30 de junho de 2010

Breakfast at Tiffany's (1961)















O que realmente interessa em Breakfast at Tiffany's é Audrey Hepburn. Deixe-se de fora toda a pretensão do filme numa crítica à sociedade americana de então, ao consumismo e ao materialismo. Porque fora a grandiosa interpretação de Hepburn, Breakfast at Tiffany's (embora pretenda fazer essa crítica) é uma comédiazinha romântica como tantas outras de Hollywood.

29 de junho de 2010

Chinesisches Roulette (1976)

































Vincent Canby do New York Times escreveu assim "The film is still very much about one of the principal Fassbinder concerns — power — here demonstrated in the hold exercised by a tyrannical teenage girl, whose legs are paralyzed, over her self-absorbed but essentially innocent parents. The concern with power is there all right, but even more apparent, intentionally so, is the film's style, which is camp lyricism of such density it becomes a lethal weapon."

Vincent Canby não podia estar mais certo em relação a Chinesisches Roulette. O poder é, realmente, a grande preocupação de Fassbinder não só em Chinesisches Roulette como em quase toda a sua obra. E, como disse Canby, esse poder manifesta-se em Angela, essa adolescente diabólica e revoltada que apesar de se sentir oprimida pelos pais (legitimamente pois a mãe tem a convicção de que a filha lhe arruinou a vida), assume aqui também ela um papel de opressora (a tal "tyrannical teenage girl" que Canby fala) na sua relação, principalmente, com a mãe. Mas parece-me que o crítico do New York Times se esqueceu de atribuir aos pais esse poder de que fala. Porque toda a relação que assumem entre eles é esclarecedora disso. A relação extra-conjugal que os dois assumem já há anos (a do pai desde o acidente de Angela e a da mãe terá iniciado um par de anos mais tarde) são o reflexo desse poder efémero de quem quer compensar a amargura e o desgosto de ter uma filha semi-paralítica.

Mas Canby tem ainda mais razão quando diz que, a força de Chinesisches Roulette está mais latente no estilo do filme (que é como quem diz na realização). E, de facto, a forma como Fassbinder movimenta a câmara em torno daquelas personagens é fenomenal. O rodopio, o enquadramento, o aproximar/distanciar da câmara, a fixação nos rostos ou nos olhos daquelas personagens e o ritmo com que filma são a grande força de Chinesisches Roulette. Porque, com esta mise-en-scène, Fassbinder está sempre à procura de captar as emoções daquela gente, querendo mostrar as suas reacções àquele episódio e, sobretudo, a forma como Angela manipula os pais.

Chinesisches Roulette apresenta-se como uma tragicomédia (sarcástica) filmada de forma inaudita. Grande filme.

28 de junho de 2010

Sang Sattawat (2006)






Sang Sattawat retoma a narrativa bifurcada que nos apresentou em Sud Sanaeha e Sud Pralad. Mas aqui Apichatpong cria um filme visualmente contemplativo, lírico e meloso. Sang Sattawat traz-nos, em determinados momentos, planos-sequência à Tarr, seja a contemplar a natureza, seja a admirar estátuas ou bustos de divindades e figuras célebres tailandesas. Dividido entre uma primeira parte feminina e uma segunda masculina, Sang Sattawat é filme sobre o tempo e sobre a memória (que é como quem diz sobre a reincarnação [como o é também Sud Pralad]). O filme é poético e lírico, mas é sobretudo uma reflexão sobre os costumes tailandeses (medicina tradicional e moderna, o budismo...). E das duas partes bifurcadas pelos mesmos momentos distinguidos pelo seu meio (primeira parte/feminino e rural, segunda parte/masculino e urbano), quase tudo se repete como uma reincarnação. Sang Sattawat é um olhar ambíguo para a sociedade tailandesa, o contraste entre o tradicional e o evolucional (aqui directamente ligados na medicina). É um filme belo, atractivo para quem gosta de cinema contemplativo, sensorial. Acima de tudo, Sang Sattawat dispensa linearidades e narrativas, define-se como um poema visual. Memórias.