8 de junho de 2010

Baran (2001)











É inevitável a minha crescente admiração pelo trabalho de Majidi, pela forma de contar uma história por mais simples que seja (o que não acontece neste Baran). A fé inerente, a esperança que transborda naquele caos social iraniano. Realista mas com um sentido poético e lírico de fazer inveja a muito cineasta que anda por aí. Humano, verdadeiramente humano. Baran é o relato da exploração operária, da sobrevivência dos afegãos refugiados no país vizinho. É a miséria transposta para o ecrã. A moralidade está sempre presente em Majidi, a crítica ao meio social, a sua preocupação nas minorias (em Rang-e Khoda é o cego, aqui são os refugiados afegãos). E depois o amor, a compaixão dos seus personagens, a humanização de alguns e a desumanização de outros. Por fim, Baran apresenta planos fabulosos, quer sejam planos fixos quer planos-sequência. Muito bom.

6 de junho de 2010

El Hijo De La Novia (2001)






Fraquinho, muito fraquinho. Disto há aos pontapés em Hollywood.

Sitcom (1998)



Em Sitcom temos um Ozon arrojado, preocupado em criar choque e controvérsia. Acima de tudo procura retractar as relações familiares (e extra-familiares) com um humor negro descomunal e perverso. Aproxima-se (mais nitidamente lá para o final) dum surrealismo macabro e sádico, revela em si um forte sentido de frieza cínica e alucinada. Ozon faz uma sátira bizarra à burguesia de forma ridícula, grotesca e surreal. Sitcom é um filme controverso sim, mas, antes de mais, é um grande filme.

5 de junho de 2010

Tobacco Road (1941)











Tobacco Road, peça teatral de Jack Kirkland adaptada da obra literária de Erskine Caldwel, chega ao cinema pelas mãos de Ford. E a Tobacco Road atribua-se-lhe toda a beleza do cinema de Ford num registo cómico. Mas Tobacco Road ultrapassa essa vertente hilariante que possui e transporta toda uma imoralidade social associada àquele povo e (mais do que tudo o resto) àquela época, à Depressão e suas consequências económicas e sociais. Sobretudo uma visão romantizada, poética, sentimental, patriótica e caricata. Caos social mergulhado num humanismo hilariante. Grande Ford.

Bacheha-Ye Aseman - Filhos do Paraíso (1997)




Da simplicidade surge a beleza do cinema de Majid Majidi. Simples mas belo. Humano, tão humano quanto o pode ser um filme, simples objecto da vida. Representação ambígua da candura infantil e reflexão profunda da pobreza. Filme de esperança e determinação, melodrama realista e social. Filhos do Paraíso prima, acima de tudo, pelas interpretações impressionantes das duas crianças que dão vida às personagens principais. Obra lírica inserida numa temática social, exploração do sentido da vida. Poético, belo.