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20 de fevereiro de 2011
15 de janeiro de 2011
二十四城記 "Er shi si cheng ji" (2008)
Zhang Ke Jia

24 City (título inglês) é filme de vidas, de estórias de vidas, do presente em confronto com o passado. Nostalgia. O fim daquela fábrica de aeronáutica que faz aquelas pessoas revisitar o passado, as feridas abertas (ou saradas) daquela gente. Estórias de sobrevivência, estórias de um tempo (ou de vários), de construções de vida no pós-revolução cultural chinesa. Er shi si cheng ji deambula entre o documentário de tom operático e a ficção das memórias daquela gente (das suas vidas). O percurso daquela fábrica, que durante várias gerações alimentou vidas e memórias, vai acabar na sua demolição projectando já naquele local um complexo e luxuoso centro comercial e habitacional.
O que se percebe (e volta a perceber) nos filmes de Zhang Ke Jia é a procura dessas memórias. Porque essas memórias vivem não só nas pessoas mas lá, naquelas fábricas. Por isso não é só a fábrica que é demolida, são as memórias daquela gente, as vidas que por ali passaram. E o chinês como que procura imortalizar aquelas memórias. Já em Still Life o fizera, em The World idem aspas. Parece-me que a ideia é essa, mesmo que exista também uma procura de realçar a condição económica desse outrora, a oscilação do desenvolvimento económico e político, a causa/efeito (nas pessoas e na fábrica) desse panorama social e político do pós-revolução cultural.
Zhang Ke Jia

24 City (título inglês) é filme de vidas, de estórias de vidas, do presente em confronto com o passado. Nostalgia. O fim daquela fábrica de aeronáutica que faz aquelas pessoas revisitar o passado, as feridas abertas (ou saradas) daquela gente. Estórias de sobrevivência, estórias de um tempo (ou de vários), de construções de vida no pós-revolução cultural chinesa. Er shi si cheng ji deambula entre o documentário de tom operático e a ficção das memórias daquela gente (das suas vidas). O percurso daquela fábrica, que durante várias gerações alimentou vidas e memórias, vai acabar na sua demolição projectando já naquele local um complexo e luxuoso centro comercial e habitacional.
O que se percebe (e volta a perceber) nos filmes de Zhang Ke Jia é a procura dessas memórias. Porque essas memórias vivem não só nas pessoas mas lá, naquelas fábricas. Por isso não é só a fábrica que é demolida, são as memórias daquela gente, as vidas que por ali passaram. E o chinês como que procura imortalizar aquelas memórias. Já em Still Life o fizera, em The World idem aspas. Parece-me que a ideia é essa, mesmo que exista também uma procura de realçar a condição económica desse outrora, a oscilação do desenvolvimento económico e político, a causa/efeito (nas pessoas e na fábrica) desse panorama social e político do pós-revolução cultural.
11 de agosto de 2010
Sanxia Haoren - Still Life (2006)
Sanxia Haoren é poderosíssimo. Território de mestres (Tarkovsky, Tarr, Fassbinder, Angelopoulos, Ford…) revisitado. Falo da arte de filmar que Zhang Ke Jia revela, da mise-en-scène que me surpreendeu e conquistou completamente. Sanxia Haoren é inaudito nesse aspecto, repleto de planos-sequência absolutamente fenomenais (o do início é formidável) e com uma contemplação que evoca os quatro mestres referidos acima (Ford excluído nesse aspecto). Minimalista como Bresson o seria. Visualmente e sonoramente arrebatador. Lento e atento a cada detalhe com uma profundidade de campo à Ford. E lembrei-me de Ceylan.
Além dessa arte de filmar tão evidenciada, há que salientar (como diria aqui o João) o sentimento de perda que o filme extravasa. O espaço, a relação espácio-temporal que se assume aqui é comum a uma China em desenvolvimento. O progresso. Isso está bem vincado durante o filme todo. Aquela gente, aqueles prédios em desconstrução continua, aquele mundo a simbolizar o fim do comunismo e o início do capitalismo e consumismo. Sim (voltando ao João), aquelas imagens trazem uma certa nostalgia, aquele mundo decrépito que aos poucos se vai abatendo e sendo substituído pela “nova China”. Esses prédios são as memórias e as suas demolições trazem o esquecimento. A melancolia dessa nova China. E que bela China que Zhang Ke Jia filma.
O mais importante em Sanxia Haoren é a passagem do passado para o presente, o que era e o que é, o que foi e o que será. O que o cineasta quer é reflectir no fim e início de algo. Uma nova vida, uma nova China. Por isso as duas histórias do filme tão similares a toda a temática fundamental da obra. A evolução. Porque esta evolução dá-se não só nesta China que Zhang Ke Jia quer mostrar como também naquele casamento já sem sentido ao qual aquela mulher põe termo. E o mesmo para aquele homem que busca incessantemente pela mulher e a filha que já não vê há mais de dez anos. E no meio destas duas histórias está um olhar sobre as consequências do progresso, está a reflexão de como essa evolução afectou a vida das pessoas. E daí essa estranha nostalgia que Still Life emana, o tal sentimento de perda comum às personagens e à realidade dessa China renovada.
Zhang Ke Jia filma uma China melancólica e nostálgica. Mas acima de tudo, filma de forma bela e poética. E por mais que o cineasta consiga criar duas histórias que se complementam perfeitamente, por mais que se faça usar dum simbolismo permanente nesse olhar melancólico sobre a sua China, o mais importante em Sanxia Haoren é a sua mise-en-scène e toda a contemplação e naturalismo inerente. Poderosíssimo é mesmo a palavra certa. Grande filme.
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Porque o cinema sempre me acompanhará para onde quer que vá. Até qualquer dia companheiros.