18 de março de 2025

 


2024, Hors du temps, Olivier Assayas 


 O último assayas deixou-me indeciso sobre o que achar dele, pretende ser várias coisas ao mesmo tempo, sem que seja necessariamente competente nem inepto, mas resulta num certo pretensiosismo que cria algum desconforto no espectador; hors du temps é uma mistura de rohmer com woody allen e sang-soo, recheado de referências literárias e cinematográficas, naquilo que pretende ser uma análise ao comportamento humano em tempos de isolamento pandémico; as tensões criadas entre os personagens são mal exploradas (ou insuficientemente exploradas), confunde-se a origem dos conflitos oscilando entre as memórias da infância e o isolamento em si, a paranoia “covideira” dum vs o relaxamento doutro, etc; assayas faz um filme de diálogos e aquilo que mais me ficou foi o pretensiosismo eclético que o cineasta adopta descurando assim do desenvolvimento das suas personagens e das suas neuroses/conflitos…

 

17 de março de 2025

 

Ilya Povolotsky

 

2017, Northerners 
2019, Froth 
2023, Blazh 


 | de northerners (cura-metragem documental) a blazh (road movie ficcional), o cinema de povolotsky é tão belo quanto a aridez das suas paisagens; se em northerners e em froth, povolotsky documenta o métier das gentes de murmansk num olhar meio que etnográfico mas incisivamente frio e perto da desolação, em blazh a desolação é total e aliada à alienação e ao tumulto interior em conflito intenso com a contenção; belíssimo |

15 de março de 2025

 


1995, La fille seule, Benoît Jacquot 


| la solitude | 


 Primeira coisa de jacquot que vejo, maravilhamento total! Se la fille seule não é uma obra-prima, anda lá perto, muito perto; num filme tão bressoniano quanto se pode ser, jacquot é exímio e soberbo na sua linguagem cinematográfica - na atenção ao detalhe, na perseguição à personagem (a belíssima ledoyen), no ritmo que imprime na tela, nos movimentos, nos raccords… é, portanto, na magistralidade da sua mise-en-scène que se dilata a sua narrativa, aí se encontram linguagem técnica e narrativa e se envolvem e se complementam; por isso que la fille seule resulta tão bem numa história relativamente simples duma jovem que decide ser mãe solteira, onde a genialidade de jacquot explora os detalhes (e é aí que a influência de bresson se declara abertamente) com os seus movimentos de câmara, explora o comportamento humano com os gestos, os olhares, os impulsos, etc; maravilhoso!




14 de março de 2025


 

| 2012, Simon killer, Antonio Campos |


a amoralidade como resposta ao caos interior…

13 de março de 2025


 

1977, Budapesti mesék, István Szabó 


Numa alegoria que vaticina, entre outras coisas, o destino da nação húngara, budapesti mesék analisa o comportamento humano de forma tão lírica quanto subjectiva; em meio à sua rudeza e à liberdade narrativa que faz da metáfora a sua cadência cardíaca, o filme de szabó fala da colectividade como força motriz da humanidade e da individualidade (e tudo o que ela traz de arrasto) como a sua grande ameaça.

 


Havia
uma palavra
no escuro.
Minúscula. Ignorada.

Martelava no escuro.
Martelava
no chão da água.

Do fundo do tempo,
martelava.
Contra o muro.

Uma palavra.
No escuro.
Que me chamava.

(Eugénio de Andrade)

12 de março de 2025

20 de dezembro de 2024


 

2024 


2023, Bên trong vỏ kén vàng, Phạm Thiên Ân 
2023, Cerrar los ojos, Victor Erice 
2023, Kuru Otlar Üstüne, Nuri Bilge Ceylan 
2023, Kuolleet lehdet, Aki Kaurismäki 
2023, As Filhas do Fogo, Pedro Costa 
2023, Musik, Angela Schanelec 
2023, Mal Viver/Viver Mal, João Canijo 
2023, Past Lives, Celine Song 
2023, Le procès Goldman, Cédric Kahn 
2023, Aku wa sonzai shinai, Ryûsuke Hamaguchi 
2023, La bête, Bertrand Bonello 
2024, Chime, Kiyoshi Kurosawa 
2023, Eureka, Lisandro Alonso 
2023, All of us strangers, Andrew Haigh 
2024, Verbrannte Erde, Thomas Arslan 



menção honrosa: 

