Mostrar mensagens com a etiqueta Douglas Sirk. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Douglas Sirk. Mostrar todas as mensagens

31 de março de 2011

Ontem e hoje dois filmes vistos, All That Heaven Allows de Sirk e The Fighter de David O. Russell. All That Heaven Allows é o retracto da sociedade hipócrita, cruel, que vive de aparências. Melodrama, romance, história de amor assombrada (e que sombras as de Sirk!) pelo preconceito, pelo materialismo, pelo medo da sociedade. Sirk vai contra muitos valores que na altura eram fomentados pela sociedade americana, é um “puta que os pariu” a toda aquela classe social, à sua conformidade social, aos riquinhos, àquele american the way of life, aos próprios filhos que um dia também “voarão”. E por isso aquela disparidade de idades entre eles, para acentuar o tal “puta que os pariu”. E Todd Haynes veio buscar tudo aqui para o seu Far From Heaven. The Fighter não é um grande filme (nem lá perto) mas aguenta-se, é um bom filme ou direi antes eu gostei. Tem duas ou três coisas muito boas, a interpretação do Bale (já dito e redito milhentas vezes), a realização do Russel e o sentido humanístico do Micky (o Wahlberg), a sua relação quase que altruísta para com o irmão. De resto, coisa já vista no Rocky ou no Raging Bull (sem chegar aos calcanhares desses) mas perfeitamente ao nível dum Million Dollar Baby.

3 de março de 2011

A Time To Love And A Time To Die (1958)
Douglas Sirk

A Time To Love And A Time To Die é tudo o que All Quiet On The Western Front não é. Antes de mais, o filme de Milestone é um filme de guerra enquanto o de Sirk é um melodrama, uma história de amor em tempo de guerra. Tal comparação faz-se porque ambos são adaptações de romances de Erich Maria Remarque. E onde All Quiet On The Western Front crava a ideia ou qualquer tipo de proclamação da rejeição do patriotismo, o filme de Sirk distancia-se dessa rejeição e busca essencialmente uma exposição das atrocidades nazis. O tal patriotismo está lá, nada de heroísmos patrióticos mas o amor à pátria está lá. A Time To Love And A Time To Die vai buscar esse amor à pátria não só para expor a desumana e cruel “máquina” nazi como para desmitificar essa mesma “máquina” (ou quem a serve), nomeadamente a opressão nazi para com os próprios soldados e o próprio povo. Acima de qualquer coisa, a humanização do alemão e a desumanização do nazi, a urgente distinção entre um alemão e um nazi. Contudo, voltando à analogia com All Quiet On The Western Front, tanto o filme de Sirk como o de Milestone analisam a estupidificação ou a inutilidade ou a irracionalidade da guerra. Sim, ambos o fazem, mas A Time To Love And A Time To Die é acima de tudo um filme de sombras e de obscuridades preocupado tanto nos ideais aos quais é subjacente os direitos humanos e uma consequente ideia ou ânsia de revolta e de resistência anti-nazi quanto num certo tipo de dignidade humana e repulsa pelo nazismo. Melodrama de resistências humanas contra a desumanização e a crueldade da guerra, caminho inglório para a morte que desvirtua qualquer efemeridade de amor em tempo de guerra.