3 de fevereiro de 2023


 

2013, Feng-ai, Wang Bing

Til madness do us apart é, talvez, das coisas mais acutilantes do Bing, mais corrosivas... quem quiser novelas, quem quiser enredos novelisticos e entretenimentos baratos "à la hollywood", quem quiser coisa pirotécnica, coisa circense ou à videogame ou videoclip, por favor não veja este filme, nem qualquer outro do Bing... isto é cinema verité, mas dum verité que transcende qualquer ideia de reality show [comparação tão limitadora e reveladora da incompreensão do cinema observacional de Bing (e doutros como Bing)], assim como transcende qualquer manifesto político ou social. Wang Bing, com o seu estilo observacional directo e cru, cria um intimismo do espectador com o objecto observado que causa desconforto, humaniza o desumano. De facto, há em Bing o mesmo que há em Costa, a mesma forma de trabalhar e de "tratar o personagem", a mesma crueza na exposição do que se filma e ao mesmo tempo a mesma distância ética que carrega consigo, o mesmo espaço e liberdade do que se filma... volto a dizer, quem quiser nolans ou spielbergs ou shyamalans não veja Til madness do us apart.

1 de janeiro de 2023


 

2022


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2020, Luz nos Trópicos, Paula Gaitán
2017, Bamui haebyun-eoseo honja, Hong Sang-Soo
2020, Domangchin yeoja, Hong Sang-Soo
2021, Tre piani, Nanni Moretti
2021, Memoria, Apichatpong Weerasethakul
2015, Happî awâ, Ryûsuke Hamaguchi
2021, The power of the dog, Jane Campion
2021, Doraibu mai kâ, Ryûsuke Hamaguchi
2020, Guerra, José Oliveira e Marta Ramos 
2013, História de la meva mort, Albert Serra 
2017, Zama, Lucrecia Martel 
2005, Tian bian yi duo yun, Tsai Ming-Liang 
2011, Nana, Valérie Massadian 
2017, Columbus, Kogonada 
2008, Tokyo Sonata, Kiyoshi Kurosawa 
2014, The Salto f the Earth, Wim Wenders e Juliano Salgado 
2018, Den’ Pobedy, Sergei Loznitsa 
2021, Il Buco, Michelangelo Frammartino 
2004, Nastroyshchik, Kira Muratova 
2009, Melodiya dlya sharmanki, Kira Muratova 
2013, Rol, Konstantin Lopushanskiy 
2021, Un Monde, Laura Wandel 
2021, Jia ting lu xiang, Qiong Wang 
2020, Supai no tsuma, Kiyoshi Kurosawa 
2007, The Walker, Paul Schrader 
2021, Jaddeh Khaki, Panah Panahi 
2000, Sanan, Rafi Pitts 
2021, Benediction, Terence Davies
2003, L'esquive, Abdellatif Kechiche 
2013, La vie d’Adèle, Abdellatif Kechiche 
2017, Mektoub, My Love: Canto Uno, Abdellatif Kechiche 
2017, Buğday, Semih Kaplanoğlu 
2019, Bağlilik Asli, Semih Kaplanoğlu 
2021, Bağlilik Hasan, Semih Kaplanoğlu 
2022, An Cailín Ciúin, Colm Bairéad 
2019, It Must Be Heaven, Elia Suleiman 
2021, Mr. Landsbergis, Sergei Loznitsa 
2021, Babi Yar. Context, Sergei Loznitsa 
2022, Crimes of the Future, David Cronenberg 




