8 de setembro de 2009

Lluvia (2008)

Um filme de Paula Hernández











Ora bem, “Lluvia” é um filme sobre a dor. A dor da perda. Mas, mais que um filme sobre a dor ou que um filme em que 90% da acção decorre à chuva, esta obra de Paula Hernández transcende-se. E transcende-se porque a cineasta argentina faz um filme sensível e humano. O retracto de uma alma perdida e confusa após uma separação (uma interpretação surpreendente de Valeria Bertuccelli no papel de Alma) e a procura incessante dum significado após uma ausência de 30 anos por parte de Roberto (Ernesto Alterio) simplificam o filme de Paula Hernández. Não há muito para dizer sobre “Lluvia”. É uma obra delicada que assenta na procura de um rumo, do caminho para a felicidade. Mas aqui o caminho está turvo. E aqui a água faz todo o sentido. Porque Alma, após a separação vive no carro, porque a chuva abunda durante o filme inteiro, porque a chuva não deixa ver com clareza o caminho. E essa dualidade de significados que a chuva (falo do título) adquire é mais que visível. E “Lluvia” agradou-me muito. Muito mesmo.

6 de setembro de 2009

Videoclips que me enchem o olho - Parte XXII

Rammstein - Sonne


Lakposhtha Hâm Parvaz Mikonand – As Tartarugas Também Voam (2004)

Um filme de Bahman Ghobadi






Como disse Luís Miguel Oliveira, “As Tartarugas Também Voam” é um filme que nos conduz ao fim do mundo. E com toda a razão, porque o filme de Ghobadi é sobretudo pessimista, assente num carisma apocalíptico e desolador de um Iraque invadido. Ghobadi reflecte no destino dos curdos, na sua condição enquanto povo que sofre numa guerra, na miséria que uma guerra provoca.
E o cineasta curdo traz para a tela “a ferida” de qualquer guerra, traz uma realidade trágica e chocante resultante de uma guerra nefasta. Mais do que a quantidade de mortos que uma guerra possa sentenciar, é a dura e triste realidade das crianças e adolescentes na sua incessante luta pela sobrevivência em tempos acerbos que nos choca. Mas Ghobadi evita ao máximo uma abordagem política ainda que existam momentos em que isso é impossível. “As Tartarugas Também Voam” é acima de tudo um filme poético, onde o belo e o horror de uma guerra se misturam, onde a crueldade e a esperança estão lado a lado. Mais um grande filme desse cinema iraniano que tanto me fascina.