained the inspiration for the scene’s visual style in this way: “I decided to use the inside of a juke box as my inspiration for the settings… garishly lit in primary colors.” (2) His comparison is fitting for, along with the vibrant look of technicolor cinema, the jukebox captures that side of the American 1950s caught up in a loud kitsch, a visual display that proudly proclaims a showiness that verges on vulgarity. If a common cliché of the 1950s imagines the period as one of bland conformity, in contrast a whole series of pop phenomena – from the jukebox (and the splashy music contained therein) to the cinema to pastel fashions to overlarge cars with razor blade-like tail fins to the shimmer of Jell-O and so on – remind us of everything excessive in the decade; of everything, indeed, that exceeds bland middle-class propriety. In fact, much of the narrative of Some Came Running has to do precisely with the dominant culture’s wish to uphold norms of respectability, and in this sense the carnival scene shows how everything that this culture seeks to repress comes bubbling to the surface to explode in wildly dramatic fashion. It is particularly appropriate that Some Came Running was shot in CinemaScope for this widescreen process would seem well-fitted to an explosive spectacularity that threatens to spill off the screen in the sheer bigness of its effects.

But Some Came Running is also notable for a dramatically effective, if less showy, use of the widescreen format to capture subtle permutations in the interpersonal relationships of its central characters. In fact, Some Came Running connects the spectacular level in its broad depiction of a general condition of Americana to a more intimate level centered on the melodrama of a few select figures: the film’s chronology parallels the gradual preparations for the fair with the slow progression of Dave’s own narrative trajectory. To underscore this trajectory, the film uses compositional strategies of widescreen to contrast Dave’s initial emotional limitations and the growth he finally is capable of. In particular, in several scenes of the film, widescreen composition serves as a signal of Dave’s inability to open up to others, to let emotional engagement with other people into his life, and to even notice such people from within the protective space he has built up around himself.

Take, for instance, the very beginning of the film: the widescreen positions and isolates Dave in the long horizontal shape of the bus bringing him back to his hometown and it is only late in the scene that we (and then Dave) remark the presence of the forgotten Ginny in a seat behind him. Likewise, in one of the many scenes in which Dave gathers in a bar with his newfound gambling partner Bama (Dean Martin), Ginny remains unnoticed, way off in the back and side of the frame, until she insinuates herself into Dave’s presence. Ginny is rarely on the same plane as Dave, on a level spatial relationship with him. In contrast, as befits the Rat Pack masculinist ideology in which women are only accessories and men’s fundamental relationship is to their male pals (with whom there is always the distance of cool professionalism), Dave and Bama are often pictured side-by-side, two buddies engaged in playboy-culture pursuits, as when they sit at tables gambling.
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2 de julho de 2013

Saikaku Ichidai Onna - Kenji Mizoguchi (1952) *****
Barravento - Glauber Rocha (1962) *****
Ostře Sledované Vlaky - Jiří Menzel (1966) *****
Polustanok - Sergei Loznitsa (2000) *****
V tumane - Sergei Loznitsa (2012) *****
Pale Rider - Clint Eastwood (1985) ® ****
High Plains Drifter - Clint Eastwood (1973) ***
Captive - Brillante Mendoza (2012) ***
Shik - Bakhtyar Khudojnazarov (2003) **
Life of Pi - Ang Lee (2012) *


® Filmes revistos

6 de junho de 2013

Stars in My Crown - Jacques Tourneur (1950) *****
Le Notti Bianche - Luchino Visconti (1957) ® *****
E la nave va - Federico Fellini (1983) ® *****
Les Miserables - Richard Boleslawski (1935) ****
Berlin Express - Jacques Tourneur (1948) ****
Michael - Markus Schleinzer (2011) ****
Atmen - Karl Markovics (2011) ***
Fasle Kargadan - Bahman Ghobadi (2012) ***
Reality - Matteo Garrone (2012) **


® Filmes revistos

1 de maio de 2013

The Wind - Victor Sjöström (1928) *****
Mildred Pierce - Michael Curtiz (1945) *****
Tempo Di Viaggio - A. Tarkovsky e Tonino Guerra (1983) ® *****
Jagten - Thomas Vinterberg (2012) ****
U me dobrý - Jan Hřebejk (2008) ***
Les Neiges Du Kilimandjaro - Robert Guédiguian (2011) ***


® Filmes revistos

11 de abril de 2013


Velhice solitária…

Primeiro McCarey visto, deslumbramento total. “Make Way for Tomorrow”, como as tais palavras dum sábio citadas no primeiro minuto do filme, “honra o teu pai e a tua mãe…”, é filme que busca a gratidão (ou a reclama) dos filhos pelos pais, ainda que chegue ao fim sem a encontrar... e não há filme mais doloroso e mais lancinante para com a velhice que este (excepto os grandes Ozus), não há filme mais brutal e mais negro (de tão tristíssimo que se prenuncia) na procura da retribuição ou da equidade do amor ou do carinho ou do afecto dos filhos pelos pais, isto porque alcançamos o final e percebemos que não a há, que a velhice se augura solitária e ingrata. Não há redenção possível, respeita-se e segue-se; como um caminho por onde seguir adiante seja inevitabilidade das inevitabilidades, coisa da lógica e da lei da vida; a amargura da velhice e a rejeição máxima a que se cola a ingratidão e a frívola compaixão e a falta de dignidade humana daqueles filhos a quem os pais são o maior dos maiores dos estorvos do mundo.