2024, No other land, Yuval Abraham, Basel Adra, Hamdan Ballal, Rachel Szor

21 de agosto de 2024

 




a registar: 





2023, May december, Todd Haynes 
1969, Walden: Diaries Notes and Sketches, Jonas Mekas 
1937, Elephant boy, Robert J. Flaherty e Zoltan Korda 
1996, Dōng gōng xī gōng, Zhang Yuan 
2006, Kan shang qu hen mei, Zhang Yuan 
2023, Kunata no uta, Kyoshi Sugita 
2018, Ayka, Sergei Dvortsevoy 
2023, Jeanne du Barry, Maïwenn 
1961, Posse from hell, Herbert Coleman 
2015, Homeland (Iraq Year Zero), Abbas Fahdel 
2008, Dawn of the world, Abbas Fahdel 
2018, Yara, Abbas Fahdel 
2020, Bitter Bread, Abbas Fahdel 
1961, Barabbas, Richard Fleischer 
2020, Dashte khamoush, Ahmad Bahrami 
2023, Bên trong vỏ kén vàng, Phạm Thiên Ân 
2023, Cerrar los ojos, Victor Erice 
2023, Uriui haru, Hong Sang-soo 
2023, Maestro, Bradley Cooper 
2019, All this Victory, Ahmad Ghossein 
1967, Skupljaci perja, Aleksandar Petrovic 
1993, Kanehsatake 270 - Years of Resistance, Alanis Obomsawin 
1991, Schastlivye dni, Aleksey Balabanov 
1956, Le ballon rouge, Albert Lamorisse 
2013, At Berkeley, Frederick Wiseman 
2016, Lady Macbeth, William Oldroyd 
2023, Eileen, William Oldroyd 
1948, Sorry, Wrong Number, Anatole Litvak 
1991, Schöne gelbe Farbe, Angela Schanelec 
1992, Weit entfernt, Angela Schanelec 
1995, Das Glück meiner Schwester, Angela Schanelec 
1940, Semmelweis, André de Toth 
2020, Downstream to Kinshasa, Dieudo Hamadi 
2021, Természetes fény, Dénes Nagy 
1962, La guerre des boutons, Yves Robert 
1959, Compulsion, Richard Fleischer 
1936, Lang shan morrer xue ji, Fei Um 
2023, Kuru Otlar Üstüne, Nuri Bilge Ceylan 
2023, Kuolleet lehdet, Aki Kaurismäki 
2023, Matria, Álvaro Gago 
1946, Le dernier sou, André Cayatte 
1994, Ich bin den Sommer über in Berlin geblieben, Angela Schanelec 
1960, Les Vieux de la Vieille, Gilles Grangier 
2020, Gölgeler Içinde, Erdem Tepegöz 
1948, Hachi no su no kodomotachi, Hiroshi Shimizu 
1986, Nomads, John McTiernan 
2023, Le paradis, Zeno Graton 
1961, The children’s hour, William Wyler 
1959, Sudba cheloveka, Sergey Bondarchuk 
1970, Waterloo, Sergey Bondarchuk 
1975, Oni srazhalis za rodinu, Sergey Bondarchuk 
2023, Rapito, Marco Bellocchio 
2023, Le grand chariot, Philippe Garrel 
2023, Coup de chance, Woody Allen 
1964, Powszedni dzien gestapowca Schmidta, Jerzy Ziarnik 
1978, Cesarée, Marguerite Duras 
2023, Los delincuentes, Rodrigo Moreno 
1998, Plätze in Städten, Angela Schanelec 
2022, Trenque Lauquen, Laura Citarella 
2001, Mein langsames Leben, Angela Schanelec 
2004, Marseille, Angela Schanelec 
2023, The Palace, Roman Polanski 
2010, Orly, Angela Schanelec 
2016, Der traumhafte Weg, Angela Schanelec 
2017, Napalm, Claude Lanzmann 
1955, Soldier of fortune, Edward Dmytryk 
1959, Pork Chop Hill, Lewis Milestone 
2023, As Filhas do Fogo, Pedro Costa 
2023, Musik, Angela Schanelec 
1954, Siraa Fil-Wadi, Youssef Chahine 
1963, I basilischi, Lina Wertmüller 
1956, Between heaven and hell, Richard Fleischer 
1952, The narrow margin, Richard Fleischer 
1959, These Thousand Hills, Richard Fleischer 
1968, The Boston Strangler, Richard Fleischer 
2023, Mal Viver, João Canijo 
2023, Viver Mal, João Canijo 
1926, Yagodka lyubvi, Aleksandr Dovzhenko 
1927, Sumka dipkuryera, Aleksandr Dovzhenko 
1932, Ivan, Aleksandr Dovzhenko 
2023, Past Lives, Celine Song 
1935, Aerograd, Aleksandr Dovzhenko 
1957, Ill met by moonlight, Michael Powell e Emeric Pressburger 
1939, Bukovina, zemlya Ukrainskaya, Aleksandr Dovzhenko e Yuliya Solntseva 
1969, A mulher de todos, Rogério Sganzerla 
1932, American madness, Frank Capra 
1958, Akvarel, Otar Iosseliani 
1959, Sapovnela, Otar Iosseliani 
1961, Aprili, Otar Iosseliani 
1964, Tudzhi, Otar Iosseliani 
1988, Un petit monastère en Toscane, Otar Iosseliani 
1974, They Do Not Exist, Mustafa Abu Ali 
