Mostrar mensagens com a etiqueta Valerio Zurlini. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Valerio Zurlini. Mostrar todas as mensagens
23 de agosto de 2011
Nos últimos dias dois filmes de Zurlini vistos, Le Soldatesse e Seduto Alla Sua Destra, dois filmes políticos, dois filmes corrosivos, de lutas interiores e plenos de compaixão e de amor ao próximo, moralistas, filmes anti-guerra, coisas brutais e negras na imensidão da desolação da guerra, do mundo e do ser humano. São ambos manifestos à paz e à humanidade, filmes de princípios e de sacrifícios. Tragédias, tormentos, vias-sacras…
19 de agosto de 2011
Cronaca Familiare (1962)
Valerio Zurlini
Se há coisa que Cronaca Familiare tem, e digo-o com toda a certeza, é a “veia” Viscontiana que carrega consigo, os planos e enquadramentos majestosos e imponentes quer dos símbolos da velha aristocracia quer do espaço rural e urbano da época, a família como coisa sagrada (ainda que amputada desde a tragédia inicial), a secura e a palidez da imagem, a música...
Em Cronaca Familiare existe uma total e contida submersão de mágoa e de nostalgia dilacerante que nasce da tragédia (ou das tragédias) para alcançar a sua plenitude na intensidade dramática que se torna erosiva na implacabilidade e na intensidade dessa dramaturgia. Se é verdade que Cronaca Familiare é um filme trágico que nasce e morre na tragédia, ainda mais verdade é que, acima de todo esse tragicismo épico, Zurlini faz um filme de reencontros e de lutas interiores com a solidão e os laços fraternais. Da ausência surge esse vazio familiar interior que teima em se dissipar mesmo no reencontro e após dele. É a tragédia ou a aproximação dela que vem colmatar esse vazio e fortalecer o amor fraternal que tanto tempo esteve adormecido. Aí tudo é libertador da mágoa contida por anos, tudo é implacável e brutal na aceitação da força do mesmo sangue que corre nas veias e une aqueles dois irmãos. O amor, adormecido pelo tempo e pela ausência, emerge lentamente para explodir sob a ameaça da tragédia.
É por isso, e sobretudo em Enrico (um assombroso Mastroianni), um caminho tortuoso e negro (alegoricamente pois o filme é repleto de luz no seu radioso technicolor) de dúvidas e de ambiguidades quer existencialistas quer espirituais na procura da redenção e do amor fraternal. Ainda que Cronaca Familiare transporte consigo todo o realismo (ou o neo-realismo) italiano do pós-guerra é o lirismo dessa visão da vida (e dos destinos daquelas duas vidas) que mais nos atrai, é a brutalidade do tempo que tudo fez para os castigar pela ausência. É aí que Cronaca Familiare irrompe toda a sua implacabilidade, todo o sentimento e todo o dramatismo que irá verter todas as lágrimas da tragédia, é aí que as trevas da mágoa, da solidão e do conflito interior irrompem para libertar o homem. Implacável, brutal, grandioso, Zurlini.
Valerio Zurlini
Se há coisa que Cronaca Familiare tem, e digo-o com toda a certeza, é a “veia” Viscontiana que carrega consigo, os planos e enquadramentos majestosos e imponentes quer dos símbolos da velha aristocracia quer do espaço rural e urbano da época, a família como coisa sagrada (ainda que amputada desde a tragédia inicial), a secura e a palidez da imagem, a música...
Em Cronaca Familiare existe uma total e contida submersão de mágoa e de nostalgia dilacerante que nasce da tragédia (ou das tragédias) para alcançar a sua plenitude na intensidade dramática que se torna erosiva na implacabilidade e na intensidade dessa dramaturgia. Se é verdade que Cronaca Familiare é um filme trágico que nasce e morre na tragédia, ainda mais verdade é que, acima de todo esse tragicismo épico, Zurlini faz um filme de reencontros e de lutas interiores com a solidão e os laços fraternais. Da ausência surge esse vazio familiar interior que teima em se dissipar mesmo no reencontro e após dele. É a tragédia ou a aproximação dela que vem colmatar esse vazio e fortalecer o amor fraternal que tanto tempo esteve adormecido. Aí tudo é libertador da mágoa contida por anos, tudo é implacável e brutal na aceitação da força do mesmo sangue que corre nas veias e une aqueles dois irmãos. O amor, adormecido pelo tempo e pela ausência, emerge lentamente para explodir sob a ameaça da tragédia.
