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30 de junho de 2011

Deep End (1971)
Jerzy Skolimowski

Em Deep End existe uma angustiante, seca e crua forma de tratar ou de confundir o amor, o desejo e a obsessão. Crua visualmente, coisa com grão, sem filtros, sem brilho, coisa semi-profissional ou amadora diriam os adoradores do mainstream ou dos blockbusters. Essa crueza (que se faz acompanhar por movimentos de câmara brutais, iluminação e cores idem aspas) está lá para nos mostrar que o mundo não é bonito, é feio, é cru, carrega consigo a perversidade da humanidade. Assim como o mais profundo desejo sexual também o é, cru, angustiante, frenético, obsessivo, coisa que se embrenha na escuridão da alma tão escura quanto a noite que Mike passa ao relento naquela rua do “pecado” à espera que Susan saia daquele clube nocturno. É o negro da noite que nasce na alma de Mike e que o conduz para as trevas da tragédia, o negro da obsessão e do desejo que corrompe a candura de Mike, que o mergulha na demência e na alienação quer individual quer social. É essa caminhada vertiginosa daquela alma cândida em direcção àquele gesto repentino e impulsivo, coisa de segundos, momento final, a queda de um anjo. É a perda da virgindade ou o desejo dela, dessa perda, como símbolo da mutação quer moral quer intelectual do indivíduo ou da formação do indivíduo, é o primeiro contacto com a perversidade do ser humano, com a libertinagem dos adultos (Mike tem apenas 15 anos), é o fascínio e o desejo e a obsessão a confundirem-se com paixão ou amor, é a candura do homem a dissipar-se na bravura e na iniquidade do mundo. Brutal, tragicamente brutal.

13 de maio de 2011

Essential Killing é daqueles filmes que sabem a pouco. Porquê? Porque está tão perto mas tão perto de ser tão grande, um grande filme, e pelos momentos espalhados pela hora e vinte e cinco minutos do filme onde Skolimowski envereda por alguns clichés (comer formigas e outras merdas do género), pelos flashbacks que me parecem desnecessários, por uma certa ausência de crueza, de frieza e de brutalidade que me parece faltar ali tanto na imagem como na narrativa. Por isso sabe a pouco, porque podia ser tão grandioso mas tão grandioso…
Thriller onde os diálogos são escassos porque não fazem falta nenhuma, o argumento é das coisas mais simples que há porque da simplicidade nascem as obras mais poderosas, seguimos o homem em busca de algo que ele sabe que não vai encontrar, a salvação (porque ele está perdido no meio do nada onde nem sequer sabe onde fica esse nada, perseguido pelo exército americano, ferido e cada vez mais esfomeado e enregelado pela neve), e seguimos esse homem na sua luta permanente pela sobrevivência. Ali não há bons são todos maus, a merda é toda a mesma, só muda a nacionalidade, só muda o poder dos homens (nada mais verdadeiro). Essential Killing é um bom filme, mas tinha potencial para ser tão melhor!

26 de fevereiro de 2010

Cztery Noce Z Anna (2008)











Em Cztery Noce Z Anna existe sobretudo amor. E Skolimowski filma-o num estado puro, em bruto, cego. Mas filma o amor não correspondido, o amor silencioso. Aliás, o filme até nisso é inteligentíssimo, até nos silêncios constantes que invadem o filme esse amor está presente. E todos os movimentos de Leon são na direcção da descoberta desse amor (amor que se mistura com obsessão, sentimento que faz com que Leon prefira fazer o que faz do que chegar algum dia a falar com ela, como que a guardar aquilo que racionalmente ele sabe ser a única possibilidade – a esperança de um dia a ter – porque ele sabe que nunca a irá ter, ele sabe que a única coisa que lhe resta é essa esperança, esse sonho que vive constantemente). Tudo o que faz é para poder olhá-la, estar mais próximo dela. E, isto tudo, num ambiente negro, de tensão. Cztery Noce Z Anna prima pela realização, pela mão do polaco, pelos planos que transmitem extraordinariamente essa tensão, esse risco que Leon assume nas invasões nocturnas do quarto de Anna. A interpretação de Steranko como Leon é simplesmente assombrosa. Cztery Noce Z Anna foi das melhores obras que vi ultimamente.