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2 de dezembro de 2010

Mauvais Sang (1986)
















Filme do meio (da trilogia), filme da desesperança. Aliás, na trilogia de Alex (Boy Meets Girl, este e Les Amants du Pont-Neuf), o único filme que se distancia da ausência de esperança é o último. Porque tanto Boy Meets Girl como este são filmes profundamente pessimistas, desoladores.

26 de novembro de 2010

Boy Meets Girl (1984)












Boy Meets Girl é filme de quem ama a Nouvelle Vague, aliás, Carax deve ser o cineasta desta nova vaga francesa que mais procura a filosofia da Nouvelle Vague. Porque encontramos tanto de Godard, tanto de Rohmer ou de Truffaut neste filme que às tantas já nos esquecemos de que é um filme desta nova vaga francesa. Até o seu alter-ego (Alex, interpretado sempre por Lavant) lembra o Doinel de Truffaut.

Boy Meets Girl vagueia pelo mundo obsessivo de Carax. Primeira longa-metragem do cineasta, Boy Meets Girl conta a história de um aspirante a cineasta que se apaixona por uma jovem com tendências suicidas. Ambos (Alex e Mireille) vêm de relações falhadas, desilusões amorosas. E por isso, mais que obsessivo, o filme respira depressão por todos os poros. Daí a tragédia resultar naturalmente. A procura do amor de quem perdeu a esperança nele próprio e no futuro. Filme de questões e de procuras, filme da palavra e de lirismos. Filme de grandes planos, médios e enquadramentos, filme de olhares e de sombras. Para mim, o melhor filme de Carax.

25 de novembro de 2010

Les Amants du Pont-Neuf (1991)













História de amor (como de resto todos os filmes de Carax o são) a oscilar entre o romance e a obsessão. Passeia-se pela tragédia mas alcança a felicidade e a redenção. Mas nada de ligeirezas românticas. Físico até às entranhas numa relação quase "una" entre aqueles dois seres, um dependente do outro. Amor sim mas um amor louco, obsessivo (quase tanto como em Boy Meets Girl). Todo o cinema de Carax tem essa capacidade de extremar o sentido de amor. Nada é feito ao acaso em Carax. Por alguma coisa a doença de Michèle é nos olhos. A luz como metáfora para o amor, para a felicidade. Alex (nome reincidente no cinema de Carax, e sempre com Lavant) tudo faz por amor. E é por isso que é uma das mais belas histórias de amor dos últimos vinte anos. Nos filmes de Carax o amor é algo para se aprender e se conquistar, para crescer com a relação, com a comunicação e o conhecimento entre os dois amantes. Sim, nos filmes de Carax há uma desmesurada comunicabilidade, são filmes repletos de delírios, de existencialismos triviais. Existe ali (em todos os filmes do cineasta) uma força transcendental do amor e uma materialização da obsessão. Uma desesperante fuga à solidão. E aqui (muito mais do que em qualquer filme de Carax) há uma conquista do espaço (o décor) pelas personagens, uma transfiguração desse espaço pelas personagens, por aquilo que elas são capazes de fazer por ele (o espaço) e por si (as personagens). Um tipo de ligação. Les Amants du Pont-Neuf analisa o desenvolvimento dum amor explosivo, louco e obsessivo, o caminho para onde se dirige. O destino? Talvez, mas acima de tudo, o amor.

18 de março de 2010

Pola X (1999)












Ora bem, podemos dividir Pola X em dois actos, em duas partes por assim dizer, duas ambiências que se complementam. E é inteligentemente que Leos Carax faz isso. O filme começa vivo, cheio de cor, bem ao estilo do cinema francês. Mas a partir de certa altura torna-se negro, perturbador. E tudo acompanha a história, todo o ambiente está de acordo com o que Pierre passa. Pola X é essencialmente um filme moral e ambíguo, duma ambiguidade complexa e desconexa, duma matéria psicológica que atravessa toda a compreensão do filme. Porque, o que realmente Pierre procura é a verdade, a redenção pelo erro do pai. E se primeiro abandona tudo e todos para se refugiar com Isabelle, depois do incesto a procura remete-se exaustivamente à escrita, como que a querer denunciar o pecado humano, como que a querer justificar o incesto. A ingenuidade de Pierre arrasta-o para a insanidade, fá-lo mergulhar num abismo moral, físico e psicológico onde toda a procura da verdade se torna confusa na sua mente, onde tudo o que parecia irrefutável é agora contestável. E Yekaterina Golubeva é uma grande actriz, uma das melhores nos dias que correm. Se já em Trys Dienos, Few Of Us e Koridorius (Sharunas Bartas – que também entra neste) me agradava, então depois de ter visto Twentynine Palms e agora Pola X, não posso afirmar outra coisa senão de que é realmente uma das melhores actrizes do panorama cinematográfico actual.