1977, Palestine in the Eye, Mustafa Abu Ali 
1966, Giorgobistve, Otar Iosseliani 
1943, Bitva za nashu Sovetskuyu Ukrainu (A luta pela nossa Ucrânia Soviética), Aleksandr Dovzhenko/Yakov Avdeyenko/Yuliya Solntseva 
1965, Granatovyy braslet, Abram Room 
1975, Pastorali, Otar Iosseliani 
1945, Pobeda na Pravoberezhnoy Ukraine i izgnanie nemetsikh zakhvatchikov za predely ukrainskikh sovietskikh zemel, Aleksandr Dovzhenko/Yuliya Solntseva 
1932, The Bitter Tea of General Yen, Frank Capra 
1976, Une vraie jeune fille, Catherine Breillat 
1951, Kekec, Jože Gale 
1989, Et la lumière fut, Otar Iosseliani 
1949, Michurin, Aleksandr Dovzhenko 
1948, State of the Union, Frank Capra 
1992, La chasse aux papillons, Otar Iosseliani 
2020, Ah Gözel Istanbul, Zeynep Dadak 
2020, Epicentro, Hubert Sauper 
2023, Între revoluții, Vlad Petri 
2017, Olegs krig, Simon Lereng Wilmont 
1996, Brigands, chapitre VII, Otar Iosseliani 
2023, Ferrari, Michael Mann 
2016, Frantz, François Ozon 
2015, Kalandar Soğuğu, Mustafa Kara 
2016, Alba, Ana Cristina Barragán 
1959, A hole in the head, Frank Capra 
1961, Pocketful of Miracles, Frank Capra 
2023, Marzhaye bi payan, Abbas Amini 
2016, Diamant noir, Arthur Harari 
2021, Onoda, 10 000 Nuits dans la Jungle, Arthur Harari 
2021, 1970, Tomasz Wolski 
2021, Anatomia, Aleksandra Jankowska 
2022, Tro tàn rực rỡ, Bùi Thạc Chuyên 
2023, Memory, Michel Franco 
2023, Le procès Goldman, Cédric Kahn 
2018, Waldheims Walzer, Ruth Beckermann 
1952, Fear and Desire, Stanley Kubrick 
2012, Stories we tell, Sarah Polley 
2019, Le daim, Quentin Dupieux 
2023, Yannick, Quentin Dupieux 
2001, Roberto Succo, Cédric Kahn 
2001, Wesh wesh, qu'est-ce qui se passe?, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2004, Feux rouges, Cédric Kahn 
2006, Bled Number One, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2008, Le dernier Maquis, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2011, Les chants de Mandrin, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2015, Histoire de Judas, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2021, Futura, Pietro Marcello\Francesco Munzi\Alice Rohrwacher
2019, Terminal Sud, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2022, Le gang des Bois du Temple, Rabah Ameur-Zaïmeche 
2011, Une vie meilleure, Cédric Kahn 
2018, La prière, Cédric Kahn 
2002, Lundi matin, Otar Iosseliani 
2003, Euzkadi été 1982, Otar Iosseliani 
1979, L'adolescente, Jeanne Moreau 
2019, The Forbidden Reel, Ariel Nasr 
1994, Le franc, Djibril Diop Mambéty 
1999, La petite vendeuse de soleil, Djibril Diop Mambéty 
1980, Neskolko dney iz zhizni I.I. Oblomova, Nikita Mikhalkov 
2001, Kairo, Kiyoshi Kurosawa 
1968, Nikudan, Kihachi Okamoto 
1943, Romanze in Moll, Helmut Käutner 
1999, Karisuma, Kiyoshi Kurosawa 
1989, War Requiem, Derek Jarman 
1986, Caravaggio, Derek Jarman 
1991, Edward II, Derek Jarman 
2023, Aku wa sonzai shinai, Ryûsuke Hamaguchi 
2023, Israelism, Erin Axelman & Sam Eilertsen 
1971, Family life, Ken Loach 
1979, Black Jack, Ken Loach 
1986, Fatherland, Ken Loach 
2003, Dopperugengā, Kiyoshi Kurosawa 
2003, Akarui Mirai, Kiyoshi Kurosawa 
2000, Kōrei, Kiyoshi Kurosawa 
1998, Kumo no hitomi, Kiyoshi Kurosawa 
1998, Ningen gôkaku, Kiyoshi Kurosawa 
2022, Le rêve et la radio, Renaud Després-Larose e Ana Tapia Rousiouk 
1977, Julia, Fred Zinnemann 
2006, Sakebi, Kiyoshi Kurosawa 
2016, Ambulance, Mohamed Jabaly 
2013, Sebunsu kôdo, Kiyoshi Kurosawa 
2013, Riaru: Kanzen naru kubinagaryû no hi, Kiyoshi Kurosawa 
1957, The hired gun, Ray Nazarro 
1989, In una Notte di Chiaro di Luna, Lina Wertmüller 
1961, Un nommé La Rocca, Jean Becker 
2022, Tytöt tytöt tytöt, Alli Haapasalo 
1967, Assatsu no mori: Takasaki keizai daigaku toso no kiroku, Shinsuke Ogawa 
2023, Trois Rives, Damien Cattinari 
2022, The United States of America, James Benning 
