20 de novembro de 2022
12 de novembro de 2022
7 de novembro de 2022
1984, Cabra marcado para morrer, Eduardo Coutinho
1983, Sredi serykh kamney, Kira Muratova
1987, Peremena uchasti, Kira Muratova
2005, Spravka, Kira Muratova
1999, Pismo x Ameriku, Kira Muratova
1966, Bethânia Bem de Perto – A Propósito de um Show, Júlio Bressane
1969, O Anjo Nasceu, Júlio Bressane
2014, The Salto f the Earth, Wim Wenders e Juliano Salgado
2016, Toni Erdmann, Maren Ade
1983, La Ville des Pirates, Raúl Ruiz
1994, Uvlecheniya, Kira Muratova
1945, A song to remember, Charles Vidor
2018, Den’ Pobedy, Sergei Loznitsa
1944, Le ciel est à vous, Jean Grémillon
1943, Lumière d'été, Jean Grémillon
1997, Tri istorii, Kira Muratova
2001, Vtorostepennye lyudi, Kira Muratova
2002, Chekhovskie motivy, Kira Muratova
2021, Il Buco, Michelangelo Frammartino
2004, Nastroyshchik, Kira Muratova
2007, Dva v odnom, Kira Muratova
2009, Melodiya dlya sharmanki, Kira Muratova
2012, Vechnoe vozvrashchenie, Kira Muratova
1951, L’étrange Madame X, Jean Grémillon
1953, L’amour d’une femme, Jean Grémillon
2021, Writing with fire, Sushmit Ghosh e Rintu Thomas
1939, Ninotchka, Ernst Lubitsch
1995, La cérémonie, Claude Chabrol
2021, Lili Alone, Zou Jing
1951, Cielo Negro, Manuel Mur Oti
1953, Condenados, Manuel Mur Oti
2016, Posto Avançado do Progresso, Hugo Vieira da Silva
2013, Rol, Konstantin Lopushanskiy
2021, Un Monde, Laura Wandel
1963, Vidas Secas, Nelson Pereira dos Santos
1955, Orgullo, Manuel Mur Oti
1935, Golgotha, Julien Duvivier
2021, Jia ting lu xiang, Qiong Wang
1942, Went the day well?, Alberto Cavalcanti
1945, They were expendable, John Ford
1945, The Story of GI Joe, William A. Wellman
1969, Play Dirty, André De Toth
1964, Noite Vazia, Walter Hugo Khouri
1949, Lang ist der Weg, Herbert B. Fredersdorf e Marek Goldstein
1965, Shunpu den, Seijun Suzuki
1966, Tôkyô nagaremono, Seijun Suzuki
1965, Irezumi ichidai, Seijun Suzuki
1947, Nagaya Shinshiroku, Yasujirô Ozu
1948, The Red Shoes, Michael Powell e Emeric Pressburger
1951, The Tales of Hoffmann, Michael Powell e Emeric Pressburger
1943, For whom the bells tolls, Sam Wood
1932, Grand Hotel, Edmund Goulding
1965, A Falecida, Leon Hirszman
1960, The Criminal, Joseph Losey
1962, The Manchurian Candidate, John Frankenheimer
2020, Supai no tsuma, Kiyoshi Kurosawa
1953, Koibumi, Kinuyo Tanaka
1955, Tsuki wa noborinu, Kinuyo Tanaka
1955, Chibusa yo eien nare, Kinuyo Tanaka
1960, Ruten no ôhi, Kinuyo Tanaka
1961, Onna bakari no yoru, Kinuyo Tanaka
1962, Ogin-sama, Kinuyo Tanaka
Revisões:
1995, Sense and Sensibility, Ang Lee
1979, Stalker, Andrei Tarkovsky
2011, A torinói ló, Béla Tarr
1930, Madam Satan, Cecil B. DeMille
1964, The fall of the Roman Empire, Anthony Mann
1944, Double Indemnity, Billy Wilder
1940, They drive by night, Raoul Walsh
1966, The Bible: In the Beginning…, John Huston
30 de outubro de 2022
29 de outubro de 2022
1953, Koibumi (Carta de amor), Kinuyo Tanaka
“aquele que nunca pecouque atire a primeira pedra”João, 8:1-11
Perto do final desta assombrosa e feérica obra-prima, filme de estreia duma das grandes actrizes do cinema clássico japonês, Kinuyo Tanaka, já em pleno “momento-redenção” de Reikichi, Yamaji diz-lhe (a Reikichi), “aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra”, resumindo numa citação bíblica aquilo de que no fundo trata Koibumi, o perdão. Desse momento até ao final pouco mais nos será mostrado, apenas todo o arrependimento do mundo num homem assombrado pelo orgulho e pela mágoa ao levar as mãos à cara.
