26 de maio de 2012
25 de maio de 2012
“Conan
the Barbarian”, épico da lenda como também o fracassado e fraquíssimo “Red
Sonja” de Fleischer o pretendia ser é qualquer coisa tão nobre e tão refinada
como um qualquer épico do De Mille ou do Lean ou do Cimino. Milius sabia bem
como contar a lenda, as viscosidades terríficas de tempos selváticos e
primitivos, sabia bem como oscilar entre esse mundo do fantástico e do real, mesmo
que tudo seja violento e se mergulhe vilipendiosamente numa época de batalhas,
irracionalizações, escravidões e de vinganças, mesmo assim há por ali muita
compaixão e coisa de homens justos e descobre-se que o amor e a amizade são
coisas mais antigas e mais valiosas, mesmo que tudo isso emerja do fantástico e
da lenda ou da mitologia e esteja incrustado num épico que “belisca” o action-movie e cospe-se a cada segundo
toda a força motriz que incorpora a justeza e a sinceridade do espaço, do
tempo, das tensões e dos corpos e do nervo que corre na alma e no músculo do
filme. Foge portanto a qualquer épico do Scott ou do Lucas ou doutro desta laia,
à falsidade e à vaidade destes homens que tudo fazem para se exibirem e para
venderem, à hipocrisia que reina nesses épicos que tudo fazem para alienar o
espectador e para o conquistar com os truques e as falsidades do costume. O
filme de Milius é doutro campeonato, é coisa que não precisa se esconder atrás
da espectacularidade ou dos sentimentalismos, não, é tudo arrancado às vísceras
para verter na tela toda a brutalidade que brota das trevas, toda a
fisicalidade e a ritualidade da acção e dos corpos da/na acção.
23 de maio de 2012
Natais Brancos
«Um Natal sem
presentes nem parece Natal.» Era assim, se a memória não me trai, que começava
a adaptação portuguesa – As Quatro
Raparigas – do popular romance de Louise May Alcott, Little Women, tantas vezes adaptado ao cinema. Estou de acordo. Sempre
adorei dar e receber presentes, no Natal mais do que nunca. E sou daqueles que
gosta do Natal, que gosta imenso do Natal. Natal com todos os efes e erres, com
todas, todas as tradições. Desconfio até das pessoas – falo daquelas que não
entraram para a vida pela porta de serviço – que não gostam do Natal. No sentido
em que Godard dizia, no Petit Soldat:
«Méfiez-vous des femmes qui n’aiment pas manger.»
Mas quando eu era
miúdo, não era só um Natal sem presentes que não era Natal. Era um Natal sem
Cinema, ou um Natal sem Circo. Filmes e Coliseu eram inseparáveis da festa. Com
as tias velhas e os primos diferentes, foram das coisas que perdi. As tias
morreram, os primos tornaram-se diferentes (ou indiferentes), o Circo acabou.
Só o Cinema continua.
Em relação ao Circo
tinha sentimentos contraditórios. Fascinava-me mas assustava-me. As feras, os
faquires, os prestidigitadores, os ventríloquos, sobretudo os palhaços. E o sr.
França, que não se chamava José-Augusto. Eram reais e irreais, ao mesmo tempo e
demais. Depois, um triste dia, descobri que não havia palhaços, que os palhaços
não existiam. Foi quando me cruzei na rua com um sisudo e insignificante
cidadão e alguém me disse que aquele era o palhaço rico, da cara branca, do
Coliseu. Tive um choque muito maior do que no dia em que soube que afinal não
era o Menino Jesus quem descia pela chaminé para me por os presentes no
sapatinho, ou quando soube como nasciam as crianças. Se a minha fé em Deus e
nos homens resistiu a isso, é porque resiste a tudo. Graças a Deus, foram
revelações tardias. Nunca suportei também aqueles pais pedagógicos que, em nome
da verdade, acham que não se deve contar às crianças a história do Menino
Jesus. Como se os pais não existissem senão para dizer mentiras, como se educar
não fosse senão mentir. Quando muito transijo – com pouca simpatia – na substituição
pagã do Menino Jesus pelo Pai Natal. O cinema era o décor – a profundidade de campo – de onde saíam todas as maravilhas
dos dias seguintes, já que, geralmente, acontecia antes de tudo o resto, no dia
em que era conveniente que estivéssemos fora de casa, para não ver os
preparativos do Natal. A minha mais antiga recordação vem dos cinco anos e tem
como nome O Feiticeiro de Oz, que em
1989 fará 50 anos (a Portugal só chegou no Natal de 1940).
