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20 de agosto de 2011

Só umas palavrinhas sobre alguns filmes (ou projectos de filmes) que aí vêm: o Cisne da Villaverde deixa-me bastante expectante e curioso. Fala-se também, e cada vez mais, em remakes de filmes do Peckinpah, no comments. No comments também para a sequela do Blade Runner (cheira-me que agora é que o Scott vai mostrar que ter feito o Blade Runner foi coisa que lhe caiu do céu!!!). Quanto a Malick, sem ainda ter visto o seu The Tree of Life, começo a estranhar (e a desconfiar) tão movimentada agenda cinematográfica.

4 de abril de 2011

Straw Dogs (1971)
Sam Peckinpah

Desde o inicio de Straw Dogs que sabemos que algo vai acontecer, prevê-se aquela explosão de violência final, é Peckinpah embora o seja desmesuradamente calmo até àqueles minutos finais. Tudo é Peckinpah puro, tudo é extremamente desmesuradamente violento, não só naquela explosão final e de todo o sangue que brota daí ou naquela violação psicologicamente e expressivamente aterradora mas em toda a montagem, na realização, na relação entre aquelas pessoas, no ambiente. Qualquer coisa tão forte e tão brutal naqueles momentos finais que extravasam tanto sangue, tanta tensão onde o que realmente interessa é a transformação do homem, a mutação do ser em que a racionalidade dá lugar à animalização e a fervura da adrenalina e do sangue, da raiva e do ódio a tomarem conta do homem. David toma aquela decisão só para mostrar que não é cobarde (e recuemos atrás ao momento em que Amy depois da violação deitada na cama aquando da chegada de David a casa lhe chama isso mesmo, e não nos esqueçamos que a violação é fruto tanto da imbecilidade e cobardia primária de David como da provocação de Amy para com aquele grupo de homens - não nos esqueçamos que Amy e Charlie têm um passado juntos que Peckinpah nunca nos esclarece), que é homem suficiente para defender a sua casa, que também recorre à violência se assim o necessitar. Aí David assume (e a David atribua-se a humanidade) a sua animalização, a sua ferocidade, “bota-a” para fora. E no perigo, David transforma-se, sabe exactamente o que fazer e como defender a sua casa. Aquilo é mais uma questão de honra e de afirmação (sobretudo para com a mulher) do que de alguma defesa quer de território quer de Amy, até porque no final vemos David feliz como que aliviado pelo que aconteceu. Obra-prima sim senhor.

28 de janeiro de 2011

O Cross of Iron é sem dúvida um filmão. Há filmes que acabam e já nós estamos com vontade de os voltar a ver. Cross of Iron é um desses filmes. Como estamos numa de filmes de guerra, o próximo é o The Heroes of Telemark do Mann.

12 de dezembro de 2010

The Wild Bunch (1969)














Há em The Wild Bunch uma necessidade de humanizar o fora-da-lei, atribuir-lhe valores e moralidades. Não há nenhuma tentativa de beatificar (ou algo parecido) o fora-da-lei. Não, nada disso, há impiedade suficiente, violência desmedida (que a Peckinpah é própria), sangue a jorrar a torto e a direito, traições. Dureza, coragem, bravura, coisa que não falta aos heróis (e anti-heróis) do western. Mas estão lá esses valores e códigos éticos que aos bandidos são inerentes (em quase todos os filmes de Peckinpah está lá a amizade, o companheirismo, a tentativa de evitar matar civis desnecessariamente). O ladrão íntegro (ou o que se lhe possa parecer). The Wild Bunch é o fim desses códigos, a transição dos velhos bandidos para os novos. Aí reside a sua sentença, daí resulta o destino cruel daqueles escorpiões no início do filme e da morte posterior de Pike já no fim. Porque acontecem às mãos da nova geração (das crianças), porque resultam de actos sem regras, sem os tais valores e moralidades, sem limites. Porque deixa-se a réstia de clemência existente nos bandidos para passar a matar por matar. É essa a verdade de The Wild Bunch. O fim da ética de um bandido (se é que tal possa ser dito).

Longe do patriotismo e do sentido de dever de Ford, Peckinpah augura a guerra em toda a sua violência. Tudo explosivo, na senda da crueza do tiroteio (ainda que embelezada pelos slow motions de Peckinpah, pela sua montagem, pelos ângulos das varias câmaras e suas diferentes velocidades), na lei sem escrúpulos (que é o mesmo que sem lei), na honra e na dignidade do fora-da-lei. Mas encare-se a amizade como matéria principal de The Wild Bunch. Recorde-se aquele momento final em que Pike é trespassado por um enxame de balas, recorde-se a reacção de Dutch ao ver Pike tombar, a índole de sacrifício, a derradeira prova de amizade. Recorde-se a desilusão e a nostalgia de Deke ao ver Pike tombado naquele campo de batalha. A morte do inimigo outrora companheiro, o sentimento de vazio em que Deke mergulha, a imutabilidade do fora-da-lei (e por isso aquele sorriso final quando Sykes o convida para um novo bando). O que jorra daquele final, além de todo o sangue, é a dignidade, a honra e a amizade. The Wild Bunch é um dos melhores westerns jamais feitos.