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1919, J’accuse, Abel Gance 
1960, Hadaka no shima, Kaneto Shindô 
1945, Les enfants du paradis, Marcel Carné 
1938, Le quai des brumes, Marcel Carné 
1939, Le jour se lève, Marcel Carné 
1942, Les visiteurs du soir, Marcel Carné 
1957, The Tarnished Angels, Douglas Sirk 
1973, Ana y los lobos, Carlos Saura 
1959, Deux hommes dans Manhattan, Jean-Pierre Melville 
1941, Remorques, Jean Grémillon 
1958, Ascenseur pourn l’échafaud, Louis Malle 
1937, Pépé le Moko, Julien Duvivier 
1995, Do lok tin si, Wong Kar-Wai 
1936, La Belle Equipe, Julien Duvivier 
1939, La fin du jour, Julien Duvivier 
1991, Jacquot de Nantes, Agnès Varda 
1946, Panique, Julien Duvivier 
1972, Kozijat rog, Metodi Andonov 
1988, Krótki film o zabijaniu, Krzysztof Kieslowski 
1928, Zemlya v plenu, Fyodor Otsep 
1983, Sredi serykh kamney, Kira Muratova 
1969, O Anjo Nasceu, Júlio Bressane 
1943, Lumière d'été, Jean Grémillon 
1951, L’étrange Madame X, Jean Grémillon 
1939, Ninotchka, Ernst Lubitsch 
1951, Cielo Negro, Manuel Mur Oti 
1963, Vidas Secas, Nelson Pereira dos Santos 
1945, They were expendable, John Ford 
1964, Noite Vazia, Walter Hugo Khouri 
1965, Shunpu den, Seijun Suzuki 
1947, Nagaya Shinshiroku, Yasujirô Ozu 
1948, The Red Shoes, Michael Powell e Emeric Pressburger 
1951, The Tales of Hoffmann, Michael Powell e Emeric Pressburger 
1965, A Falecida, Leon Hirszman 
1960, The Criminal, Joseph Losey 
1953, Koibumi, Kinuyo Tanaka 
1955, Tsuki wa noborinu, Kinuyo Tanaka 
1955, Chibusa yo eien nare, Kinuyo Tanaka 
1961, Onna bakari no yoru, Kinuyo Tanaka 
1993, Lan feng zheng, Tian Zhuangzhuang 
1998, L’ennui, Cédric Kahn 
1976, Mr. Klein, Joseph Losey 
1997, Affliction, Paul Schrader 
1992, Light Sleeper, Paul Schrader 
1923, La Roue, Abel Gance 
1972, Fratello sole, sorella luna, Franco Zeffirelli 
1960, Austerlitz, Abel Gance 
1978, Ciao Maschio, Marco Ferreri 
1965, Sevmek Zamani, Metin Erksan 
1994, Tikhie stranitsy, Aleksandr Sokurov 
1950, House by the river, Fritz Lang

30 de dezembro de 2022


 

2021, Babi Yar. Context, Sergei Loznitsa


de notar que Loznitsa evita a demasiada exposição da organização nacional ucraniana (o envolvimento ou colaboracionismo é apenas referido e não explorado, sem que se deixe de realçar as ordens alemãs) e parece, ao invés, sugerir ou talvez aludir a uma culpa "nacional", são mesmo as palavras de Loznitsa a referir que os judeus foram massacrados sem resistência do povo... Mas mais que a sugestão de culpa, Loznitsa parece querer mostrar (ou sugerir) um colaboracionismo não só das milícias nacionais ucranianas (os tais bandeiristas), bem como da população... cronologicamente, Loznitsa mostra-nos a recepção calorosa e em clima de festa dos populares de Lvov aos alemães, nomeadamente uma faixa onde se inscrevia "viva Hitler" ou coisa semelhante, mostra o já prenúncio do que sofreriam os judeus quando, como retaliação a um massacre na prisão de Lvov pelos soviéticos antes de abandonarem a cidade, os tais nacionalistas culpam e massacram os judeus, para depois se centrar na figura de Hans Frank, o governador alemão e na sua (na representatividade alemã) "comunhão" com o povo. Pelo meio ainda mostra a "absolvição" de prisioneiros soviéticos (ucranianos) ao serem entregues às respectivas esposas e/ou pais... Ainda assim, não há ali uma condenação explícita quer ao povo ucraniano quer à tal organização dos nacionalistas ucranianos, há uma sugestão perante os factos, há citações (uma de Vassily Grossman) e outra dum jornal local de Kiev que (fiquemo-nos por alusão) aludem a uma culpa e a um colaboracionismo do povo ucraniano. Culmina nos julgamentos e nas execuções de alguns soldados nazis. Babi Yar é uma reconstituição histórica aprimorada (imagens tratadas, som feito) duma zona geográfica que raramente é mencionada nos livros ou menções do Holocausto e que foi palco de um dos maiores genocídios da história. Não é por acaso que Loznitsa é, actualmente, um dos melhores documentaristas do mundo.