É por isso, e sobretudo em Enrico (um assombroso Mastroianni), um caminho tortuoso e negro (alegoricamente pois o filme é repleto de luz no seu radioso technicolor) de dúvidas e de ambiguidades quer existencialistas quer espirituais na procura da redenção e do amor fraternal. Ainda que Cronaca Familiare transporte consigo todo o realismo (ou o neo-realismo) italiano do pós-guerra é o lirismo dessa visão da vida (e dos destinos daquelas duas vidas) que mais nos atrai, é a brutalidade do tempo que tudo fez para os castigar pela ausência. É aí que Cronaca Familiare irrompe toda a sua implacabilidade, todo o sentimento e todo o dramatismo que irá verter todas as lágrimas da tragédia, é aí que as trevas da mágoa, da solidão e do conflito interior irrompem para libertar o homem. Implacável, brutal, grandioso, Zurlini.
7 de maio de 2011
La Ragazza con la Valigia (1961)
Valerio Zurlini
La Ragazza con la Valigia estoura, rebenta, brota, faz tudo e mais alguma coisa nestes termos de explosão, tudo ali à nossa frente a clamar, a bradar pelo cinema. Brutal é dizer pouco, monumental ou qualquer coisa tão grande mas tão grande que indubitavelmente tem de explodir, de eclodir, de rastejar tão dentro da beleza do cinema de tão visceral que é, de tanto bradar pelo amor, pela candura da paixão jovial, pela beleza da mulher e pela iniquidade masculina. Zurlini, mestre dos movimentos de câmara (ah Fassbinder quanto vieste tu aqui “beber”!). La Ragazza con la Valigia, filme da doçura do primeiro amor, do arrebatamento que causa, do sentido ilusório tão presente, da amargura que deixa, que marca, filme de dois seres perdidos no mundo que por momentos se encontram (porque ela no fundo sabe que acabada a adolescência finda também essa candura), filme da resignação. Grandioso.
Valerio Zurlini
La Ragazza con la Valigia estoura, rebenta, brota, faz tudo e mais alguma coisa nestes termos de explosão, tudo ali à nossa frente a clamar, a bradar pelo cinema. Brutal é dizer pouco, monumental ou qualquer coisa tão grande mas tão grande que indubitavelmente tem de explodir, de eclodir, de rastejar tão dentro da beleza do cinema de tão visceral que é, de tanto bradar pelo amor, pela candura da paixão jovial, pela beleza da mulher e pela iniquidade masculina. Zurlini, mestre dos movimentos de câmara (ah Fassbinder quanto vieste tu aqui “beber”!). La Ragazza con la Valigia, filme da doçura do primeiro amor, do arrebatamento que causa, do sentido ilusório tão presente, da amargura que deixa, que marca, filme de dois seres perdidos no mundo que por momentos se encontram (porque ela no fundo sabe que acabada a adolescência finda também essa candura), filme da resignação. Grandioso.9 de setembro de 2010
Il Deserto dei Tartari (1976)
Último filme de Zurlini mas primeiro Zurlini que vejo. E gostei, gostei muito. Il Deserto dei Tartari é um filme melancólico. É sobre o tempo, sobre os medos e sobre o companheirismo. É sobre a efemeridade da vida, da espera pelo que tarda em vir e quando finalmente vem é tarde demais. É um filme muito metafórico, absurdo e sobretudo existencialista. Inauditamente filmado, com movimentos de câmara assombrosos e belo com todos os longos e distantes planos do deserto e do forte. E interpretações fabulosas desde Perrin, Fernando Rey, Helmut Griem, Noiret até Max von Sydow e Terzieff. Mas que grande filme é Il Deserto dei Tartari. Continua a descoberta de Zurlini.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

