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11 de abril de 2009

One Flew Over The Cuckoo's Nest (1975)



Nunca antes um filme foi tão sublime, tão esplêndido. Magnífica obra-prima de Milos Forman que junta a melhor obra do realizador tal como a melhor interpretação de Jack Nicholson, a par de “Chinatown” de Roman Polanski e de “The Shinnig” de Stanley Kubrick.
“One Flew Over The Cuckoo’s Nest” é um excelente ensaio sobre a loucura/normalidade, situado num hospital psiquiátrico onde todos aqueles que não agem conforme as regras da sociedade são sujeitos a tratamentos de choques eléctricos. Milos Forman cria, com esta obra, uma magnífica ode à liberdade, ao comportamento condicionado de um indivíduo, à normalidade deste e à sua suposta loucura que desde o início sabemos não ser o caso. Jack Nicholson é fabuloso no papel de McMurphy que com poucos dias para o final de uma pena prisional se vê relegado para um hospital psiquiátrico a fim de ser avaliado em relação a um comportamento estranho que se terá verificado. Ingénuo e ignorando o poder daquela instituição e seus funcionários, McMurphy vai levar até uma situação perigosa o seu comportamento extrovertido, brincalhão (para com os outros pacientes), desafiador e provocante para com a Enfermeira Ratched (Louise Fletcher).
Milos Forman cria, Jack Nicholson dá a vida. “One Flew Over The Cuckoo’s Nest” é uma lição do que é a vida. Jack Nicholson transcende-se, ele não representa, ele é McMurphy. Nicholson é a verdadeira essência desta obra-prima. Sem ele, o filme de Milos Forman não atingiria a perfeição. Sim, perfeição. A realização é espectacular, o argumento fabuloso, a fotografia idem aspas, as interpretações nem vale a pena dizer nada, enfim, obra-prima do cinema americano. Se Orson Welles fez o melhor filme de sempre (e fez…do cinema americano), deve esse estatuto relativamente à época, fenomenal. Covém dizer que “Citizen Kane” data de 1941 enquanto este filme de Milos Forman é de 1975. Sendo assim, e dando todo o mérito e valor ao filme de Orson Welles, “One Flew Over The Cuckoo’s Nest” não se inferioriza em nada. O filme é essencialmente lírico. McMurphy é um homem lírico, livre. Mesmo aprisionado, ele é livre, o seu interior faz com que essa liberdade condicionada seja possível, liricamente, poeticamente. Esta obra de Forman é sobretudo poética, contempladora de uma liberdade oprimida pelo poder social, pela normalidade suposta de uma sociedade. A revolta, o grito da revolta, o "basta", o grito de Forman. Tudo indica a revolução, a liberdade, o abolir de oprimir, de preconceitos, de falsos juízos. Tudo inspira crítica à sociedade americana e expira revolta. Todo o filme reclama justiça. Toda a obra exalta coragem.
Grande, enorme. Mais que um filme, arte, arte do cinema, arte da arte.