21 de dezembro de 2022


 

An Cailín Ciúin, Colm Bairéad, 2022


Baseado no conto de Claire Keegan, Foster, An Cailín Ciúin é uma fábula comovente que fala de afecto, e da falta dele. Mas o mais interessante em An Cailín Ciúin é a forma como Colm Bairéad filma este seu filme de estreia (uma vista de olhos pelo imdb mostra-nos que os trabalhos anteriores são sobretudo em televisão).
Numa família numerosa e disfuncional, quatro filhas e um quinto a caminho, Cáit é uma criança introvertida que acusa falta de atenção e de afecto, coisa que irá encontrar na sua jornada em casa de uns “pais adoptivos” enquanto a mãe tem o quinto filho.
An Cailín Ciúin é coisa neorealista, mas dum realismo efabulado e lírico, voga pelas águas da perda, da carência e do amor como sentimentos mais fortes e mais valorosos que a inveja, a mesquinhez e o menosprezo. E isto tudo filmado por Bairéad num tom cinzento e sombrio, frio e austero, numa alusão não só à disfuncionalidade da família e da tragédia “assombrada” do passado que irá “descobrir” no seio daquele casal (Eibhlín e Seán), como também, parece-me, à própria identidade cultural daquela Irlanda (e todo o “mundo” british) negra e fria. Maravilhoso.

19 de dezembro de 2022

2003, L'Esquive

2007, La graine et le mulet

2013, La vie d'Adèle

2017, Mektoub, My Love: Canto Uno



O cinema de Abdellatif Kechiche é coisa que vive do ritmo, como se de uma dança se tratasse (e Mektoub é literalmente uma dança), é coisa directa e palavrosa, mas sem rodeios, sem se perder ou se aventurar em pretensiosismos ou deambulações filosóficas... não, o cinema de Kechiche vive do realismo, das relações interpessoais, da líbido, da sedução e da auto-descoberta dos seus personagens, vive do ritmo vertiginoso da acção, do naturalismo, dos corpos, dos planos e dos travellings “erotizados”... goste-se ou não, o cinema de Kechiche é uma lufada de ar fresco e de qualidade indubitável.

7 de dezembro de 2022



 

1972, Fratello sole, sorella luna, Franco Zeffirelli
2000, Sanam, Rafi Pitts


Duas das últimas coisas vistas são petardos assombrosos e abismais da sétima arte, tão diferentes quanto transcendentais e líricas (cada um à sua maneira), perduram na memória desafiando a perpetuidade… Sanam é coisa tão pungente quanto as vias sacras mais penosas da história, coisa realista e crua que se depara com a irascibilidade da perda e da injustiça social, retracto socioeconómico e alienatório daquela gente e em particular daquela criança que, mais que a perda paterna, enfrenta a estigmatização da difamação dessa figura paterna já ida para “o outro mundo”… já Fratello sole, sorella luna do italiano Zeffirelli é coisa trovadora, duma trova tão leda quanto sacra e capaz de nos transportar no tempo, é coisa bucólica e mediúnica (não apenas teológica), navega na palavra e no sermão para nos trazer o amor fraternal e a alegria da simplicidade e da renúncia à riqueza e ao materialismo. Filmes assombrosos!