Esse filme, que
continua a ser um dos «filmes da minha vida», esse filme de que já se tem dito,
com carradas de razão, que é a mais portentosa metáfora de Hollywood (até se
diz que todos os filmes posteriores contêm uma referência a The Wizard of Oz), foi paixão à primeira
vista. Dorothy «Over the Rainbow». A passagem do sépia às cores. O Espantalho,
o Homem de Lata e o Leão (sempre amei mais o Leão do que todos os outros). A Cidade-Esmeralda,
o Feiticeiro, os «Munchkins», os sapatinhos de rubi, os chupa-chupas
liliputianos. E a bruxa, aquela bruxa má, primeiro de bicicleta e, depois,
soterrada, a seguir ao ciclone, só com os sapatos de fora. O único ciclone da
minha vida – Lisboa, 1941 – misturou-se tanto com o do Kansas que já não sei
onde começou um e acabou o outro. também dizem que aconteceu na vida real. Há quem
jure que no dia da morte de Judy Garland um ciclone se abateu sobre Kansas. Assim
deve ser. «De cada vez que vemos Judy passar para lá do arco-íris» - escreveu
Denny Peary - «temos vontade de a avisar que é preciso ter muito cuidado.» Ela
não teve. Só me pergunto se o cuidado a ter é com os ciclones que nos levam ou
com os balões que nos trazem.
The Wizard of Oz está ainda ligado à minha primeira
dúvida metafísica. Nesse Natal – o tal Natal de 1940 – o Menino Jesus deu-me o
livro de L. Frank Baum, reeditado, em português. Tinha uma capa dura, amarela,
onde estavam Dorothy (Judy Garland), o Leão (Bert Lahr), o Espantalho (Ray
Bolger), o Homem de Lata (Jack Haley) e, a um canto, o Feiticeiro (Frank
Morgan). E tinha uma cinta onde se dizia, mais ou menos, «O livro que serviu de
base ao filme da METRO-GOLDWYN-MAYER, actualmente em exibição no cinema Éden». Não
foi a descoberta da vocação publicitária do Menino Jesus que me fez suspeitar. Mas
o excesso de precisão. Como é que, lá no Céu, a distribuir Feiticeiros de Oz por todo o mundo, o Menino Jesus acertava com o
cinema de Lisboa? Mudava de cinta conforme os países e as cidades? Não sou
capaz de reconstruir exactamente os fundamentos da dúvida, mas andavam à roda
de tão particular localização. Lá me deram uma explicação qualquer (a
omnisciência do Menino) e convenci-me. Admirei-O ainda mais depois de tal
façanha. E essa capa ficou para mim como a prova suprema da existência divina,
certamente mais convincente do que o argumento de Santo Anselmo.
No Natal de 41, foi
The Thief of Bagdad. Sabu tomou o
lugar de Judy Garland e Conrad Veidt o de Margaret Hamilton (a Bruxa Má).
O Natal de 42 foi o
do meu heterónimo Dumbo, outra
criatura já aqui convocada e que, desde essa altura, me comove tanto como comovia
aquele general do 1941 de Spielberg. Passei
a sonhar a cor-de-rosa e ia de maravilha em maravilha e de voo em voo: o voo
dos balões no Feiticeiro; o voo de
Sabu às costas do gigante no Ladrão de
Bagdad; o voo de Dumbo, com as
orelhas a fazer de asas.
A voar continuei,
no Natal de 43, sem reparar que mudara de imaginário e dos campos então em
conflito. O filme desse ano era alemão e chamava-se Münchhausen (Josef Von Baky, 43). Em Portugal, chamaram-lhe O Barão Aventureiro. Vi-o no Ginásio. Deve
ter sido das primeiras vezes que fui ao cinema sem adultos, já que me lembro
bem que o meu único companheiro era um amigo do colégio, da mesma idade que eu.
Está-me ligado na memória a uma das minhas primeiras humilhações socias. Quando
lá chegámos, a lotação estava praticamente esgotada e só havia lugares no
Balcão de 3ª. Comprei os bilhetes e lá subimos até aos carrapitos, com ele
muito calado. Antes do filme começar, olhando com ar desaprovador a sala,
disse-me secamente: «E eu, habituado a Plateias e Balcões de 1ª, venho hoje
para um Balcão de 3ª.» Engoli em seco. Afinal era a precoce manifestação de uma
vocação. É, hoje, Embaixador de Portugal.
