Fantasia, puro cinema fantástico. Mas uma fantasia de qualidade, um cinema que poucos conseguem criar tão bem como Gilliam. Burton é outro do nível de Gilliam, mas há poucos, muito poucos. E The Imaginarium of Doctor Parnassus é um filme brilhante nesse aspecto. Mas o filme de Gilliam estende-se a um moralismo simples mas inquestionável. Lembro-me bem de ouvir a minha avózinha dizer Quem brinca com o fogo queima-se e aqui Gilliam retracta bem esse provérbio com o diabo a substituir o fogo (que é quase a mesma coisa, supostamente). E, embora The Imaginarium of Doctor Parnassus seja um filme fantástico e que assenta a sua grande aposta/trunfo nessa vertente visual e sonora, é essa moralidade que o distingue e o supera de filmes como Avatar. Porque o cinema fantástico também tem o seu lugar na história da sétima arte, desde que seja de qualidade.