2017, Xiao cheng er yue, Qiu Yang 
2019, She runs, Qiu Yang 
1983, Silkwood, Mike Nichols 
1914, Dødsklokken, Alf Nielsen 
1988, Les possédés, Andrzej Wajda 
1969, Midnight Cowboy, John Schlesinger 
2021, La panthère des neiges, Marie Amiguet e Vincent Munier 
2017, Inxeba, John Trengove 
1977, Rolling Thunder, John Flynn 
1978, Goin' South, Jack Nicholson 
1977, Islands in the stream, Franklin J. Schaffner 
1967, Yerankyuni, Henrik Malyan 
1973, Hayrik, Henrik Malyan 
2001, Lavoura Arcaica, Luiz F. Carvalho 
1972, Kahdeksan surmanluotia, Mikko Niskanen 
2019, Canción sin nombre, Melina León 
1955, Ukigumo, Mikio Naruse 
2019, Advocate, Philippe Bellaiche e Rachel Leah Jones 
2023, Shashvi shashvi maq'vali, Elene Naveriani 
2016, Anashim Shehem Lo Ani, Hadas Ben Aroya 
2022, O Trio em Mi Bemol, Rita Azevedo Gomes 
2023, Le ravissement, Iris Kaltenbäck 
2023, La chimera, Alice Rohrwacher 
1968, The devil's brigade, Andrew V. McLaglen 
2023, Fremont, Babak Jalali 
1962, Da Li, Xiao Li he Lao Li, Jin Xie 
1974, Les femmes palestiniennes, Jocelyne Saab 
2023, Kubi, Takeshi Kitano 
2005, Mizu-no-hana, Yusuke Kinoshita 
2019, Öndög, Wang Quan'na 
1965, Mizu de kakareta monogatari, Yoshishige Yoshida 
1945, The body snatcher, Robert Wise 
1964, Lilith, Robert Rossen 
1990, Hidden Agenda, Ken Loach 
1972, The Cowboys, Mark Rydell 
1991, Avstriyskoe pole, Andrei Chernykh 
1971, Emitaï, Ousmane Sembène 
1975, Xala, Ousmane Sembène 
2023, La bête, Bertrand Bonello 
1981, Dina e Django, Solveig Nordlund 
1972, The visitors, Elia Kazan 
2015, Kishibe no tabi, Kiyoshi Kurosawa 
2016, Le secret de la chambre noire, Kiyoshi Kurosawa 
2016, Kurîpî: Itsuwari no rinjin, Kiyoshi Kurosawa 
2017, Sanpo suru shinryakusha, Kiyoshi Kurosawa 
2024, Chime, Kiyoshi Kurosawa 
1966, Kawachi Karumen, Seijun Suzuki 
2023, Eureka, Lisandro Alonso 
2023, Nocturno para uma floresta, Catarina Vasconcelos 
2011, Sukhodol, Aleksandra Strelyanaya 
2023, All of us strangers, Andrew Haigh 
1932, La nuit du carrefour, Jean Renoir 
1959, Le testament du Docteur Cordelier, Jean Renoir 
2022, Unrueh, Cyril Schäublin 
2021, Una escuela en Cerro Hueso, Betania Cappato 
2024, No other land, Yuval Abraham\Basel Adra\Hamdan Ballal\Rachel Szor 
2023, Slimane, Carlos Pereira 
1962, LaFayette, Jean Dréville 
1961, Banditi a Orgosolo, Vittorio De Seta 
2019, Il varco, Michele Manzolini e Federico Ferrone 
2023, Daaaaaalí!, Quentin Dupieux 
1983, The Osterman weekend, Sam Peckinpah 
2018, Fuga, Agnieszka Smoczyńska 
2023, Zielona granica, Agnieszka Holland 
1987, Der Tod des Empedokles oder: Wenn dann der Erde Grün von neuem Euch erglänzt, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet 
2014, Jimmy's hall, Ken Loach 
2013, The spirit of '45, Ken Loach 
2023, Shrooms, Jorge Jácome 
1943, The North Star, Lewis Milestone 
2021, Afternoon Landscape, Sohn Koo-Yong 
1994, Du li shi dai, Edward Yang 
1954, L'air de Paris, Marcel Carné 
1944, Bluebeard, Edgar G. Ulmer 
1966, Beregis avtomobilya, Eldar Ryazanov 
1946, The man I love, Raoul Walsh 
1939, The roaring twenties, Raoul Walsh 
1931, La chienne, Jean Renoir 
1957, The night runner, Abner Biberman 
1933, Sons of the desert, William A. Seiter 
1980, Cruising, William Friedkin 
2023, Skunk, Koen Mortier 
1986, Manhunter, Michael Mann 
1981, Thief, Michael Mann 
1952, Red Ball Express, Budd Boetticher 
1969, The rain people, Francis Ford Coppola 
1986, Kuryer, Karen Shakhnazarov 
1961, Blast of silence, Allen Baron 
2023, La passion de Dodin Bouffant, Tran Anh Hung 
2015, Twenty Two, Ke Guo 
1960, Dama s sobachkoy, Iosif Kheifits 
1972, Liza, Marco Ferreri 
1969, Bratya Karamazovy, Ivan Pyrev\Mikhail Ulyanov\Kirill Lavrov 
2020, In Search of Walt Whitman, Andrew D. Kaplan 
2010, Im Schatten, Thomas Arslan 
2001, Der schöne Tag, Thomas Arslan 
2006, Aus der ferne, Thomas Arslan 









