10 de agosto de 2012

“Our Daily Bread” de King Vidor se não é, daqueles que vi, o seu melhor filme anda lá muito perto (até porque “Street Scene” ou “The Crowd” lhe podem roubar esse estatuto), coisa tão realista que ninguém quis produzir, sobrou ele, Vidor, a força de vontade e determinação e amor ao cinema, por isso o filme se fez, sem lucros, história dele e da mulher diálogos de Mankiewicz, produzido pelo próprio Vidor, projecto pessoal, filme inserido numa época, numa temática, num propósito, coisa sobre a depressão americana ou o pós dela, coisa que só por si ensinaria muito ladrão governamental de que a crise se ultrapassa com a terra, com a produção e não com importação e austeridades absurdas, capitalismo é o veneno da economia e do mundo… humanista tanto quanto os mais humanistas de Ford, humildade e sinceridade, filme sobre a simplicidade e a honestidade, coisa sobre a comunidade como quase todos os de Ford o são, a entreajuda, não à ganância e ao individualismo, coisa de sacrifícios e altruísmos, trabalho e suor, brutalidade da sobrevivência e a luta pelo futuro, coisa da terra e do trabalhar a terra, amizade, o realismo de Vidor.

Se é verdade que “Our Daily Bread” é um filme político (sim é verdade), é ainda mais verdade que dentro de toda a politiquice que se lhe possa atribuir existe uma utopia e uma consciência social que ultrapassa essa vertente comunista ou de esquerda. Como diria um bispo qualquer (que me escapa o nome) à tempos num telejornal nacional, se defender os pobres é ser comunista então sou comunista. “Our Daily Bread” é uma proclamação utópica do colectivismo ou do comunitarismo como aproveitamento social de cada individuo num todo, ou seja, Vidor dá a todo e qualquer indivíduo um papel na sociedade, rejeita o individualismo assim como o capitalismo (ou condena-o) indicando-o como o causador da depressão. A negrura da crise e do desemprego/do capitalismo esmorece face à luz da esperança e do suor da lavoura e do colectivismo/comunismo.

2 comentários:

W-er9er disse...

Tu não vais morrer sem ter visto os filmes todos já feitos! Vê lá, é uma meta...

Diogo

Álvaro Martins disse...

eheh... isso é impossível!

Afinal ainda és vivo eheh fico contente que voltes a comentar aqui ;)