12 de novembro de 2022

 Sobre o Papagaio de papel azul do Tian Zhuangzhuang:

A geração perdida – Câmara Escura

http://blogues.publico.pt/camaraescura/2012/09/19/a-geracao-perdida/

7 de novembro de 2022


 


a registar:


1984, Cabra marcado para morrer, Eduardo Coutinho
1983, Sredi serykh kamney, Kira Muratova
1987, Peremena uchasti, Kira Muratova
2005, Spravka, Kira Muratova
1999, Pismo x Ameriku, Kira Muratova
1966, Bethânia Bem de Perto – A Propósito de um Show, Júlio Bressane
1969, O Anjo Nasceu, Júlio Bressane
2014, The Salto f the Earth, Wim Wenders e Juliano Salgado
2016, Toni Erdmann, Maren Ade
1983, La Ville des Pirates, Raúl Ruiz
1994, Uvlecheniya, Kira Muratova
1945, A song to remember, Charles Vidor
2018, Den’ Pobedy, Sergei Loznitsa
1944, Le ciel est à vous, Jean Grémillon
1943, Lumière d'été, Jean Grémillon
1997, Tri istorii, Kira Muratova
2001, Vtorostepennye lyudi, Kira Muratova
2002, Chekhovskie motivy, Kira Muratova
2021, Il Buco, Michelangelo Frammartino
2004, Nastroyshchik, Kira Muratova
2007, Dva v odnom, Kira Muratova
2009, Melodiya dlya sharmanki, Kira Muratova
2012, Vechnoe vozvrashchenie, Kira Muratova
1951, L’étrange Madame X, Jean Grémillon
1953, L’amour d’une femme, Jean Grémillon
2021, Writing with fire, Sushmit Ghosh e Rintu Thomas
1939, Ninotchka, Ernst Lubitsch
1995, La cérémonie, Claude Chabrol
2021, Lili Alone, Zou Jing
1951, Cielo Negro, Manuel Mur Oti
1953, Condenados, Manuel Mur Oti
2016, Posto Avançado do Progresso, Hugo Vieira da Silva
2013, Rol, Konstantin Lopushanskiy
2021, Un Monde, Laura Wandel
1963, Vidas Secas, Nelson Pereira dos Santos
1955, Orgullo, Manuel Mur Oti
1935, Golgotha, Julien Duvivier
2021, Jia ting lu xiang, Qiong Wang
1942, Went the day well?, Alberto Cavalcanti
1945, They were expendable, John Ford
1945, The Story of GI Joe, William A. Wellman
1969, Play Dirty, André De Toth
1964, Noite Vazia, Walter Hugo Khouri
1949, Lang ist der Weg, Herbert B. Fredersdorf e Marek Goldstein
1965, Shunpu den, Seijun Suzuki
1966, Tôkyô nagaremono, Seijun Suzuki
1965, Irezumi ichidai, Seijun Suzuki
1947, Nagaya Shinshiroku, Yasujirô Ozu
1948, The Red Shoes, Michael Powell e Emeric Pressburger
1951, The Tales of Hoffmann, Michael Powell e Emeric Pressburger
1943, For whom the bells tolls, Sam Wood
1932, Grand Hotel, Edmund Goulding
1965, A Falecida, Leon Hirszman
1960, The Criminal, Joseph Losey
1962, The Manchurian Candidate, John Frankenheimer
2020, Supai no tsuma, Kiyoshi Kurosawa
1953, Koibumi, Kinuyo Tanaka
1955, Tsuki wa noborinu, Kinuyo Tanaka
1955, Chibusa yo eien nare, Kinuyo Tanaka
1960, Ruten no ôhi, Kinuyo Tanaka
1961, Onna bakari no yoru, Kinuyo Tanaka
1962, Ogin-sama, Kinuyo Tanaka




Revisões:


1995, Sense and Sensibility, Ang Lee
1979, Stalker, Andrei Tarkovsky
2011, A torinói ló, Béla Tarr
1930, Madam Satan, Cecil B. DeMille
1964, The fall of the Roman Empire, Anthony Mann
1944, Double Indemnity, Billy Wilder
1940, They drive by night, Raoul Walsh
1966, The Bible: In the Beginning…, John Huston