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10 de setembro de 2010

Сорок первый - Sorok Pervyy (1956)
















Obra de estreia de Grigori Chukhrai (o qual três anos depois realizaria o brilhante Ballada o Soldate) e que estreia. Sorok Pervyy, romance de Boris Lavrenyov já tivera em 1927 uma adaptação cinematográfica pelas mãos de Yakov Protazanov. Não as posso comparar pois ainda não tive oportunidade de ver o filme de Protazanov, mas posso afirmar com toda a convicção de que esta versão de Chukhrai é, não só dos melhores “filmes-estreia” de um realizador, como se trata de um grande filme ao qual ousaria chamar de obra-prima. Depois de Ballada o Soldate este é o segundo filme que vejo de Chukhrai. E é com bastante curiosidade que procuro arranjar mais filmes dele.

Sorok Pervyy é, à imagem do que faria mais tarde em Ballada o Soldate, uma fábula romântica em tempo de guerra (aqui a guerra civil russa). Mas valores mais altos se reclamam aqui, e por isso aquele final cruel e frio para aquela história de amor. Porque aqui existe uma dualidade de sentidos. Marushka tem um sentido revolucionário e de dever enquanto o tenente estaria disposto a abandonar todos os ideais pelo amor. Aqui o amor aproxima dois lados antagónicos, ela vermelha (bolchevique) e ele branco (manchevique), ela patriótica, sedenta de revolução e de intervenção na definição cultural e social do seu país, ele sonhador, lírico. Ela rude e humilde, ele nobre e delicado. Mas ambos são líricos e românticos.

Existe depois aquilo que me parece ser um sentido metafórico e simbólico na cinematografia de Sergei Urusevsky (o mesmo de Letyat Zhuravli - Quando as Cegonhas Voam). E mormente porque Chukhrai recorre muito ao fogo e à água como elementos constitutivos da definição das duas personagens centrais. Personagens essas que são interpretadas fenomenalmente por Izolda Izvitskaya e Oleg Strizhenov. A realização de Chukhrai é igualmente assombrosa onde, embora pouco recorra a grandes movimentos de câmara, os planos fabulosos e belíssimos do céu (e aqui lembrei-me de Ford também pela profundidade de campo), daquele deserto e do mar, enaltecem o filme. Mas o grande trunfo e aquilo que, a meu ver, faz de Sorok Pervyy uma obra invulgar e de extrema importância para qualquer cinéfilo é a cinematografia usada (como se fosse uma tela pintada), é o estilo dessa cinematografia, a escuridão que assola a tela durante quase todo o filme trazendo sempre essa conotação sombria e obscura que advém da guerra. Brilhante.

3 de julho de 2010

Баллада о солдате - Ballada o Soldate (1959)









Ao ver Ballada o Soldate lembrei-me de Quando as Cegonhas Voam de Kalatozov. Pela beleza poética e lírica de ambos, pela técnica de imagem e som, pelos planos e o enquadramento da câmara. Mas também pela veia humanística do filme (embora neste Ballada o Soldate esteja mais acentuada), pelo romantismo sempre presente.

Ballada o Soldate é um filme de amor em tempo de guerra, um filme sobre a descoberta do amor. Muito poético, muito lírico, muito humano acima de tudo. Odisseia de valores, de coragem e patriotismo. Compaixão e solidariedade, mas sobretudo um forte sentido de honra e cumprimento do dever. Porque Alyosha troca a condecoração por uma visita a casa para compor o telhado. Porque Alyosha não deixa de cumprir a promessa de entregar o sabão à mulher de um soldado que nem conhecia (e aí Chukhrai condena a mentira, a infidelidade quando Alyosha se depara com aquele cenário), mesmo quando isso lhe rouba algum tempo para estar com Shura. Porque ele perde o comboio para guardar a mala daquele inválido à beira do caos psicológico.

“Mas Alyosha não é nem um herói de filmes de acção, nem um conquistador. Ele é apenas um rapaz simples, que entra em pânico da primeira vez que avista um tanque inimigo, mas ultrapassa o seu medo e consegue atingi-lo.”

Porque os heróis não são aqueles que matam e dizimam tudo e mais alguma coisa. Não, os verdadeiros heróis são estes, os que salvam sem disparar uma bala. Porque aquilo que os define como heróis é a veia humanística, a sua integridade moral e ética. Porque num país assolado pela destruição da guerra, o amor e a compaixão dão outro sentido à vida. Porque o amor é vida.