Koibumi é filme de quem aprendeu bem com os mestres com quem trabalhou (de Mizoguchi a Ozu, de Naruse a Kinoshita…), é filme de quem percebeu a intensidade e o rigor do momento de aproximar a câmara ou o seu posicionamento. Tanaka filma magistralmente uma história do pós-guerra com o mesmo lirismo e o mesmo vigor de Naruse ou de Mizoguchi, lança-nos num neo-realismo “viscontiano” e “naruseano”, onde o conflito interior expia as feridas abertas do passado e gera a neblina sobre o futuro… na verdade, a redenção é mútua, a salvação é desejada por aquelas duas almas trucidadas pela guerra e suas vicissitudes.
Koibumi, ainda que imerja num realismo ambientado pelo contexto social dum pós-guerra ainda recente, ainda sob ocupação e ainda com as feridas por sarar, é na sua complexidade um melodrama psicológico. Reikichi é um homem amargurado, espelho da nação, vive isolado e sustentado pelo irmão mais novo, o tal que compra livros baratos e os revende muito mais caros, o tal que lhe diz que sair lhe faria bem… e é numa saída que encontra um camarada de guerra que lhe arranja essa estranha forma de ganhar dinheiro que é escrever cartas de amor (sobretudo de mulheres para os soldados ingleses). É aí que voltará a encontrar Michiko (sublime interpretação de Yoshiko Kuga) e a esperança do amor se reacende… mas é também aí que fica a conhecer o seu passado…
Portanto, é naquele final tão mesto quanto ledo, tão sacro quanto feérico, tão melancólico quanto redentor, que o maravilhamento eclode e nos arrebata, é naquele final que o todo se une e que a grandiosidade do filme de Tanaka se nos declara. Monumental!
17 de outubro de 2022
1965, A Falecida, Leon Hirszman
A Falecida do Hirszman é daquelas coisas tão pungentes que perduram na memória durante vários dias. Realismo feérico que atinge a monumentalidade na simbologia e no misticismo do intrínseco em si, poderoso artificio sobre a vontade humana e o anseio da remissão da culpa, emaranhamento total da fantasmagoria com o real, a morte como companheira ou, mais ainda, como desejo subversivo de expiação do pecado, veículo irracional de vingança imbuído numa motivação surreal e mórbida do absurdo, coisa obsessiva que da matéria alcança o espírito, ou a alma.
Fernanda Montenegro encarna a carne (ou essa matéria) que vai sendo contaminada pelo espírito, a transfiguração da alma, a exteriorização do interior ou da doença que começa na alma… alma que é assolada pela culpa do pecado - a mácula do adultério - e das amarras dum casamento que não a preenche… mais que a moralidade que reina naquele subúrbio é a falta dela (e a procura dela) em si mesma que lhe traz essa insatisfação e essa vontade de morrer. Momento catarse aquele em que Zulmira abraça a chuva como veículo libertador da sua condição, momento também profético ou sacral em que a alma parece libertar-se do corpo/condição e “saborear” a libertação da morte/desencarne, coisa sublime que só ela bastaria para colocar A Falecida no panteão das grandes obras do cinema brasileiro.