 revisões: 




1924, Aelita, Yakov Protazanov 
2007, Nachmittag, Angela Schanelec 
2019, Ich war zuhause, aber, Angela Schanelec 
2004, Vera Drake, Mike Leigh 
1946, A Matter of life and death, Michael Powell e Emeric Pressburger 
1970, Iko shashvi mgalobeli, Otar Iosseliani 
1973, Scenes of the Occupation from Gaza, Mustafa Abu Ali 
1975, One flew over the cuckoo’s nest, Milos Forman 
1978, The deer hunter, Michael Cimino 
1999, Adieu, plancher des vaches!, Otar Iosseliani 
1993, A Perfect World, Clint Eastwood 
1975, Il messia, Roberto Rossellini 
1927, The King of Kings, Cecil B. DeMille 
1957, Il grido, Michelangelo Antonioni 
1966, Cathy come home, Ken Loach 
1991, Riff-Raff, Ken Loach 
1994, Ladybird Ladybird, Ken Loach 
1996, Carla's song, Ken Loach 
1993, Raining Stones, Ken Loach 
1998, My Name Is Joe, Ken Loach 
2000, Bread and Roses, Ken Loach 
1995, Land and Freedom, Ken Loach 
1974, Alice doesn't live here anymore, Martin Scorsese

