13 de maio de 2010

Novo Kiarostami à vista.

El Niño Pez (2009)







Ora bem, é sabido (quem acompanha o blog) que XXY (anterior filme e obra de estreia de Lucía Puenzo) me agradou muitíssimo. Portanto, a minha expectativa em relação a este seu novo trabalho era muito alta.

El Niño Pez afigura-se como um conto de amor com perfis políticos e melodramáticos. De misticismos sombrios a figuras adolescentes inseridas em meios disfuncionais, existe um sentido quase que desprovido de consciencialização naquela história de amor entre Lala (Efron) e La Guayi (Vitale). Um estranho comportamento daquelas adolescentes mergulhadas numa realidade que recusam aceitar, a excessiva presença dum misticismo/quimera ridículo na procura duma paz interior, numa possível redenção. Erros do passado vs erros do presente. Essa forma de lutar não só contra a opressão da orientação sexual como contra a diferença de classes sociais.

El Niño Pez é uma viagem de auto-conhecimento pelo mundo do abuso do poder político. Negro e onírico. Narrativamente em constante sobressalto com presente e passado, arrojado. Efron e Vitale excepcionais e uma fotografia maravilhosa. Muito bom filme, quase tão bom quanto XXY.

12 de maio de 2010

Shi Gan (2006)







Shi Gan extravasa emoções por tudo quanto é personagem, ciúme desmedido e psicologias “baratas”. É um filme obsessivo, bizarro, uma sátira melodramática e histérica às cirurgias plásticas e sua iniquidade. De certa forma, Shi Gan explora o caos e a destruição que advém dessas cirurgias estéticas. Metáfora à falsidade humana, aos comportamentos obsessivos destes e, sobretudo, recorrente a um estranho sentido psicológico. Não é mau filme mas não gostei.

11 de maio de 2010

Lebanon (2009)



A Lebanon foi-lhe conferida a distinção de filme anti-bélico pela sua produtora alemã, Sonja Ewers. E, realmente, anti-bélico é certamente uma das palavras mais adequadas para definir este filme.
Dum início tranquilo no meio de um campo de girassóis onde o sol brilha e a natureza se faz ouvir, passamos para o interior de um tanque de guerra israelita que nos vai levar numa viagem ingénua e claustrofóbica até a um povoado onde uma missão aparentemente fácil se transforma numa armadilha em que a morte assombra aquele grupo de soldados. Na verdade, a forma como Samuel Maoz filma aquela simples trajectória militar é absolutamente brilhante. Durante aproximadamente hora e meia de filme, vemos o mundo exterior àquele tanque como aqueles soldados o vêem, ou seja, o espectador passa a ser mais um interveniente daquela missão, passa a ser o quinto elemento daquele grupo de soldados que permanece perpetuamente dentro daquele tanque. O exterior é sempre apresentado pelas lentes do telescópio do tanque, e, com essa perspectiva de imagem, Maoz consegue criar e transmitir um ambiente claustrofóbico, realista e uma tensão inerente à situação em questão. A escassa utilização de luz para isso também contribui, conferindo-lhe ainda uma ambiência negra e obscura dos medos e pesadelos daqueles soldados.

Lebanon rejeita qualquer julgamento político ou parcialidade nesse campo. O filme de Maoz apresenta-se, principalmente, como uma reflexão ao impacto da guerra nesses soldados (quase) inaptos para ela. Lebanon afasta-se de moralismos e de actos heróicos para se apresentar somente como um filme anti-guerra, um filme capaz de mostrar o verdadeiro sentido dessa palavra que é “guerra”. Ao contrário de Bigelow (The Hurt Locker) ou de Sheridan (Brothers), Maoz não trata o seu povo como imaculado, não atribui nem retira razões aos israelitas para entrar ou deixar de entrar na guerra. Aqui temos uma visão verdadeiramente realista da guerra. Lebanon explora os chamados “danos colaterais”, aqui explora-se a crueldade da guerra. Aqui Maoz não conta uma história com um antes e um depois. Não, aqui o que importa é aquela missão que aponta para a tragédia desde o início, a humanização daqueles soldados, a inexperiência destes. Aqui o que importa é contar aquela viagem angustiante e claustrofóbica de quem se encontra no meio de algo para o qual não está preparado.
E no final, como que dum triunfo da inocência, voltamos ao campo de girassóis, voltamos à claridade e à tranquilidade da natureza, à paz. Isto sim é um bom filme de guerra.

10 de maio de 2010

VIVA O BENFICA. CAMPEÕES NACIONAIS DE 2009/2010. Sei que este blog é dedicado a cinema e música, mas...VIVA O BENFICA.

9 de maio de 2010

O Sangue (1989)












Gostava de escrever algo sobre esta relíquia do cinema nacional, algo que conseguisse demonstrar o meu apreço (leia-se admiração, adoração) por aquele que é talvez o melhor filme português de todos os tempos (sem que isso seja ingrato para os outros “grandes” do nosso cinema). E, de facto, d’O Sangue de Pedro Costa muito se pode dizer, mas já quase tudo foi dito, principalmente por Bénard.