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16 de maio de 2009

Triple Agent (2004)

Um filme de Eric Rohmer










“Triple Agent” traz-nos uma história ficcional baseada em acontecimentos verídicos. Rohmer envereda aqui pelo mundo da espionagem.
Paris, ano de 1936. Fiodor (Serge Renko) é um general do exército czarista que, após a Revolução Bolchevista, se refugia em Paris com a sua esposa Arsinoé (Katerina Didaskalou), uma pintora grega. Fiodor é membro da Federação dos Antigos Combatentes Russos “brancos” ou mencheviques, os opositores dos “vermelhos” ou bolcheviques que tiveram como seu líder o célebre Lenine. Nesta corporação, Fiodor desempenha um papel de espião, em constantes viagens secretas a Bruxelas e Berlim. Durante essas viagens, a sua mulher Arsinoé fica sozinha, mergulhada nas suas incertezas quanto ao verdadeiro carácter e convicções políticas e ideólogas de Fiodor, ocupando-se especialmente da pintura e tendo como companhia uns vizinhos comunistas com os quais discute pintura. É a partir daqui que Rohmer nos mostra a sua genialidade, a sua moralidade, o seu dom da palavra. Ele faz um filme histórico, por mais que o tente negar, político e moralista. “Triple Agent”, em português “Agente Triplo”, reflecte na mentira, na dualidade da palavra, na ideologia e na racionalização de uma época. Rohmer pouco nos conta sobre as ideologias de Fiodor, sobre as suas actividades secretas. O pouco que sabemos advém das suas confissões a Arsinoé. Mas Rohmer fá-lo propositadamente, fá-lo para nos prender ao ecrã. “Triple Agent” é um filme sobre espiões onde a espionagem está em segundo ou até terceiro plano. Rohmer preocupa-se com diálogos, com discussões filosóficas e moralistas. Para o cineasta a acção pouco importa, a palavra é essencial.

5 de maio de 2009

Le Signe du Lion (1959)

Um filme de Eric Rohmer







Se “It’s a Wonderful Life” é a obra-prima de Frank Capra, “Le Signe du Lion” ocupa o mesmo estatuto na filmografia de Rohmer. Primeira longa-metragem de Rohmer e logo uma obra-prima desta natureza. Filme com uma magnitude sem tamanho, num código moralista perturbador, duma filosofia humana que impressiona e que atrai o espectador para a vida daquele homem, para o abismo em que mergulha. Nada que se assemelhe àquele Rohmer de "Ma Nuit Chez Maud" ou dos "Six Contes Moraux", àquele Rohmer filosófico e psicológico, àquele Rohmer das conversas fluentes que faz lembrar Bergman e o seu existencialismo. "Le Signe du Lion" é esse Rohmer moralista numa obra mais à americana, num filme mais corrente, não tão introspectivo e filosófico mas narrativamente mais apelativo. Contudo, filme irrefutavelmente avant garde com toda a moralidade de Rohmer, que não tão evidenciada, está lá. Em cada take, em cada cena, Rohmer reclama essa moral, essa questão humana que Pierre Wesselrin detém, essa forma de viver que o devasta. Mas depois, tal Capra e seu “It’s a Wonderful Life”, a sorte sorri-lhe novamente, porém numa conclusão de que a sorte nem só sorri aos audazes. E a tal moralidade de Rohmer grita mais alto quando, tal como Ferrara com todo o seu pessimismo, Pierre volta a cair no mesmo erro e, num final enigmático tal e qual ao início, somos confrontados com uma moral pessimista de Rohmer. De mestre.

21 de abril de 2009

Ma Nuit Chez Maud (1969)

Um filme de Eric Rohmer







Rohmer é exímio em reflectir na moralidade humana em constante confronto com as necessidades humanas. As várias dissertações sobre a condição humana, a moral, a ética e a religião em conflito com um pensamento mais liberal, marxista e diria até comunista. “Ma Nuit Chez Maud” foi o terceiro filme da “série” Contos Morais e apresenta-se como mais uma reflexão de Rohmer nessa vertente humana, nesse dualismo que se cria entre religião e filosofia. É isso que me atrai no cinema de Rohmer.