Génesis (2024, José Oliveira e Marta Ramos)
o último filme do josé oliveira e da marta ramos é coisa elegíaca, oscila entre a ficção e o documental para falar de raízes, de antropologia, geologia, etnografia, etc, culminando nas memórias e naquilo que será a passagem de testemunho ao filho; coisa autobiográfica, pareceu-me, génesis (e o título não é em vão assim escolhido) carrega consigo um sentido humanístico que o faz, aliado aos planos panorâmicos que assombram o espectador, ser um tipo de herdeiro do cinema fordiano; de facto, toda essa paisagem nos mostra as fundações do cinema desta dupla, fundações westernianas não só de ford mas também de cimino; não é à toa que o sentido humanístico se vai exponenciar na sua veia documental, com o episódio dos refugiados ucranianos à cabeça; mas o filme da dupla portuguesa que nos faz rememorar reis e cordeiro ou straub e huillet, é, dentro dessa carta elegíaca ao filho - no começo ainda no ventre da mãe para no fim estar nos braços do pai -, uma viagem genesíaca e mitológica pelas terras (e serras) do fundão que analisa não só o passado como o presente e nos deixa as perguntas sobre o futuro, não só relativamente à tecnologia que avança vertiginosamente mas também quanto às nossas raízes e matrizes fundacionais, aos valores que são necessários cultivar e cujas novas gerações tendem a esquecer; belíssimo filme!



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