
Há dias revi
Rumble Fish (filme que apenas tinha visto uma vez, ainda em criança) e, embora sempre tenha (e falo do pouco que me lembrava) apreciado o filme, desde ontem que passei a considerá-lo uma obra-prima (talvez o melhor de Coppola, pelo menos um dos três melhores ao lado de
Apocalypse Now e
The Outsiders [opinião pessoal]). Porque, por muito que me recordasse que era um filme "irmão" de
The Outsiders (Matt Dillon e Diane Lane repetem-se até nas suas personagens [mais Dillon do que Lane]), por muito que ainda tivesse na memória de que
Rumble Fish é, sobretudo, uma estória sobre um jovem inadaptado ao mundo em que está inserido (ligação directa com o alcoolismo e ausência do pai, abandono da mãe, mas muito principalmente com o miticismo a que a sua figura [de herói, de líder] está associada no bairro [gangues, delinquência] e os simbolismos/misticismos alusivos a uma inadaptação inata ao mundo, à época e à sociedade ["herança" que a dada altura o pai refere que lhe foi deixada pela mãe]), aquilo que faz de
Rumble Fish uma obra-prima eu já não me lembrava (nem na altura apreciei). Falo dos planos, dos enquadramentos, das sombras. A
mise-en-scène (se assim lhe quisermos chamar) deste filme é completamente assombrosa (e
Tetro nem lhe chega aos calcanhares por muito que se esforce). Mas
Rumble Fish vive sobretudo dum sentido onírico, de diálogos brilhantes, metafóricos e simbólicos. Vive duma complexidade que o distingue do seu "irmão" (
The Outsiders), vive duma linha narrativa arrojada, dum preto e branco que muito contribui para o tom negro e obscuro que acarreta. E mais que Rourke é Dillon a alma de
Rumble Fish (como já o era também em
The Outsiders [embora aqui tenhamos ainda C. Thomas Howell e Ralph Macchio para completar um trio fenomenal no que a interpretações diz respeito]). Bendita hora que resolvi rever (ou melhor,
ver)
Rumble Fish!