Mas o filme fê-lo
esquecer a posição de classe, como me fez esquecer a mim o embaraço. Hans Albers
– o Barão – tinha uma bola de cristal e voava de corte em corte e de prodígio
em prodígio. Deu-nos uma lição de geografia e uma lição de astronomia. Passamos
a seguir em mapas e em colecções de
selos os países por onde tinha andado o Barão de Münchhausen, que deixara os
russos de boca aberta perante os poderes mágicos dos alemães, em contraste
flagrante com o que no mesmo ano se passava, mas não entrava nessa história nem
na nossa história. Rússia era a de Catarina, não era a de Estaline. Alemanha era
a de Münchhausen, não era a de Hitler. Não me venham dizer que o cinema aliena.
Natais seguintes
foram menos mágicos e mais religiosos. Passei-os com o Padre O’Malley (Bing
Crosby, mais querubínico do que nunca) ora às voltas com um velho sacerdote
rabugento (o genial Barry Fitzgerald) em Going
My Way (Natal de 44) ora às voltas com uma freira sadia e sorridente
(Ingrid Bergman) em The Bells of St. Mary’s
(Natal de 46). Ambos foram realizados pelo mais romântico e mais céptico
dos cineastas de Hollywood: Leo McCarey. Nessa altura, dei mais pelo romantismo
e menos pelo cepticismo. Chorei muito com a chegada da velha mãe de Barry
Fitzgerald no final do Bom Pastor (título
português de Going My Way) e não
percebi por que é que Bing Crosby e Ingrid Bergman não se casavam no final de Os Sinos de Santa Maria.
A vida-cinema
ensinou-me que Going My Way é também
um dos mais sinistros filmes sobre a solidão e que The Bells of St. Mary’s acaba com uma das mais equívocas lines de qualquer diálogo de Hollywood.
É quando Bing Crosby se despede de Ingrid Bergman e lhe diz: «If you’re ever in
trouble dial O for O’Malley.»
No fundo, é uma
despedida equivalente à de Judy Garland do Espantalho quando se mete no balão e
lhe diz: «I’m going to miss you must of all.» É sempre a mesma história, ficam
sempre as mesmas saudades. Ao som de Irving Berlin e do White Christmas, cantado pela primeira vez noutro filme natalício, Holliday Inn (Mark Sandrich, 42) com
Bing Crosby e Fred Astaire.
No cinema, como no
Natal, tudo mudou para ficar na mesma. Louvados sejam.
João Bénard da Costa
18 de maio de 2012
O lar perdido
“Home” de Ursula Meier é um conto ou uma alegoria ao paraíso perdido, à passagem da candura para o corrompimento. E o que Ursula Meier quer mesmo mostrar (lembremo-nos de “Kynodontas” do grego Lanthimos como obra similar mas ao mesmo tempo distante pela absurdidade que carrega consigo e pelo teor sexual excessivo) é esse desabar daquele paraíso criado que lentamente vai surgindo com a chegada da auto-estrada, símbolo desse corrompimento. O lar do título chega-nos para aquela família isolada da sociedade ou da azáfama da grande metrópole (lembremo-nos da cena em que mãe e filhos mais novos vão até ao campo onde Meier os filma novamente em harmonia, em paz e sossego como que novamente no paraíso e um deles pergunta porque não podem viver ali) como o paraíso ou um abrigo que lentamente se vai desmoronando com a desunião familiar que se instala a partir do início do funcionamento da estrada. Essa desunião vem acompanhada duma instabilidade quer emocional quer existencial de todos os membros daquela família, obsessões e insónias, coisa que culmina na claustrofobia que resulta daquele isolamento total a que a dada altura se votam. O que Ursula Meier filma é o rompimento familiar, e falamos do rompimento duma estrutura familiar rara onde pais e filhos partilham nudez com a mais das canduras possíveis, onde irmã mais velha e irmão mais novo tomam banho ao mesmo tempo, onde a liberdade e a comunhão com a natureza parece coisa adquirida naquele seio familiar, onde as brincadeiras na relva ou no quarto ou na banheira são do mais cândido e infantil que se possa imaginar, etc. Talvez por isso a recusa insistente na mãe em deixar a casa, porque sabe que ali é o seu lar perfeito, longe da perversidade e da “podridão” citadina que a auto-estrada teima em querer trazer. O que a certa altura percebemos é que, tanto a mãe (sobretudo a mãe) como o pai, tentam desesperadamente proteger o seu lar do ruído que os automóveis trazem. Ora este ruído não é mais do que a vinda da tal perversidade da metrópole que a pouco e pouco vai invadindo e destruindo o lar e a vida daquela família, o caos se instala e aquilo que outrora era o paraíso é agora o inferno. No fim fica a mudança, fica a utopia.
