7 de outubro de 2009

Videoclips que me enchem o olho - Parte XXVI

Slipknot - Dead Memories

Die Blechtrommel – O Tambor (1979)

Um filme de Volker Schlöndorff
















É de facto uma obra-prima este filme que em 1979 dividiu a Palma de Ouro em Cannes com “Apocalypse Now” de Coppola. A primeira vez que o vi (há uns anos) fiquei completamente maravilhado com o poder de Schlöndorff em contar uma história surrealista em pleno domínio nazi. E o cineasta alemão preocupa-se sobretudo em contar uma determinação indómita de quem prefere não crescer. A infância é aqui (e sempre) a alusão à inocência. Mas Schlöndorff acaba por censurar essa escolha explorando o não crescimento físico com o crescimento psicológico, intelectual. E embora Oskar continue sempre criança, a idade que lhe vai acercando traz-lhe o desejo sexual e o desenvolvimento intelectual. Porque essa revolta interior que possui, relacionada com a mãe e o triângulo amoroso a que assistiu em criança (altura em que se deita das escadas abaixo e provoca (voluntariamente) a interrupção do crescimento – e aqui, juntamente com o dom bizarro de conseguir gritar tão agudamente até partir os vidros, entra o surrealismo –) acaba por se desvanecer no decorrer dos anos, na vivência que Oskar vai adquirindo. Embora Schlöndorff queira sobretudo explorar essa vertente surrealista e ao mesmo tempo mágica e de uma poesia crua, o cenário da Segunda Guerra Mundial traz uma conotação anti-nazi e sobretudo uma exposição do absurdo das tropas alemãs em solo polaco (numa região em que têm a sua própria linguagem – chamados de Kashubians). E Schlöndorff mostra que o grande trunfo de “O Tambor” é precisamente essa exposição do grotesco, do bizarro e excêntrico das personagens da obra de Günter Grass.

5 de outubro de 2009

Videoclips que me enchem o olho - Parte XXV

Metallica - Fade To Black

Y'aura t'il de la neige à Noël? - Será que vai Nevar no Natal? (1996)

Um filme de Sandrine Veysset


Há qualquer coisa de extraordinária neste filme. Não só a destreza da cineasta em filmar uma escravatura psicológica e resultante de uma relação sexual, mas também a forma como Veysset filma a mulher. Porque "Y'aura t'il de la neige à Noël?" é sobretudo um manifesto feminino, um grito da mulher contra o poder do homem. Mas mais do que isso, é uma ode à força interior da mulher, ao amor de uma mãe pelos filhos, um grito de revolta face ao domínio masculino e uma reflexão à sobrevivência. E Veysset filma a mulher como figura heróica, sobretudo a mãe, essa figura que tanta importância tem numa criança. "Y'aura t'il de la neige à Noël?" ou “Será que vai Nevar no Natal?” é um filme poético e belo mas psicologicamente violento. Sem dúvida uma das melhores obras francesas da década de 90.