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2 de julho de 2010

Sommaren Med Monika - Mónica e o Desejo (1953)








‘It’s close to my heart and one of my films I’m always happy to see again.’ Ingmar Bergman (Bergman on Bergman)

"The film every director ought to make when he's twenty." François Truffaut (Letters)

“Monika was a forerunner of And God Created Woman, but done perfectly. And the final scene of Nights of Cabiria, with Giulietta Masina staring blindly into the camera: have we forgotten that it was right there in the next-to-last scene of Monika?” Jean-Luc Godard (quoted in Ingmar Bergman, An Artist’s Journey)



Acima de tudo, Mónica e o Desejo é um filme sobre o amor passageiro, sobre a liberdade jovial. Quando o inevitável chega, Mónica diz a Harry Quero me divertir enquanto sou jovem. E é isso que Mónica e o Desejo reclama, esse desejo de se divertir/amar enquanto pode. Para Mónica, o amor muda de estação para estação. Harry foi um amor de Verão, amor que durou enquanto a liberdade foi completa, enquanto houve a tal diversão, enquanto os dois vaguearam naquele barco pelo mar. Chegam as responsabilidades e acaba a diversão, acaba a permanente atenção de Harry em Mónica. Acaba o amor de Mónica. De certa forma, Bergman caracteriza a Mulher (na sua juventude), atribui-lhe a sua natureza libertina, ao contrário do Homem. Sommaren Med Monika é filme sobre a natureza da Mulher, da sua juventude. E o enquadramento da câmara, os grandes planos de Bergman, assombroso.


31 de dezembro de 2009

Domicile Conjugal (1970)

Um filme de François Truffaut








Domicile Conjugal tem uma das melhores sequências iniciais que vi em toda a minha vida. A primeira vez que vi este filme fiquei completamente maravilhado com aquele plano-sequência inicial. É extraordinariamente bem filmado, bem conseguido e revelador do grande âmago da obra. O desejo. E todo o filme de Truffaut se resume a isso, ao desejo. Domicile Conjugal é um filme leve, tipicamente nouvelle vague embora mais comercial. A traição vem resultante do desejo. E se o plano inicial são as pernas de Christine, quando Antoine se interessa pela chinesa temos outro plano de pernas, este das pernas da chinesa. E esses planos de que falo são a mais pura metáfora do desejo sexual do homem, umas pernas bonitas. E a traição resulta desse desejo. E desse desejo surge a separação, o desinteresse na mulher, a impaciência em tentar não destruir o casamento, o tédio com a nova companheira. Sim, esse desejo acarreta muita coisa. E aliado ao desejo está a curiosidade. Sim, porque embora o desejo fale mais alto, a curiosidade em se envolver com uma chinesa (povo diferente, etnia inclusive) também tem a sua força no desfecho resultante. Portanto, Truffaut explora esse desejo. E explora também o início e o fim do desejo. Ou seja, Truffaut expõe claramente a diferença entre o amor e o desejo. O amor/Christine e o desejo/a chinesa. E Truffaut louva o amor, faz dele um sentimento mais nobre. E, de facto, assim o é.