21 de setembro de 2022
Noite Vazia, Walter Hugo Khouri, 1964
Primeiro filme de Khouri que vejo, Noite Vazia é coisa mordaz, sublime, monumental... o filme de Walter Hugo Khouri é, acima de tudo, uma crítica social intimista e negra onde a expressividade e a linguagem corporal - os olhares, sobretudo os olhares - reinam e atestam o brilhantismo de Khouri. Não obstante, é coisa que vai beber ao cinema de Antonioni de forma absurdamente visível, inclusivamente nas escolhas dos actores/actrizes (uma delas parece a Monica Vitti e a outra a Jeanne Moreau) e nos seus comportamentos, gestos, movimentos ou no tema, sendo o La Notte o paralelo mais demonstrado…
Numa noite onde dois amigos levam duas prostitutas para um apartamento, desenrola-se para os nossos olhos toda a vacuidade daquelas vidas, mergulhadas na solidão e na superficialidade das suas rotinas. Noite Vazia é coisa existencial onde aqueles dois amigos representam a classe média alta daquele Brasil dos anos sessenta. Na busca deles pelo prazer do sexo e pela fuga ao rotineiro, quer seja o familiar ou o aventureiro, o que se abre perante os nossos olhos é o intimismo daquelas personagens a mergulhar numa espécie de crise existencial e de superficialidade individual. Existe, de resto, uma ligação entre as emoções das personagens com a cidade, filmada incessantemente por Khouri, como se todo aquele vazio existencial daquela gente fosse uma extensão, ou uma repercussão, do vazio social e geográfico que, não obstante a imensidade populacional, as grandes cidades acarretam. Magnífico!
18 de setembro de 2022
They were expendable, John Ford, 1945
Acerca do They were expendable do Ford, é coisa sumptuosa e magistral… acabo de ver o filme e pergunto-me como é possível nunca o ter visto antes, como é possível ter chegado quase aos 40 anos sem o ter visto… se há cinema idílico no mundo é o de Ford [sem que me esqueça de Borzage que foi outro desses…], capaz de fazer dum filme de guerra uma das coisas mais líricas do cinema americano, capaz de toda a monumentalidade do cinema num filme sobre a luta heróica de uns marinheiros na segunda guerra mundial… os heróis de Ford sempre foram imbuídos desse sentido de dever, de patriotismo e de panteísmo, terra (pátria) família e Deus, e, They were expendables é pleno de patriotismo e de fé!... mesmo nas horas mais negras, na confrontação com a desumanidade da guerra, nos jogos de sombras e de luzes e nos olhares aterradores e abissais de Sandy (maravilhosa Donna Reed) naquela sala de cirurgia, nos planos abertos de Rusty (grande John Wayne) ao ouvir a noticia da derrota na batalha de Bataan, mesmo aí Deus e a pátria estão presentes… mesmo em toda aquela heroicidade dos personagens fordianos, mesmo em toda a tipicidade do seu cinema estar ali presente, mesmo na abdicação do amor pelo sentido do dever, da defesa da pátria, They were expendable rasga a tela com momentos e heróis mundanos, realistas, que tremem como os outros… e que no fundo é uma homenagem ao Capitão Brickley, interpretado por Richard Montgomery, que tinha sido amigo de Ford.
