5 de dezembro de 2010
3 de dezembro de 2010
O mau gosto...
“Que vem a ser o mau gosto? Não é, de modo nenhum, tudo aquilo que não concorda com a norma estética de um dado momento de evolução. O conceito de “fealdade” é mais amplo que o de “mau gosto”; é feio, para nós, aquilo que nos parece em desacordo com a norma estética. Só falamos de mau gosto quando avaliamos um objectivo produzido pela mão do HOMEM, no qual observemos ao mesmo tempo tanto a tendência para cumprir uma determinada norma estética como a falta de capacidade para a realizar; os fenómenos da natureza podem ser feios mas não de mau gosto, a não ser nos casos excepcionais em que nos recordam o produto da acção do HOMEM. O desagrado que nos causa um objecto de mau gosto não se funda, pois, unicamente na sensação de desacordo com a norma estética, mas é reforçado pela nossa aversão à incapacidade do seu autor. O mau gosto é, portanto, a mais aguda antítese da arte, que, já pela sua denominação, indica a incapacidade de alcançar plenamente o objectivo proposto. (…)”
Jan Mukarovsky,
Escritos sobre Estética e Semiótica da Arte
2 de dezembro de 2010
Mauvais Sang (1986)
1 de dezembro de 2010
Varjoja Paratiisissa - Sombras no Paraíso (1986)
Aki Kaurismäki










Os primeiros planos de Sombras no Paraíso são de uma vitalidade incrível. A rotina diária de um homem do lixo ao som de jazz. Nesses minutos iniciais, filmados com a maior das serenidades, coloca-se a acção laboral (acção vigorosa e frenética, viva) em contraste com a música (o jazz sereno). Filma-se o homem e a sua acção, os seus movimentos. Frio e directo. E isso é habitual no cinema de Kaurismäki. Depois, é comum nos filmes de Kaurismäki os protagonistas serem indivíduos solitários e secos. Consequência que resulta na timidez e dificuldade em se relacionar com o sexo oposto. Mas geralmente são filmes de amor, comédias negras mas da descoberta do amor, da transição de seres solitários e inertes para o início de uma relação. E o resto nem interessa. Filmam-se duas pessoas, a sua condição social e individual e cria-se um relacionamento (frio e distante) num lento desenvolvimento apoiado pelo desenrolar da acção e das acções. Filma-se um povo frio como a condição climatérica da região, dois indivíduos fastidiosos como a circunstância social a que pertencem. Sim, há no cinema de Kaurismäki uma preocupação social, um neo-realismo seco e gélido como o clima da Finlândia. Mas tudo como suporte para o nascimento de uma relação. Varjoja Paratiisissa está tão próximo da realidade quanto distante, caminha pela desestruturação da inserção social pretendida para terminar num fim utópico e feliz (símbolo do recomeço) distante dessa hipotética inclusão social. O amor acima de tudo. Mas sem sentimentalismos baratos, sem histerias ou embelezamentos desnecessários. E a música é um requinte ora de jazz ora de blues. Isto sim vale a pena ver.
Aki Kaurismäki










Os primeiros planos de Sombras no Paraíso são de uma vitalidade incrível. A rotina diária de um homem do lixo ao som de jazz. Nesses minutos iniciais, filmados com a maior das serenidades, coloca-se a acção laboral (acção vigorosa e frenética, viva) em contraste com a música (o jazz sereno). Filma-se o homem e a sua acção, os seus movimentos. Frio e directo. E isso é habitual no cinema de Kaurismäki. Depois, é comum nos filmes de Kaurismäki os protagonistas serem indivíduos solitários e secos. Consequência que resulta na timidez e dificuldade em se relacionar com o sexo oposto. Mas geralmente são filmes de amor, comédias negras mas da descoberta do amor, da transição de seres solitários e inertes para o início de uma relação. E o resto nem interessa. Filmam-se duas pessoas, a sua condição social e individual e cria-se um relacionamento (frio e distante) num lento desenvolvimento apoiado pelo desenrolar da acção e das acções. Filma-se um povo frio como a condição climatérica da região, dois indivíduos fastidiosos como a circunstância social a que pertencem. Sim, há no cinema de Kaurismäki uma preocupação social, um neo-realismo seco e gélido como o clima da Finlândia. Mas tudo como suporte para o nascimento de uma relação. Varjoja Paratiisissa está tão próximo da realidade quanto distante, caminha pela desestruturação da inserção social pretendida para terminar num fim utópico e feliz (símbolo do recomeço) distante dessa hipotética inclusão social. O amor acima de tudo. Mas sem sentimentalismos baratos, sem histerias ou embelezamentos desnecessários. E a música é um requinte ora de jazz ora de blues. Isto sim vale a pena ver.Alice et Martin (1998)
Téchiné, cineasta que gosta de explorar as relações, cineasta que procura o trauma (já em Rendez-vous o explorava com Quentin). Alice et Martin caminha vertiginosamente para a tragédia (à qual não chega), é cinema físico até às entranhas do seu âmago. Há ali tanta violência naquelas relações, tanto trauma por explorar naqueles flashbacks ao passado e retornos ao presente. A culpa e a justiça andam por lá perdidas o tempo todo para no fim emergirem, a instabilidade mental e emocional tão física, tão forte e tão violenta naquela relação entre Alice e Martin. É cinema emocionalmente cru, explosivo. E Binoche está brutal.
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