“Home” de Ursula Meier é um conto ou uma alegoria ao paraíso perdido, à passagem da candura para o corrompimento. E o que Ursula Meier quer mesmo mostrar (lembremo-nos de “Kynodontas” do grego Lanthimos como obra similar mas ao mesmo tempo distante pela absurdidade que carrega consigo e pelo teor sexual excessivo) é esse desabar daquele paraíso criado que lentamente vai surgindo com a chegada da auto-estrada, símbolo desse corrompimento. O lar do título chega-nos para aquela família isolada da sociedade ou da azáfama da grande metrópole (lembremo-nos da cena em que mãe e filhos mais novos vão até ao campo onde Meier os filma novamente em harmonia, em paz e sossego como que novamente no paraíso e um deles pergunta porque não podem viver ali) como o paraíso ou um abrigo que lentamente se vai desmoronando com a desunião familiar que se instala a partir do início do funcionamento da estrada. Essa desunião vem acompanhada duma instabilidade quer emocional quer existencial de todos os membros daquela família, obsessões e insónias, coisa que culmina na claustrofobia que resulta daquele isolamento total a que a dada altura se votam. O que Ursula Meier filma é o rompimento familiar, e falamos do rompimento duma estrutura familiar rara onde pais e filhos partilham nudez com a mais das canduras possíveis, onde irmã mais velha e irmão mais novo tomam banho ao mesmo tempo, onde a liberdade e a comunhão com a natureza parece coisa adquirida naquele seio familiar, onde as brincadeiras na relva ou no quarto ou na banheira são do mais cândido e infantil que se possa imaginar, etc. Talvez por isso a recusa insistente na mãe em deixar a casa, porque sabe que ali é o seu lar perfeito, longe da perversidade e da “podridão” citadina que a auto-estrada teima em querer trazer. O que a certa altura percebemos é que, tanto a mãe (sobretudo a mãe) como o pai, tentam desesperadamente proteger o seu lar do ruído que os automóveis trazem. Ora este ruído não é mais do que a vinda da tal perversidade da metrópole que a pouco e pouco vai invadindo e destruindo o lar e a vida daquela família, o caos se instala e aquilo que outrora era o paraíso é agora o inferno. No fim fica a mudança, fica a utopia.
17 de maio de 2012
Como se de um “Romeu e Julieta” ou de um “Madame Butterfly” se tratasse, “Yoshiwara” de Ophüls brota da maldição para culminar na tragédia. Envolto nas sombras da tragédia que assombra a candura do amor entre uma gueixa forçada ou condenada a tal após a morte do pai e um tenente russo, é o negro da noite e da maldição que cobre os dois apaixonados e o caminho que os conduz ao destino trágico e negro. E se este não é o mais Mizoguchiano filme ocidental jamais feito então não sei qual será, coisa tão bela e tão sombria quanto os mais sombrios do cineasta nipónico, coisa tão veemente e amaldiçoada quanto os mais amaldiçoados de Mizoguchi, paixão tão arrebatadora e tão intensa quanto as de “Chikamatsu Monogatari” ou de “Ugetsu Monogatari”.
13 de maio de 2012
“The Lusty Men” começa com um dos mais belos momentos de nostalgia, momento mítico do velho oeste e do cinema clássico norte-americano, desse homem mítico e sem rumo que vagueia pela mesma mítica América dos westerns e dos noirs que tudo dizem e tudo mostram, esse homem tão mítico e tão próprio de Ray como de Ford que por um instante ou por um impulso ou só por “não ter mais pernas para andar” (e quem já viu “The Lusty Men” sabe que estas “pernas” tudo dizem) visita a casa onde passou a infância para recordar ou apenas para sonhar com aquilo que nunca teve, outra das coisas tão míticas de Ray e tão longes de Ford, a ausência do lar. Coisa tão distante de Nicholas Ray e tão próxima de Ford, o lar, o oposto a tudo o que sempre Ray procurou, o vaguear, a inadaptação e a falta de rumo e dum sentido na vida. É desse momento tão mítico e nostálgico quanto lírico que nasce todo o sentido de “The Lusty Men”, essa coisa de homem errante nessa América selvagem dos rodeos, nesse oeste daquele tempo que abandonou os pistoleiros e os fora-da-lei para abraçar os bravos e os cowboys que enfrentam os touros e os potros e os dominam por alguns segundos, é disso tudo que se fazem os bravos nessa América tão bruta quanto fascinante donde brotam os mais perigosos jogos da vida, é disso que irrompe Jeff McCloud o tal que visita a casa onde nasceu, o tal que encontra o que em tempos foi uma pistola ainda escondida onde a deixou, o tal que por momentos visita aquilo de que sempre se afastou, o lar.