4 de setembro de 2022
Ao cinema de Muratova atribua-se a capacidade de atingir o surrealismo embrenhado num certo tipo de grotesco ou bizarria, alicerçado num ambiente caótico e, frequentemente, num absurdismo específico e sarcástico, muito próprio e identitário da cineasta. Na verdade, todo o seu cinema está mergulhado num sentido de alienação e de desolação, principalmente Astenicheskiy sindrom (The Asthenic Syndrome) e as obras pós-sovéticas, talvez sinal dum acentuar da perda de identidade nacional que se estende ao individuo, e por isso as suas personagens parecem andar sempre à deriva. É, portanto, um cinema caracterizado pelo insólito - quer narrativa quer visualmente -, pelo seu humor negro e pelo surrealismo, sendo raro vermos no cinema de Muratova alguma coisa linear. De facto, as grandes influências em Muratova parecem ser Chaplin e Buster Keaton, e sobretudo em Vechnoe vozvrashchenie (Eternal Homecoming) e em Dva v odnom (Two in One) é onde a influência da pantomina dos dois mestres é mais realçada; Parajanov, principalmente o seu ascetismo, um certo tipo de rudimentarização e/ou primitivismo; e a nouvelle vague, com a sua descontinuidade temporal e narrativa (sobretudo Godard e Resnais), principalmente em filmes como Korotkie vstrechi (Breves Encontros) e Poznavaya belyy svet (Getting to Know the Big Wide World), onde existe uma presença existencialista mais expressa, mas também onde a convencionalidade cinematográfica mais está presente.
A primeira impressão que um filme de Muratova nos deixa é a de que estamos perante algo difícil de ver e de compreender, mas sobretudo, algo estranho e peculiar que nos atrai (a quem procura algo mais que entretenimento) e não nos deixa indiferente (inclusivamente Uvlecheniya [Petty Passions] onde a acção revolve em torno da afeição por cavalos e nos discursos filosóficos de alguns personagens). Assim, quase todo o cinema de Muratova adquire uma conotação simbólica nas suas abordagens visuais e narrativas, com a desolação, o surrealismo e o absurdismo revelando uma alusão ao comunismo e ao seu fim (ou àquilo que lhe sobreviveu). Astenicheskiy sindrom, Chekhovskie motivy [Chekhov's Motifs], Tri istorii [Three Stories], Vechnoe vozvrashchenie e Dva v odnom são filmes onde as rupturas narrativas e temporais existem para dar essa ambiência e metáfora social e política dum país órfão de sua cultura e tradições que se vê imerso no caos identitário. É como se Muratova tentasse apresentar a Rússia e a Ucrânia pós-soviéticas numa visão etnológica ou num etnocentrismo muito próprio e particular, com uma linguagem tão peculiar e singular que nenhum outro cineasta alcançou.
Magnífica!
22 de agosto de 2022
Geralmente pensamos no cinema como a arte de mostrar algo, das imagens em movimento e de como tudo isso nos contam uma história. A obra de estreia de Wandel é coisa preciosa, coisa que imerge no realismo das imagens e da arte de contar uma história. Esse mundo do seu título original revela-se mais complexo e tortuoso que à partida possamos imaginar, mergulhamos na crueldade que existe na infância e no impacto psicológico que daí resulta. O trauma resultante do bullying que atormenta Abel é o mesmo processo traumático que atinge Nora, a irmã, que assiste a isso... na realidade, Un monde é mais Nora que Abel, é mais luta interior de quem vê sofrer do que de quem sofre. A câmara de Wandel segue Nora como a câmara dos Dardenne seguia Rosetta, com uma aproximação absurda aos personagens principais na procura do intimismo e dum tipo de inserção realista no espaço, bem como um enquadramento e um posicionamento dessa câmara sempre ao nível das crianças, criando assim uma distância entre estas e os adultos. Desde o primeiro instante, em que Nora, com as lágrimas no rosto, resiste a ser "largada" no palco que irá preencher a tela durante pouco mais de uma hora, a escola, que o trauma se adivinha. Aos poucos, a frieza e a crueldade das vicissitudes daquele campo de batalha irá afectar emocionalmente e psicologicamente aqueles dois irmãos, o processo traumático desdobra-se desde o instinto de protecção (de parte a parte) até à rejeição e finalmente, no final, à redenção. Ainda que Un monde viva do processo traumático de quem sofre e vê sofrer, da impiedade que por vezes a infância tem, Laura Wandel foge de negruras e ambiências sombrias, como que a querer dizer que, apesar de tudo, a infância é luz! Filmaço.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
-
Porque o cinema sempre me acompanhará para onde quer que vá. Até qualquer dia companheiros.








