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10 de julho de 2009
1 de abril de 2009
Uzak (2002)
Nuri Bilge Ceylan é já um nome conceituado no cinema turco e europeu. "Uzak", em português “Distante”, é para mim, depois de "Iklimler", a grande obra de Ceylan. Tal como em “Iklimler”, Ceylan filma Istambul de maneira brilhante e harmoniosa. Mais uma vez, ou melhor, pela primeira vez, já que "Iklimler" é posterior a este, Ceylan filma uma história em pleno Inverno, com muita neve. Este manto branco que cobre praticamente todos os espaços que Ceylan filma enriquece de forma substancial esta obra do turco. Atrevo-me a dizer que, embora o ambiente estranho e intimidador que é criado desde que Yusuf (Emin Toprak) chega a casa de Mahmut (Muzaffer Özdemir), o seu primo mais velho, esta neve e os planos que Ceylan filma tão primacialmente são a grande essência deste "Uzak". Mais uma vez, sendo já uma constante em todas as obras de Ceylan, ele conduz a obra por uma linha narrativa linear onde abundam as expressões corporais que nos revelam mais sobre o argumento do que os próprios diálogos. Lento e existencial, "Uzak" traz essencialmente uma conotação política, mais concretamente uma reflexão ao desemprego e ao capitalismo global. É sobre a democracia turca que Ceylan reflecte na obra, mas a crítica do cineasta atinge também os comportamentos sociais e existenciais de um indivíduo. Yusuf sente-se um estranho em casa do próprio primo, mas rejeita o hipotético regresso à sua terra onde existem menos hipóteses de arranjar emprego. Mahmut é um homem que vive em conformidade com o passado. Divorciado, frio e distante. Aliás, esta distância é partilhada pelos dois.
"Uzak" não tem a genialidade, nem narrativamente nem relativamente aos planos filmados, do espantoso "Iklimler", mas compreenda-se que "Iklimler" está num nível máximo da minha cinefilia. Portanto, feita a comparação entre aquelas que a meu ver são as suas obras-primas até ao momento, tenho que referir que "Uzak" é também uma obra-prima, embora inferior a “Iklimler”.
19 de março de 2009
iklimler (2006)
Esta é para mim a obra mais cuidada e mais aprimorada de Ceylan. Neste “iklimler” (Climas), o cineasta brinda-nos com planos visuais completamente brilhantes. Sejam planos longos, de paisagens maravilhosas, na linha de “Uzak” (Distante) de 2002, mas também planos curtos, à boa maneira de Sergio Leone, que nos transpõem para dentro da tela. A história é simples, um casal que começa a ter problemas em viver conjuntamente. Vem a separação, e, a partir desta a história centra-se em Isa (Nuri Bilge Ceylan) e o seu arrependimento na separação, a sua procura por Serap (Nazan Kirilms) a causadora do clima estranho que se foi criando entre os dois cônjuges e que ditou a separação. Isa recebe a notícia de que Bahar (Ebru Ceylan), a ex-mulher, está numas filmagens no leste e este decidi viajar até lá para tentar reconciliar o relacionamento. Por trás deste argumento escondem-se as razões dos personagens nos seus actos. Isa parece-me incapaz de manter um relacionamento com quem quer que seja, é solitário e demasiado egocêntrico. Quer mudar, mas não consegue, a ideia de casar e ter filhos assusta-o e faz com que fuja desse propósito. Isa vive em constante conflito sobre o amor, vive sem saber o que quer, complica aquilo que é simples. Quanto a Bahar é o oposto, ama e quer ser amada, mas não só no momento, quer ter uma vida a dois, mas não consegue suportar o ambiente que se cria entre os dois. O filme é pautado pelo silêncio, pela linguagem corporal e Ceylan consegue criar uma obra complexa e visualmente fabulosa. A fotografia é espantosa e os planos brilhantes. As interpretações quer do cineasta quer da mulher Ebru Ceylan estão muito boas. Ceylan consegue criar um ambiente negro e claustrofóbico entre o casal, o que vem a beneficiar o filme de forma extraordinária. Embora tenha gostado muito de "Uzak", este supera-o tanto na complexidade da obra como na arte de filmar. Muito bom.
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