26 de julho de 2024

 









1961, Banditi a Orgosolo, Vittorio De Seta 



| de um tempo em que o neo-realismo italiano caminhava já para o definhamento, de seta dá ao mundo uma obra-prima que abarca não só todo um universo bíblico como antropológico, etnográfico, etc; à semelhança de outras obras-primas com o mesmo formalismo e a mesma linguagem cinematográfica, la terra trema de visconti ou finis terrae do epstein, banditi oscila entre a documentalidade e a dramaturgia onde por vezes se esforça mais por registar os ritos e o próprio métier bucólico; no entanto, banditi a orgosolo reclama para si todo o fatalismo e toda a condenação do mundo, rejeita qualquer redenção, bem pelo contrário, e toda e qualquer estase... sucumbe-se à perdição... magnífico |
















2019, Il varco [Michele Manzolini, Federico Ferrone] 




| documentário com 98 ou 99% de imagens de arquivo, narrado por um anónimo soldado italiano em tempos de plena segunda grande guerra, deslocado para a frente oriental, mais concretamente para a ucrânia, o filme tem essa particularidade de mostrar o lado vencido, as memórias dos algozes, os italianos seguem assim os alemães na invasão aos russos naquilo que seria o início da queda germânica; o ambiente do filme, além de desolador e melancólico, é também lírico mas ao mesmo tempo lúcido, o soldado já experiente em guerra, vindo de áfrica, mostra medo apesar do optimismo geral, apesar do aparente caos soviético, desde o início ao fim é expresso o desejo de voltar a casa, como sendo um sonho longínquo e utópico; no entanto, é na procura do paralelismo com a actualidade - 2018, guerra civil ucraniana em curso -, que me parece residir o principal intuito de il varco, é aí que são evocados fantasmas do passado e assim adquire contornos mais fantasmáticos e desoladores, é aí que o sofrimento humano se dilata no tempo para se perpetuar naquele espaço; uma lancinante imersão na negrura de uma página da história da humanidade | 















