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6 de dezembro de 2009

Das Weiße Band (2009)

Um filme de Michael Haneke





















Primeiramente que tudo, não é o melhor filme de Haneke. Segundo, desilude um pouco não por ser mau mas por se esperar mais do vencedor da Palma de Ouro.
O filme não engana, é Haneke, puro Haneke. A frieza, o estilo do austríaco continua bem presente do início ao fim desta sua última obra. E pessimista, muito. Um pessimismo para com a sociedade, a igreja, a religião, a educação, enfim, sobretudo um pessimismo à Haneke para com o ser humano. O filme, quanto a mim, peca sobretudo pelo uso exacerbado da “calma”. Todos os personagens do filme transpiram calma, tranquilidade numa história que assim não o permite. Nem são os silêncios constrangedores que Haneke filma ou o ambiente austero e rígido daquela comunidade, mas sim essa calma que transborda para o ecrã, essa falta de “energia” que Haneke cria, esses tempos mortos numa história que proclama por mais vida. Porque de resto é um grande filme. O medo, o terror psicológico bem característico do cineasta está lá. E percebe-se o porquê de Haneke filmar a preto e branco, o propósito de o usar como metáfora ao obscurantismo religioso, como alegoria ao fanatismo cristão em que a sociedade da época estava mergulhada. “Das Weiße Band” é essencialmente o relato de uma época, de uma mentalidade, de uma imposição social. E no fim fica o mistério (embora tenha as minhas suspeitas e tudo indique para a teoria do narrador), fica o enigma por resolver.

7 de agosto de 2009

Caché (2005)

Um filme de Michael Haneke





Michael Haneke já provou ser um mestre em filmar a violência. Mas Haneke não filma a violência física, por vezes nem mostra sangue sequer. Não, Haneke filma a violência psicológica, o medo. E nesse aspecto, tanto este como “Funny Games” e “Code Inconnu: Récit Incomplet de Divers Voyages” são exímios.
Neste “Caché”, Haneke serve-se de um argumento com uma simplicidade admirável para criar um filme complexo e espantoso sobre o medo, sobre a sociedade (neste caso a francesa) e sobre o choque de culturas. Mais do que a intenção de Haneke em explorar esse lado social, o austríaco pretende fazer uma crítica à vida nas grandes cidades, ele pretende explorar os perigos duma metrópole e no caso de Georges, o cineasta incide ainda no factor “figura pública”. Mas Haneke não se fica por aí, o título “Caché”, traduzindo resulta em Escondido, tem nesta obra uma dualidade de significados. Porque além de se relacionar directamente com o sujeito que não se deixa apanhar nem descobrir e que envia as cassetes, Haneke faz também alusão aos segredos do casamento, aos segredos que tanto Georges como Anne parecem deter.
“Caché” é indubitavelmente uma obra brilhante de Michael Haneke.