Um filme de Michael Haneke
Primeiramente que tudo, não é o melhor filme de Haneke. Segundo, desilude um pouco não por ser mau mas por se esperar mais do vencedor da Palma de Ouro.
O filme não engana, é Haneke, puro Haneke. A frieza, o estilo do austríaco continua bem presente do início ao fim desta sua última obra. E pessimista, muito. Um pessimismo para com a sociedade, a igreja, a religião, a educação, enfim, sobretudo um pessimismo à Haneke para com o ser humano. O filme, quanto a mim, peca sobretudo pelo uso exacerbado da “calma”. Todos os personagens do filme transpiram calma, tranquilidade numa história que assim não o permite. Nem são os silêncios constrangedores que Haneke filma ou o ambiente austero e rígido daquela comunidade, mas sim essa calma que transborda para o ecrã, essa falta de “energia” que Haneke cria, esses tempos mortos numa história que proclama por mais vida. Porque de resto é um grande filme. O medo, o terror psicológico bem característico do cineasta está lá. E percebe-se o porquê de Haneke filmar a preto e branco, o propósito de o usar como metáfora ao obscurantismo religioso, como alegoria ao fanatismo cristão em que a sociedade da época estava mergulhada. “Das Weiße Band” é essencialmente o relato de uma época, de uma mentalidade, de uma imposição social. E no fim fica o mistério (embora tenha as minhas suspeitas e tudo indique para a teoria do narrador), fica o enigma por resolver.



