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1 de maio de 2011

The Hunter (2010)
Rafi Pitts

Brutal, brutalidade da tragédia, Pitts desaba o mundo ou a humanidade, acaba com ela, com a pouca dignidade que há, com a pouca compunção que possa haver, destrói tudo o que o ser humano possa ter de belo, corrompe a alma e os sentidos. The Hunter é coisa tão sombria e tão obscura dentro de tanta clareza e tanto acinzentado nevoeiro quanto o simbolismo daquele túnel onde Pitts nos leva uma e outra e outra vez sem cessar, deambulando entre a cidade e a floresta, onde acaba. É das sombras que nasce as trevas e das trevas que irradia a tragédia e a sua brutalidade, coisa efémera a felicidade, mais importante ou mais trágico das tragédias a reinserção social que abruptamente sofre o revés e desperta a impiedade resultante da dor da perda. Caçador que vira caçado na forma mais vil da humanidade, a polícia na sua face oculta que perdida na floresta se desoculta. Pitts trabalha nos olhares, na rigidez do semblante, nos silêncios, na frieza de quem perdeu tudo mas não verte uma lágrima, na rejeição dos facilitismos e maneirismos e toda a merda acabada em ismos, na procura da morte que anda sempre ali à beira daquele homem, nos planos e contra-planos e nos enquadramentos e na profundidade de campo. The Hunter, filme da morte ou da procura da morte, mas mais que isso filme da descrença total, renúncia à Deus e ao ser humano, condenação da humanidade e da sua iniquidade, coisa visceral na ontologia do ser humano. Brutal.

15 de fevereiro de 2009

Zemestan - É o Inverno (2006)



Num país onde a luta pela sobrevivência é constante, Rafi Pitts traz-nos uma obra dramática de um Irão negro e caótico. Em "Zemestan" a temática central da obra é a sobrevivência face a uma crise que afecta mais de metade da população do Irão. As fábricas fecham, o trabalho escasseia e a procura deste expande-se para fora do país, onde existe mais facilidade e oferta de trabalho. É neste ambiente inóspito que se desenvolve a história de Marhab, um viajante numa procura de trabalho em Teerã.
Obra lírica de Pitts, este “Zemestan” transporta consigo uma mensagem forte de amor e luta pela vida. Pitts quis também salientar que a necessidade em trabalhar como meio essencial para a sobrevivência de um indivíduo, não implica a humilhação e exploração deste. O filme retrata essa temática de forma bem clara e mostra-nos um personagem que não está disposto a aceitar tal condição.
O amor também é aqui retratado, pois é por amor que o marido que partiu em busca de dinheiro e que, regressado de uma aventura falhada e que se depara com outro homem (Marhab) dentro de sua casa e com sua mulher, se suicida no fim do filme. É por amor que Marhab resolve, após ver o suicídio, ficar e desistir de mais uma viagem em busca de um futuro melhor.
“Zemestan” é uma admirável reflexão à sobrevivência e sua condição humana, ao amor e sua compreensão. Isto é cinema.