2023, Zielona granica, Agnieszka Holland 




| o que fica de green border, filme político que "mete o dedo na ferida" e que, como objecto cinematográfico, está bem composto de gatilhos emocionais e de facilitismos narrativos, é o final onde se denuncia a distinção das medidas políticas polacas, e consequente actuação das patrulhas fronteiriças, entre as fronteiras com a bielorrússia e com a ucrânia | 
















1994, Du li shi dai, Edward Yang 




| uma das coisas magistrais e absolutamente deliciosas em uma confusão confuciana do yang é o seu satirismo e a sua comicidade residirem à superfície, escondendo (ou tentando) o melodrama e o romantismo... fabuloso | 

















 L'air de Paris [Marcel Carné, 1954] 




| l'air de paris é coisa ambivalente, carnéana no seu sentido pleno, tão lírico quanto realista, é no amor que a ambiguidade se confunde com ambivalência, há o boxe e há as mulheres, mas também há uma relação muito próxima de victor com andré que tanto ciúme suscita a blanche, onde muitos lêem uma hipotética ou sugestionada homossexualidade; falando em leituras, se à superfície l'air de paris se traduz no amor de dois homens pelo boxe e na entreajuda (e na troca de favores, um treina e dá "asilo" e o outro pode dar a glória não só ao próprio como ao treinador que passou uma vida em busca disso), lá no fundo deste pungente e feérico petardo sobre as frustrações humanas, reside a ânsia desesperada da libertação, o boxe como metáfora ou veículo desse sentido libertário daquilo que molda e transforma o ser humano, a sociedade |

















1944, Bluebeard, Edgar G. Ulmer 


| em bluebeard, conto terrifico tantas vezes adaptado ao grande ecrã, o mais interessante nesta versão de ulmer, cineasta que nos ofereceu coisas mais série b, é a sua subtileza com que desenvolve a trama, assim como a sua veia expressionista que atinge picos de beleza no seu final |

















| a luz que emerge das trevas | 


1946, The man I love, Raoul Walsh 


"We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars." (Oscar Wilde) 


















1939, The roaring twenties, Raoul Walsh



| há em the roaring twenties, outro dos sumptuosos walshes, uma oscilação quase orgásmica da descida ao orco e da subida ao éden, oscilação que tem lugar não só em eddie, numa das grandes interpretações de cagney, como naquela américa economicamente inflacionária do pós-guerra que tanto se vira para uma lei seca próspera no contrabando como enfrenta um crash da bolsa; a primeira descida ao orco, vertiginosa e inevitável, é a primeira guerra mundial, ponto de partida de roaring twenties, é logo aí que conhecemos a tripla que me fez lembrar (não obstante todas as suas diferenças), a tripla que lá pelos anos sessenta, sergio Leone criou para o seu bom, mau e o vilão, é naquele buraco onde se abrigam das bombas inimigas que os destinos daqueles três homens se encontram e se irão interligar; mas dizia eu, a oscilação parte dessa descida ao hades na guerra para no retorno a casa a oportunidade do crime organizado na lei seca o levar ao éden, ou pelo menos ao que se lhe assemelhe no mundano com toda a ilusão que o poder apresenta e com todo o glamour que os filmes de gangsters dos anos trinta detinham (a paixão ou o amor atingem-no e durante a ilusão da conquista amorosa há de facto, em eddie, essa felicidade paradisíaca), e é após o crash da bolsa de vinte e nove que o ciclo oscilatório se completa com o retorno ao orco; no meio dessa vertiginosa viagem trevosa que inicia naquele buraco em mil novecentos e dezoito para não mais encontrar a luz - talvez naquele final redentor se vislumbre uma sacralidade e uma subida ao verdadeiro éden -, encontramos a mestria de walsh e as suas escolhas narrativas na jornada de ascenção e queda social que as escolhas daqueles três "camaradas" de guerra trazem nos anos vinte duma américa em ebulição |