E se falava das “pernas” mais atrás é porque cedo se percebe que McCloud se retirou desse mundo dos rodeos, dessa coisa fria e brutal que tudo rouba e tudo desvia do caminho que os inicia, coisa de costelas partidas e de pernas fodidas que tudo impossibilitam e tudo fazem perder. É também cedo que se percebe que Wes Merritt, o aprendiz, vai repetir o mesmo trajecto de Jeff, caminhos errantes de quem se perde nesse mundo viciante do dinheiro rápido (e a certa altura Louise a mulher de Wes diz para Jeff: “o que rápido vem rápido se vai”), nessa coisa viciante que lhes faz ferver o sangue e que os faz sentir vivos e desejosos de enfrentar o medo, que os faz esquecer os sonhos e os propósitos de estar naquele meio. É pelo rancho que outrora foi dos McClouds que Wes se lança às arenas e aos touros e aos potros, coisa de sonhador que já Jeff o fora (e sabemo-lo pela sua confissão na tal visita inicial), sonhos do casal que até ali economizava o que podia para ter o que sempre desejaram, coisa que Jeff sabia no que resultaria porque já o viveu, porque ele sabe que o tal dinheiro rápido se desvanece nos vícios adquiridos, porque mesmo com uma mulher a querer controlar tudo se destrói e tudo se vai pelo álcool ou pelo jogo ou pelas mulheres, porque ele sabe que enfrentar o perigo vicia e fá-los sentir mais vivos e heróicos. É por causa do lar que tudo começa e tudo brota, o mesmo lar que Jeff sonhou um dia voltar, é pelo lar que eles se lançam aos touros, mas ele sabe-o bem que o caminho é tortuoso e errante e que todo o homem tomba. E é precisamente por Louise que Jeff vai ficando e ficando e aguentando o declínio de Wes, é por ela que ele se vai espelhando nele e é por ela que se lança uma última vez à arena e aos touros…
E se falava das “pernas” mais atrás é porque cedo se percebe que McCloud se retirou desse mundo dos rodeos, dessa coisa fria e brutal que tudo rouba e tudo desvia do caminho que os inicia, coisa de costelas partidas e de pernas fodidas que tudo impossibilitam e tudo fazem perder. É também cedo que se percebe que Wes Merritt, o aprendiz, vai repetir o mesmo trajecto de Jeff, caminhos errantes de quem se perde nesse mundo viciante do dinheiro rápido (e a certa altura Louise a mulher de Wes diz para Jeff: “o que rápido vem rápido se vai”), nessa coisa viciante que lhes faz ferver o sangue e que os faz sentir vivos e desejosos de enfrentar o medo, que os faz esquecer os sonhos e os propósitos de estar naquele meio. É pelo rancho que outrora foi dos McClouds que Wes se lança às arenas e aos touros e aos potros, coisa de sonhador que já Jeff o fora (e sabemo-lo pela sua confissão na tal visita inicial), sonhos do casal que até ali economizava o que podia para ter o que sempre desejaram, coisa que Jeff sabia no que resultaria porque já o viveu, porque ele sabe que o tal dinheiro rápido se desvanece nos vícios adquiridos, porque mesmo com uma mulher a querer controlar tudo se destrói e tudo se vai pelo álcool ou pelo jogo ou pelas mulheres, porque ele sabe que enfrentar o perigo vicia e fá-los sentir mais vivos e heróicos. É por causa do lar que tudo começa e tudo brota, o mesmo lar que Jeff sonhou um dia voltar, é pelo lar que eles se lançam aos touros, mas ele sabe-o bem que o caminho é tortuoso e errante e que todo o homem tomba. E é precisamente por Louise que Jeff vai ficando e ficando e aguentando o declínio de Wes, é por ela que ele se vai espelhando nele e é por ela que se lança uma última vez à arena e aos touros…
Subscrever:
Mensagens (Atom)