Separação…

Se há coisa que “Make Way for Tomorrow” tem, é a tal brutalidade e a tal negrura de toda a temática abordada. Além da velhice e da solidão a que o casal da película está destinado, McCarey vai mais longe e separa-os, arranja um problema financeiro ao qual lhe dá um sentido social (tudo derivado da Grande Depressão) e despeja o casal da sua casa de sempre para, ingratos e desnaturados, os filhos os separarem com a desculpa da vida e do espaço limitado em suas casas. É nesse contexto da separação do casal que o caos e a desumanidade e toda a negrura que vem da tristeza mais melancólica de todos os mundos se colocam e desabam toda a estabilidade familiar que outrora os suportou (à família), a estabilidade que educou e criou aqueles filhos que, agora, casados e dispersos por aquela América das grandes cidades, votam e destinam os pais a uma humilhação e a uma vil "mendigação" pelo lar dos seus filhos… e se há coisa que “Make Way for Tomorrow” reclama é a dignidade do ser humano, e por isso aquela mãe prefere ir para o lar do que continuar a estorvar os filhos, se há coisa que existe é a inexorabilidade da vida, da velhice, é o futuro incerto daqueles velhos separados pela leviandade e pela futilidade dos seus.

Nostalgia…

Ao reencontro surge a inevitabilidade das memórias do que não volta, surge a nostalgia dum passado que, após estes anos todos, se revela ser ainda o presente, tudo mudou mas ainda assim algo perdura e se mostra imutável, o amor deles, coisa que, e a maior descoberta daqueles dois velhos abandonados e distantes é a de que o maior bem (e ao contrário do que se possa pensar) que um e o outro têm é o amor entre eles, pois os filhos, esses, nada fazem para os honrar, os filhos, que outrora eram tudo o que de melhor possuíam, tudo fazem para os enxotar e afastar das suas vidas, como se aqueles velhos, que tudo deram e toda a vida lhe deram, fossem agora coisa dispensável e descartável. É essa negrura e coisa terrífica que se assinala como verdade absoluta, os filhos crescem e partem, formam eles próprios a sua família, deixando aqueles que os criaram ao abandono e ao destino da velhice. Por isso no final fica a nostalgia, ainda que curto, o reencontro, tão pungente quanto as mais pungentes tragédias gregas, é ainda assim oportuno e fortuito para os dois velhos solitários reencontrarem o amor na nostalgia do passado, nas mágoas e no calvário do presente e na incerteza do futuro.

2 de abril de 2013


“La Pivellina”, primeira ficção dos documentaristas Tizza Covi e Rainer Frimmel (tal como o russo Loznitsa que se aventurou também na ficção com o seu “Schastye moe” - e o último “V tumane” é dos filmes que mais anseio ver), é objecto tão realista quanto directo, tão lúcido e tão ternurento quanto brutal e frio, coisa que parte duma certa herança (que à medida que se desenvolve foge dela a "sete pés") do neo-realismo ou, se quisermos trazer o documental à baila e atribuir-lhe esse tal realismo que se procura em todo o filme, e dum olhar da câmara à mão (ou de restícios do Dogma 95 se assim o quiserem chamar), abstido de qualquer virtuosismo, perto da crueza e da rudeza, tudo pelo realismo, para contar uma história de afecto e de amor conquistado por uma criança abandonada encontrada por uma circense de meia-idade que nunca pôde ou nunca quis ter filhos. Passa-se todo o tempo à espera da mãe da criança (porque esta é mais uma boca para alimentar e um fardo para carregar) para no final carinho e apego gritarem mais alto e lamentarem, e lá no fundo reclamarem, a iminente ida da pequena Asia.

1 de abril de 2013

Four Sons - John Ford (1928) *****
Make Way for Tomorrow - Leo McCarey (1937) *****
Wuthering Heights - William Wyler (1939) ® *****
The Sun Shines Bright - John Ford (1953) *****
La Morte Rouge - Víctor Erice (2006) *****
The Sandpiper - Vincente Minnelli (1965) ****
Film d'amore e d'anarchia, ovvero 'stamattina alle 10 in via dei Fiori nella nota casa di tolleranza...' - Lina Wertmüller (1973) ****
La Pivellina - Tizza Covi e Rainer Frimmel (2009) ****
Stalingrad - Joseph Vilsmaier (1993) ***
The Town - Ben Affleck (2010) ***
To Rome With Love - Woody Allen (2012) ***
Django Unchained - Quentin Tarantino (2012) ***
Whisky Galore - Alexander Mackendrick (1949) **


® Filmes revistos

25 de março de 2013

“The Sandpiper” de 65 de Minnelli, com todo o glamour e toda a beleza e toda a sensualidade que o par da época Taylor e Burton resplandeciam no grande ecrã não é mais do que a mais pura dissertação sobre o desejo e sobre a atracção dos opostos, crente e não crente, cristão e ateu. Daí resulta a relação e a infidelidade que acima de tudo, no final, ensina aos dois amantes que afinal não tinham “o rei na barriga”, que afinal não eram detentores de toda a sabedoria, aprende-se que até morrer está-se sempre a aprender.